Anthrax: os 29 anos de “Persistence of Time”

by Flávio Farias

Em 21 de agosto de 1990, o ANTHRAX lançava o quinto disco de sua gloriosa carreira. E “Persistence of Time” é o último disco do que podemos chamar de santíssima trindade da banda, que começou com “Among the Living” (1987) e continuou com “State of Euphoria” (1988).

Este seria marcado também como o último disco gravado pelo vocalista Joey Belladona. Ele voltaria em 2010 ao lugar onde ele jamais deveria ter saído, com todo respeito ao competente John Bush.

A banda mais talentosa do The Big 4 (o fã do METALLICA vai me xingar, o do MEGADETH também, e olha que das quatro bandas, eu gosto mais da banda do tio Musta, mas analisando a complexidade das músicas e o talento dos integrantes, o título de melhor banda eu dou ao ANTHRAX) entrou em dois estúdios para a gravação do homenageado de hoje: “A&M Studios“, e no “Conway Studios“, ambos em Hollywood, na companhia de Mark Dodson, responsável pela produção.

E colocando a bolacha para rolar, temos na faixa de abertura, “Time“, que é a que dá o título ao disco, a intro com o tic-tac do relógio, que logo dá lugar à bateria forte de Charlie Benante e o baixo de Frank Bello mostrando que a cozinha está forte. E a música se desenvolve com riffs muito bons. Melhor começo não poderia haver.

Blood” é outra belezura, em que novamente Charlie Benante brilha com sua performance na intro. Porém, os destaques dessa música são as guitarras e seus riffs simplesmente hipnotizantes e o baixo também brilha por aqui. Excelente som.

A faixa três é simplesmente um dos clássicos da banda: “Keep it in the Famlily“, que eu confesso ter escutado pela primeira vez quando eles a regravaram no álbum “The Greater of Two Evils“, com John Bush nos vocais. Eu amei essa música logo de cara e estranhei um pouco quando ouvi a versão original, mas não tem como não gostar desta versão aqui, bem bruta, onde novamente destaco o baixo, bem audível com boas lindas. É uma música que não tem um andamento tão rápido, mas é um dos pontos altos do álbum.

In my World” é a faixa número 4 e se destaca por ser uma música pesada, forte e segue num ritmo mais cadenciado. Novamente destaco o trabalho do baixista Frank Bello e também o vocalista Joey Belladona, que tem uma de suas melhores performances.

Gridlock” é a mais rápida do disco e uma das minhas favoritas também. Essa não deixa ninguém parado, seja no moshpit, na sala da sua casa ou mesmo se você estiver ouvindo o disco em um transporte coletivo. Aqui, quem dá as cartas é a dupla de guitarristas, Scott Ian e Dan Spitz

Intro to Reality” é uma faixa instrumental que é bem pesada e densa. Ela tem alguns riffs que são utilizados na faixa que virá a seguir e por isso ela funciona como uma ponte para a clássica “Belly of the Beast“, que é perfeita, pesada, com riffs intrínsecos, mantendo a mesma pegada densa. Essa também é uma faixa que eu escutei pela primeira vez no já citado “The Greater of the two Evils“, onde ela é muito mais pesada do que aqui, mas a versão original é linda.

E chega “Got the Time“, a faixa que me fez conhecer o ANTHRAX. Lembro me da primeira vez que vi o clipe, na MTV, no programa “Fúria“, quando eles haviam excluído o “Metal” do nome. Eu de cara fiquei louco com essa música, em que o baixo de Frank Bello dá as cartas na intro e depois o resto da banda dá uma roupagem nova à música que tem toda a cara Punk. O curioso é que até uns 3 anos atrás eu não sabia que se tratava de um cover de um artista chamado Joe Jackson. E olha que eu ouvi essa música pela primeira vez há 19 anos. Mas ela é linda. E para nossa alegria, está quase sempre no setlist da banda.

H8 Red” traz a banda de volta ao clima denso pela qual os caras optaram em seguir neste disco. Pesada, com bons riffs de guitarra, mostrando o porque de o ANTHRAX ser a banda mais técnica entre todas as do “The Big 4“.

One Man Stands” é na mesma linha da faixa anterior, com a diferença de ter um solo na sua intro. Uma boa música.

Discharge” é a faixa que fecha o disco da melhor forma possível. Uma música rápida, pesada, onde quem ditam as regras são as palhetadas da dupla Scott Ian e Dan Spitz. E um disco clássico não poderia ser fechado com uma música que é um de seus pontos altos.

E assim, em uma hora cravada e vinte e quatro segundos, temos uma audição mais que satisfatória. Um disco que nasceu clássico e que a cada ano que envelhece ele fica ainda melhor. E por isso ele se faz merecedor desta homenagem.

Com o Rock in Rio 2019 chegando, aumentam as nossas expectativas. Ainda mais as deste redator que vos escreve, pois eu nunca vi o ANTHRAX tocando ao vivo, tenho somente a experiência do DVD “The Big 4“, que mesmo assistindo com áudio 5.1, não é a mesma coisa. E com certeza a banda incluirá algumas faixas deste disco em seu setlist. Este álbum alcançou a posição de número 24 na “Billboard 200“. Por isso, além de ser um dia em que devemos celebrar este disco, é também o momento de desejar uma longa vida a banda de Scott Ian, que prestou e ainda presta muitos bons serviços ao Thrash Metal.

Lineup:
Joey Belladona – Vocal
Scott Ian – Guitarra
Dan Spitz – Guitarra
Frank Bello – Baixo
Charlie Benante – Bateria

Tracklisting:
01 – Time
02 – Blood
03 – Keep it in the Family
04 – In my World
05 – Gridlock
06 – Intro to Reality
07 – Belly of the Beast
08 – Got the Time
09 – H8 Red
10 – One Man Stands
11 – Discharge

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