Van Halen: 40 Anos de uma revolução da guitarra

Noticiários de anos recentes denunciaram a utilização de músicas de Rock pesado como instrumento de tortura em pessoas de países cuja cultura não abrange sons dessa natureza. Uma prática questionável, sem dúvida, mas há algo que os programas investigativos não revelaram. Esse métodos não são tão novos assim. Existem relatos de que a primeira vez que sons estridentes de guitarra foram usados para dobrar a vontade de seres humanos ocorreram no ano de 1955 e a vítima teria sido um adolescente americano de nome George McFly.

Porém, a história de McFly tem alguns aspectos que não encaixam bem. Comparando os relatos do mesmo, e a opinião de especialistas, os sons que ele relata ter ouvido parecem ser similares a algo na linha do guitarrista Eddie Van Halen. Mas Eddie nasceu no mesmo ano dos eventos relatados e, portanto, não seria possível que existisse qualquer tipo de som que tivesse sido gravado por ele. O mistério prossegue, bem como as investigações, que tentam compreender como um fato recente pode ter ocorrido, aparentemente sem relação direta no passado e, depois, ter sido replicado de volta para o futuro…

Bem… os parágrafos acima são uma mistura de referência e exercício de imaginação que tentam fazer uma pequena exemplificação do que representa Eddie Van Halen e, naturalmente, a sua banda, no imaginário popular. A construção dessa lenda comemora hoje os 40 anos de lançamento de um álbum que revolucionou a forma como a guitarra poderia ser abordada. E, revolucionando a guitarra, consequentemente se revoluciona o Rock como um todo.

A técnica de tapping foi a mais aclamada entre as abordagens de Eddie no instrumento. Como qualquer conceito que surja para modificar as regras do jogo, houve contestações a respeito da primazia em sua utilização, mas o importante é que Eddie apropriou-se do método, aperfeiçoou e popularizou o mesmo de uma forma que obliterou qualquer registro anterior.

Mas nem só de tapping é formada a habilidade do guitarrista, bem como nem só por sua presença o Van Halen foi aclamado. Sob diferentes ângulos, cada um dos quatro elementos de sua formação foram essenciais e relevantes para que a banda ultrapassasse os limites californianos. Foi a marcação do baixo de Michael Anthony que contou o tempo para o começo de “Running With The Devil”, música de início lânguido mas que evolui de forma exponencial até o seu final, crescendo em intensidade sem alterar o seu andamento!

A atitude fanfarrona do vocalista David Lee Roth vai além de sua presença física e de sua intensa performance de palco, revelando-se em sua voz e sua dicção. Seu absoluto carisma, situado entre o espontâneo e o ensaiado, supera as críticas ao seu timbre e colocam-no como o sustentáculo paralelo ao guitarrista para a popularidade da banda. Na retaguarda, dois músicos que passeiam na tênue linha entre a habilidade e a necessidade de criar um piso firme para as canções, o baterista Alex Van Halen e o já mencionado baixista Michael Anthony, responsável também pelos backings característicos, que fizeram escola no Hard Rock americano.

O solo “Eruption” e a reconstrução da canção “You Really Got Me”, do Kinks, alternam os climas pelos quais o disco passeia e mergulha, em melodias carregadas de ganchos radiofônicos, como “Ain´t Talking ´Bout Love” e “Feel Your Love Tonight”, ou de peso mais impactante, como “Atomic Punk” e “On Fire”. O Van Halen, embora flertasse permanente com ritmos Boogie, tais quais usados em “Ice Cream Man”, afastou-se de lisergias stoneanas, preparando o terreno para a nova geração do Rock americano.

Um clássico que encabeçou a trilha para os outros cinco que lhe seguiriam. Este disco mantém um frescor que a maioria de seus contemporâneos não preserva. “Van Halen” não está restrito ao passado frio que informa a sua data de lançamento, mas também não se prende mais ao futuro, apesar de que seus frutos permanecem sendo gerados. “Van Halen” é atual; ele pertence ao agora, ao presente.

Formação

David Lee Roth – vocal

Eddie Van Halen – guitarra

Alex Van Halen – bateria

Michael Anthony – baixo

Músicas

01.Runnin’ with the Devil

02.Eruption

03.You Really Got Me

04.Ain’t Talkin’ ’bout Love

05.I’m the One

06.Jamie’s Cryin’

07.Atomic Punk

08.Feel Your Love Tonight

09.Little Dreamer

10.Ice Cream Man

11.On Fire

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Sobre: Anderson Frota

Anderson Frota

"Anderson Frota é baixista da banda Asmodeus, de Fortaleza, e escuta rock e metal desde os 14 anos, indo desde os Beatles até o Napalm Death, desde o Yes até o Cannibal Corpse"

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