Black Sabbath: 28 anos de “Dehumanizer”

by Flávio Farias

30 de junho de 1992, esta é uma das duas datas de lançamento de “Dehumanizer”, o décimo sexto álbum da carreira do BLACK SABBATH. O disco foi celebrado no último dia 22, que é a data em que o disco fora lançado na Inglaterra, terra natal do “pai” Tony Iommi. Nós estamos adotando o dia 30, que foi quando o álbum foi lançado nos Estados Unidos e é a data mais aceita.

Este álbum marca o retorno do grandioso Ronnie James Dio, que infelizmente não ficaria para o álbum posterior. Mas assim como em “Heaven and Hell”, ele não decepcionou, e aqui em “Dehumanizer”, sua performance foi ainda mais impressionante e ajudou também o fato de o disco ser, de longe, o mais pesado da carreira da banda.

Após o álbum “Tyr”, Iommi reformulou toda a banda. Saíram o vocalista Tony Martin, o baixista Neil Murray e o baterista Cozzy Powell. E trouxe de volta o vocalista Ronnie James Dio, o baixista Geezer Buttler, este retornava após 9 anos de hiato e o baterista Vinny Appice, O tecladista Geoff Nicholls que era membro da banda no disco anterior, aqui atuou como músico convidado. Assim sendo, a “nova” formação se reuniu no “Rockfield Studios”, em Gales, com o produtor Mack assinando a obra,

Computer God” é um baita Rockão pesado e denso, com seus quase sete minutos, onde a voz do imortal Dio brilha. Há também espaço para exvelentes linhas de baixo do não menos gigante Geezer Buttler.

After All (the Dead)” é sombria, arrastada, carregada de muita atmosfera. E “TV Crimes” chega e esta é sem sombra de dúvidas, a melhor faixa do play. Um Metal vigoroso onde tudo conspira maravilhosamente a favor: a guitarra pesada de Iommi enquanto Geezer Buttler brinca de tocar baixo, a pegada de Vinny Appice na batera e a cereja do bolo, a performance impecável de Dio. Se todo o disco é em alto nível, essa faixa tem nível estratosférico, até por ela ter um andamento mais rápido que as anteriores.

Letters From Earth” traz de volta o ritmo cadenciado, sem esquecer do peso. E aqui flertes fortíssimos com o Hard Rock, enquanto que “Master of Insanity” viaja pelos mares do Hard e do Heavy, com partes um pouco mais arrastadas, numa ótima canção. E um solo cheio de feeling. “Time Machine” traz um BLACK SABBATH moderno, em uma faixa bastante enérgica.

Sins of the Father” é outra na linha Hard, em que há um duelo interessante entre a guitarra se Iommi e o vocal de Dio. Falar que o baixinho arrebentou aqui é simplesmente chover no molhado. Mas nesta faixa, ele teve um “rival” a altura.

Too Late” é uma balada que ganha peso no refrão, enquanto que I privilegia o peso, com partes mais bluesy, como o Sabbath fazia nos seus anos dourados. “Buried Alive” é certamente a faixa mais pesada do baixo e Gezzer Buttler com seu baixo tem grande responsabilidade aí. O andamento da música é na mesma linha das demais, porém, o peso é bem latente e fica bem explícito quando Buttler cobre o buraco deixado na hora em que Iommi sola brilhantemente. É com esse peso que o melhor disco do BLACK SABBATH com Dio (calma, caro leitor, não precisa me xingar, “Heaven and Hell” é um discaço, mas o peso de “Dehunanizer” me faz optar pelo aniversariante de hoje) e que encerra muito bem um álbum sem nenhum momento desapontante.

Temos um disco muito pesado, em 51 minutos de extensão, que mostrou que o BLACK SABBATH ainda tinha muita lenha para queimar e o melhor, nós ainda poderíamos testemunhar o retorno da formação clássica (no final da década de 1990) e anos mais tarde, três dos quatro cavaleiros de Birminghan voltariam a nos brindar. Dio ainda montaria com Iommi o projeto HEAVEN AND HELL, que nada mais era que o BLACK SABBATH tocando as músicas dos tempos do vocalista e assim nós pudemos desfrutar dos nossos ídolos.

Uma curiosidade acerca deste play é que a música “Time Machine” foi escrita especificamente para compor a trilha sonora da comédia “Wayne’s World”, lançada em 1992. Ela foi gravada bem antes das sessões de gravação de “Dehumanizer”, com o produtor Leif Mases, conhecido por trabalhar com o ABBA. Esta foi regravada para entrar no disco, porém, a versão original foi lançada como faixa bônus da versão estadunidense.

Em 2007, o álbum foi relançado com um CD bônus, contendo lado B, versões single, a versão de “Time Machine” que seria incluída no filme “Wayne’s World” e mais faixas gravadas durante uma apresentação ao vivo em Tampa, Flórida, em 25 de julho de 1992.

Dehumanizer” envelhece extremamente bem e este é um disco que eu coloco na série “eu escuto gente morta”. Dio prestou ótimos serviços ao Heavy Metal e nada mais do que justo ele ter ocupado o posto de vocalista da mãe das mães de todas as bandas do estilo.

Dehumanizer – Black Sabbath
Data de lançamento – 30/06/1992
Gravadora: I.R.S. Records

Tracklisting:
01 – Computer God
02 – After All (The Dead)
03 – TV Crimes
04 – Letters From Earth
05 – Master of Insanity
06 – Time Machine
07 – Sins of the Father
08 – Too Late
09 – I
10 – Buried Alive

Lineup:
Tony Iommi – Guitarra
Ronnie James Dio – Vocal
Geezer Buttler – Baixo
Vinnie Appice – Bateria

Special Guest:
Geoff Nicholls – Teclado

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