TOP 5: os álbuns que marcaram 1991

by Alessandro Iglesias

O ano de 1991 foi um dos mais PROLÍFEROS na história da música, efervescência ímpar no panorama mundial! Contribuiu bastante para esse fenômeno, a ascensão abrupta da MTV pelo planeta (no Brasil foi uma “febre”), que gerou uma visibilidade sem precedentes para o cenário vigente. Mas também os arroubos criativos chegaram a níveis de genialidade impressionantes. Por isso meus queridos leitores, precisei literalmente “jogar sujo” para fazer a minha lista dos 5 escolhidos desse ano. A saída foi abolir os GRANDES álbuns do movimento grunge. Pela lógica, importância e qualidade, “Nevermind” (Nirvana), “Ten” (Pearl Jam) e “Badmotorfinger” (Soundgarden), teriam que estar nessa lista. Como o ano foi tão RICO e temos ainda mais registros brilhantes para contar, preferi o caminho da diversificação. E deixando claro para vocês que foi por caráter meramente estratégico, tá bom? 


“Achtung Baby” do U2, também foi outro disco bastante dolorido em deixar de fora. Quanto ao arrasa-quarteirão de vendagens “Use your Illusion”, do Guns’n’Roses, esse eu não acho merecedor de estar aqui. Possui BELÍSSIMOS momentos, mas o pretensiosismo de ser um álbum quádruplo, o tornou irregular em seu repertório.  Uma característica marcante nessa minha escolha é a ATEMPORALIDADE. Qualquer um dos 5 escolhidos abaixo, não soam nada datados e podem provocar impacto em qualquer um que que incorra a sua audição “de primeira” atualmente. Bem, vamos a eles, né?

SEPULTURA – Arise

 O Sepultura com “Beneath the Remains” já havia mostrado ao MUNDO do que era capaz! Lançado em 20 de Março, aproveitando o “boom” da apresentação no Rock in Rio 2, “Arise” conseguiu trazer “sangue novo” ao mais do que explorado gênero Thrash-Metal. Podemos creditar o sucesso a produção de Scott Burns (o mesmo de “Beneath”), que dessa vez teve acesso a um investimento maior para o esmero no trabalho (o prazo não apertado também contribuiu bastante!). Mas na verdade, independente desse fator, a química poderosa entre os integrantes e a riqueza do repertório são os grandes diferenciais de “Arise”. Apesar da fúria na execução, além das influências death de outrora, passagens mais cadenciadas, toques de samples advindos do industrial, e principalmente as possibilidades que a bateria de Iggor (sua performance é ASSOMBROSA!) havia trazido (groove, levadas latinas e tribais), fazem deste álbum um registro PERSONALÍSSIMO dentro do gênero, verdadeiro “divisor de águas”. E daqui em diante, o Sepultura começava a mostrar ao planeta, que o Brasil iria fazer história dentro de sonoridades mais pesadas!

VAN HALEN – For Unlawful Carnal Knowledge (F.U.C.K)

 O nono álbum de estúdio do Van Halen, é na minha modesta opinião O MELHOR da fase Sammy Hagar (os anteriores foram “5150” e “OU812”), e isso definitivamente NÃO É POUCA COISA! Nesse registro lançado no dia 18 de Junho, a lendária banda nunca esteve tão entrosada e com a sonoridade tão “virulenta”. As raízes que consagraram o Hard Rock (de arroubos Heavy) com técnica apuradíssima e punch nas alturas, estão todas lá, mas com um grande diferencial: a produção! O grupo juntamente a Andy Johns e Ted Templeman, trouxe um recurso de crueza e peso maiores (abandonando os ares de arena), sem os arranjos pasteurizados e o uso incessante de sintetizadores dos trabalhos anteriores (além das letras com temática de maior profundidade). O que temos de mais próximo no disco de uma balada (e passa bemmmm distante disso), é a épica “Right Now”. Mas aí vocês me perguntam: os maiores HITS não são dos álbuns anteriores? A linearidade e o equilíbrio são os grandes diferenciais de “F.U.C.K.”. Descartando a experimental “Pleasure Dome”, qualquer outra canção do repertório poderia ter sido single COM SUCESSO. Eddie Van Halen também surpreendeu com sua recém projetada guitarra Wolfgang, partindo para um contexto mais harmônico e não tão “tresloucado” virtuosamente de outrora. “Poundcake” (com introdução incrível no uso de uma FURADEIRA nas cordas) foi o abre-alas da consagração (TOP 1 em vários países), vencendo o Grammy na categoria de MELHOR PERFORMANCE HARD ROCK!

