Slayer: Show no Mercy completa 36 anos

by Flávio Farias

Em 03 de dezembro de 1983, o SLAYER lançava o seu debut. E a Bay Area mostrava que tinha uma cena bastante promissora, com bandas emergindo para o mundo. Tínhamos um quarteto que despontava de forma impactante e que se manteve fiel (ou quase sempre) por toda a sua história. E que este redator que vos escreve teve a honra de acompanhar o último capítulo desta bela trajetória da banda, quando recentemente se apresentou na edição deste ano do Rock in Rio e a resenha com as minhas percepções, você pode ler AQUI.

A banda, que anos depois faria parte do tão amado The Big Four, ao lado de METALLICA, MEGADETH e ANTHRAX estreava muito bem, com um disco curto e direto, como seria uma tônica da banda nos anos 1980.

Neste lançamento,  a banda ainda não tocava à velocidade da luz, como nos álbuns seguintes, principalmente no mais supremo de seus álbuns, o aclamado “Reign in Blood“. Aqui a banda bebe e muito na fonte do VENOM, afinal, boas influências nunca são demais.

Gravado e mixado em impressionantes 8 horas. no estúdio “Track Record“, em Los Angeles, em novembro de 1983, com produção de Brian Slagel, da Metal Blade, que contratou a banda após vê-los tocando a música “Phantom of the Opera“, do IRON MAIDEN.

O álbum abre com a poderosa “Evil Has no Boundaries”, uma canção típica oitentista, não chega a ser Thrash Metal, mas tem uma energia incomum. Os brasileiros dos KORZUS tocam esta música ao vivo em algumas oportunidades e ela fora lançado no álbum “Korzus – Ao Vivo“, de 1985.

Em seguida temos “The Antichrist“, uma música simplesmente magnífica, épica, pomposa, com um solo bem interessante. Há os que digam que os solos do SLAYER não são, digamos, virtuosos. E nem precisam ser. Porém, este solo aqui é bem trabalhado, interessante. E os agudos de Tom Araya são os grandes destaques. Uma música curta, porém, reta. Esta faixa eu conheci quando escutei o duplo ao vivo “Decade of Aggression” e ela me chamou atenção logo de cara.

Die By The Sword” é outra que nasceu clássica. E tão clássica que vira e mexe ainda entra no setlist da banda até os dias atuais. Lógico que aqui ela soa ainda bem crua, e para aqueles que como eu a conheceram executada ao vivo, percebe-se com a experiência adquirida pela banda na estrada, que a música ganhou uma roupagem bem mais robusta, mas a essência dela está aqui, bem densa.

Fight Till Death” é uma boa música para se entrar numa roda de mosh sem pensar no amanhã. Uma música bem Thrash Metal oitentista onde as palhetadas de guitarra duelam com a bateria quase que hardcore. Não dá para ficar parado quando o player anuncia esta música.

Metal Storm/Face the Slayer” tem uma intro bem longa e muito interessante. Uma canção que se destaca pela suas mudanças interessantes de andamento.

Black Magic” é rápida, ríspida, como uma verdadeira música de Thrash Metal deve ser. E outra que volta e meia reaparece nos shows da banda.

Em seguida, temos três faixas em que a banda explicitamente explorou a musicalidade da NWOBHM: “Tormentor” poderia fazer os caras serem confundidos com uma banda britânica se eles tivessem formado a banda na terra da Rainha Elizabeth. Uma música excelente e com um riff muito legal; “The Final Command” traz mais influências do Metal britânico numa música bem curta e direta. “Cronics” mantém a pegada das bandas do estilo, bem trabalhada. Aqui, os duetos de guitarra lembram e muito o IRON MAIDEN.

Os bumbos duplos de Dave Lombardo anunciam a faixa título e o final do álbum, numa pegada bem rápida e direta, fechando a bolacha com chave de ouro. Em pouco mais de 34 minutos, um disco irrepreensível, uma estreia que não poderia ter sido melhor, dentro de todo o contexto.

Apesar da qualidade não muito boa da gravação, as músicas tinham muita força e por isso o disco, que embora tenha dividido opiniões na época, é um disco que envelhece bem e hoje é reconhecido como um clássico. Claro que a banda se superaria em lançamentos como “Reign in Blood“, “South of Heaven” e “Seasons in the Abyss“, a trinca de ouro dos caras.  E não podemos deixar de citar as letras, todas com cunho satanista, o que veio a influenciar dezenas de bandas que vieram depois.

Show no Mercy” tornou-se o disco mais bem vendido pela Metal Blade à época e o disco tem honrosas menções, como por exemplo da revista “Guitar World“, que o colocou entre os 40 álbuns que definiram o ano de 1983; A “Kerrang!”o elegeu como um dos dez maiores discos satânicos de sempre e o site “metal-rules.com” coloca o disco como um dos top 50 entre os álbuns mais extremos.

Pessoalmente, eu tenho uma enorme estima por este disco, pois foi o terceiro da banda que eu adquiri (os dois primeiros foram o “Decade of Aggression” e o “Undisputed Attitude“). Havia algum tempo que eu não escutava esta obra e eu andei fazendo-o nos últimos dias para que eu pudesse escrever com o conhecimento de causa e também, para desejar longa vida a este disco. Era só o começo, o resto, é história.

Lineup:
Tom Araya – Baixo/Vocal
Kerry King – Guitarra
Jeff Hanneman – Guitarra
Dave Lombardo – Bateria

Tracklisting:
01 – Evil Has no Boundaries
02 – The Antichrist
03 – Die by the Sword
04 – Fight till Death
05 – Metal Storm/Face the Slayer
06 – Black Magic
07 – Tormentor
08 – The Final Command
09 – Cronics
10 – Show no Mercy

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