Cannibal Corpse: Gore Obsessed completa hoje 17 anos

by Flávio Farias

Em 26 de fevereiro de 2002, o CANNIBAL CORSE lançava o oitavo disco de sua carreira. A banda havia lançado seu primeiro disco ao vivo, o “Live Cannibalism” dois anos antes,  que era da turnê do álbum de estúdio anterior, “Bloodthirst“. E após três anos de hiato, a banda se reuniu no Sonic Ranch Studios, no Texas, na companhia de Neil Kermon, responsável pela produção e a eles sairam de lá com mais um álbum agressivo, uma coisa natural e esperada da por todos.

Lançado pela Metal Blade Records, o álbum tem pouco mais de 40 minutos e muita qualidade sonora, para quem gosta de Death Metal bem tocado e aqui era o início da transição da banda, em que eles adicionavam complexidades à sua música.

E o CANNIBAL CORPSE não decepciona, pois aqui temos o que melhor pode ser produzido no Death Metal. Colocando a bolacha para rolar, “Savage Butchery” em menos de dois minutos, mostra toda a agressividade dos caras. É muita violência, traduzida nos gritos insanos de George “Corpsegrinder” Fischer.

Hatchet to the Head” embora agressiva, mostra o lado técnico da banda, com mudanças de andamento em que todos se destacam; “Pit of Zombies” é a melhor faixa deste disco, com riffs hipnotizantes e vez ou outra a música entra no setlist nos shows atuais da banda, enquanto que “Dormant Bodies Bursting” é uma pedrada, que não perde a agressividade mesmo no meio, quando há a já esperada mudança no andamento. Esta também aparece de vez em quando no setlist. Assista abaixo a banda apresentando “Pit of Zombies” ao vivo, em show recente. Reparem que a banda mudou o andamento da música, deixando-a ainda mais brutal. E um pouco mais abaixo, assista a “Dormant Bodies Busrting”, também ao vivo.

Compelled to Lacerate” é outra faixa que se destaca, ela é mais arrastada do que usualmente a banda costuma lançar, mas essa diferença é que dá o brilho à música. Outra que figura entre as minhas favoritas deste álbum.

“Drowing in Viscera” aposta nas variações de andamento, ora com partes mais rápidas, ora com riffs mais pesados. No primeiro momento essa foi a faixa que mais me chamou atenção, e de fato, ela é muito boa.

Hung and Bleed” é outra desgraceira sonora em que a velocidade pouco dá espaço para as mudanças de andamento, que são bem breves. “Sanded Faces” tem uma intro meio chatinha, mas felizmente, os caras se recuperam e a destruição sonora volta a reinar, com a banda apostando novamente na fórmula de alternar passagens rápidas com outras mais arrastadas.

E Alex Webster chega brilhando em “Mutation of the Cadaver“, seja na bela escala que ele executa na intro ou duelando com as guitarras de Jack Owen e Pat O”Brien. Já falei aqui recentemente das qualidades deste baixista, que em minha opinião, se destaca dos demais por pura e simplesmente tocar Death Metal no baixo sem usar palhetas. O cara é realmente um gênio. E sua genialidade ajuda a deixar essa música mais que especial.

When Death Replaces Life” aposta em um andamento arrastado por toda a sua extensão e o mais interessante é que por mais que as músicas rápidas da banda soem agressivas ao extremo, é em músicas como essas que eles soam ainda mais brutais. Em dado momento, a música fica mais rápida, mas por um breve momento, logo voltando a soar quase que um Doom Metal.

Grotesque” é a música que encerra o álbum… Bem, pelo menos é o que diz o encarte do CD, pois teremos uma surpresa bem agradável após o término desta música, que é bem interessante, com riffs que deixam o ouvinte com vontade de entrar no mosh e largar todo seu ódio por lá.

Então, a surpresa da qual eu me referia no parágrafo anterior é em deixar a bolacha rodando e você será surpreendido com o cover para “No Remorse“, do primeiro disco do METALLICA, “Kill’Em All“. O CANNIBAL CORPSE é rei em melhorar as versões originais. Foi assim com “Zero the Hero“, do BLACK SABBATH e “The Exorcist“, do POSSESSED. Mas tocando o Thrash Metal raiz da mais bem sucedida banda de Heavy Metal, ficou ótimo. E não foi surpresa para mim, pois o primeiro álbum da banda, “Eaten Back to Life” é bem Thrash Metal, inclusive os caras citando o SEPULTURA e o álbum “Beneath the Remains” no encarte deste álbum como sendo uma de suas influências.

Enfim, um bom disco que mantinha acesa a paixão dos caras pelo Death Metal mais podre que a cena já viu. E de lá pra cá as coisas só iriam evoluir ainda mais. Não a toa que o CANNIBAL CORPSE é referência no estilo. Goste o leitor ou não da banda, é preciso reconhecer a influência e o trampo dos caras, que arrastam fãs pelo mundo, inclusive eu. E vamos reverenciar este álbum que fica mais velho hoje.

Lineup:

George “Corpsegrinder” Fischer – Vocal

Jack Owen – Guitarra

Pat O’Brien – Guitarra

Alex Webster – Baixo

Paul Mazurkiewicz – Bateria

Tracklisting:

01 – Savage Butchery

02 – Hatchet to the Head

03 – Pit of Zombies

04 – Dormant Bodies Bursting

05 – Compelled to Lacerate

06 – Drowing in Viscera

07 – Hung And Bleed

08 – Sandless Faces

09 – Mutation of the Cadaver

10 – When Death Replaces Life

11 – Grotesque

12 – No Remorse (Metallica cover – bônus track)

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