METALLICA – Black Album

Não satisfeitos pelo feito em colocar um álbum de Thrash-Metal (“And Justice For All”, o quarto da carreira) nos “10 mais da Bilboard”, o Metallica queria MUITO MAIS! Para isso capitaneou o produtor Bob Rock (Lars se impressionou com o som de “Dr Feeldgood”, do Motley Crue) e resolveram incorrer em outro direcionamento. Evolução para uns, traição para outros, na verdade “Black Album” (como ficou conhecido) é um sucesso RETUMBANTE, e colocou a banda no rock mainstream do cenário mundial. E desde então, é um dos mais vendidos registros da indústria fonográfica, mesmo sendo BEM pesado, soturno, de letras pessimistas e introspectivas. Havia uma dificuldade de análise referente a nova sonoridade do Metallica, mas uma coisa é certa: não estava tão distante do que entendemos como Metal (não importa de que natureza for), certo? Lançado em 12 de agosto, um dos grandes méritos foi a da “PREMONIÇÃO”: em optar por um formato mais simples em termos de melodia e harmonia, a “Revolução Grunge” que viria no mês seguinte “atropelando” quem vinha pela frente, não afetou em nada a carreira do álbum, muito pelo contrário. É um disco maravilhoso do começo ao fim (8 meses de produção!), com James e Kirk se reinventando nos vocais e guitarras respectivamente, duas baladas SOBERBAS, “The Unforgiven” e “Nothing Else Matters” (nada melosas ou acessíveis, teriam tido êxito em qualquer outra década) , e “petardos” alucinantes como “Enter Sandman”, “Sad Bad True”, “Holier Than Thou”, “Wherever I May Roam”Ufaaaaa!!! Realmente é para deixar sem fôlego. Vencedor do Grammy de MELHOR PERFORMANCE HEAVY-METAL. Indispensável em qualquer discografia!

OZZY OSBOURNE – No More Tears

Os problemas de dependência química do “príncipe das trevas” entraram em um nível tão extremo, que ao final dos anos 80 chegou a anunciar que estaria se aposentando do show buzines. Felizmente o tratamento de desintoxicação foi bastante eficiente e ao estar completamente limpo (um MILAGRE!), era o momento de “exorcizar seus demônios” e somado a abstinência que lhe assolava, resolveu musicar todo esse processo. Bingo! “No More Tears”, lançado em 17 de Setembro,  é um dos principais registros (o sexto, e para muitos o melhor) de Ozzy Osbourne e foi um sucesso avassalador! O “Madman” vinha de 2 álbuns de forte acento comercial (“The Ultimate Sin” e “No Rest for the Wicked”), e a avaliação foi de retomar ao peso e a imponência dos velhos tempos, independente das agruras do mercado. A tradição de revelar grandes guitarristas não passou em branco, e Zack Wilde nesse disco só faltou “fazer chover”. Aliás, além da magistral banda (o saudoso Randy Castilho na bateria, Bob Daysley no baixo e John Sinclair nos teclados), outra lenda, Lemmy Kimilster (RIP), do Motorhead, contribui na parceria de 4 canções, com 3 sendo singles de sucesso: a pauleira “I Don’t Wanna to Change the World” (Grammy de MELHOR CANÇÃO DE METAL), a espetacular e comovente balada “Mama I’m Coming Home”, e o tema do filme “Hellraizer”. Mas a recepção arrebatadora que o vídeo da faixa-título (já nasceu clássica!) provocou na MTV, fatalmente contribuiu para alavancar o disco como um todo… Seria muita injustiça uma obra como essas não ter o seu devido valor reconhecido!

RED HOT CHILI PEPPERS – Bloody Sugar Sex Magic

Os californianos do Red Hot Chili Peppers invadiram os anos 90 com tudo em cima! Juntamente aos rappers do Public Enemy, eram a banda “diferentex” que todas os gêneros do Metal citavam como audição “fora da casinha” naqueles tempos. Quase todo show tinha algum integrante usando camisa de ambos. No caso deles, muito graças ao álbum “Mother’s Milk” (1989), que ao “embolar” riffs pesados com funk e psicodelia, colocou a banda nos holofotes juntamente ao rótulo Funk’o’Metal. Mas o sucesso era muitooooo mais de crítica. “Impensável o som alucinado dos RHCP alcançar o grande público”, todos devem ter pensado… Ledo engano! “Bloody Sugar Sex Magic” lançado no dia 24 de setembro (juntamente com “Nevermind” do Nirvana), o álbum duplo (quinto da discografia) produzido por Rick Rubin, foi a consagração definitiva do grupo. Ok, talvez as referências maiores de rock alternativo (em prol da pegada mais Metal) naquele momento histórico tenham contribuído, mas a verdade é que o álbum é espetacular em qualquer circunstância de análise! O “funk-rock-lisérgico” de “Give it Away” foi o grande carro-chefe, mas as pauleiras “Suck my Kiss”, “Power of Equality”, “Naked in the Rain”, a belíssima com ares épicos “Breacking the Girl” e principalmente a sensível balada de vibe deprê (sobre vício, destoava do tom festivo) “Under the Bridge”, colocaram o Red Hot Chili Peppers no lugar onde mereciam. Alias, praticamente IMPOSSÍVEL destacar canções nesse disco, todo o material é surpreendente! Para quem ironizou o retorno de Jonh Frusciante ao grupo, ouça nesse trabalho porque ele foi tão reverberado… Sua criatividade é deveras impressionante, as guitarras são coisa de outro mundo! Aliada a “cozinha matadora” (uma das maiores do rock) de Flea (baixo) e Chad Smith (bateria), somados a Anthony Kiedis, que compensava a falta de maiores recursos com explosões vocais acrescidas de muito rap,construíram esse resultado primoroso! A obra-prima dos caras COM ABSOLUTA CERTEZA

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