Slayer: 29 anos de “Seasons in the Abyss”

by Flávio Farias

Esses últimos dias tem sido bastante especiais para o SLAYER e seus fãs brasileiros. A começar pelas apresentações mortais que a banda fez em São Paulo, no dia 2 e no Rock in Rio no dia 4; no dia 7 o álbum “Reign in Blood” completou 33 anos de lançamento e na presente data é a vez de homenagear o quinto full-lenght da banda, “Seasons in the Abyss“.

Vamos voltar no tempo… “Seasons in The Abyss” encerra com chave de ouro a tríade de maior sucesso entre os fãs da banda: “Reign in Blood“, lançado em 1986 é até hoje considerado juntamente com “Master of Puppets“, do METALLICA, como as duas maiores obras-primas do Thrash Metal. E entre os dois, o excelente e nem tão rápido “South of Heaven”. Mas aqui o SLAYER volta a colocar a velocidade em primeiro lugar.

Em 1988, o SLAYER tirou e muito o pé do acelerador, fazendo um álbum mais calcado nos riffs do que propriamente veloz como seu antecessor, e “South Of Heaven” é um belíssimo disco (em minha opinião, o melhor da banda – claro, vencendo no photochart, pois é muito difícil escolher o melhor dentre os três, reconheço).

Mas em 1990, a banda voltou com tudo e trouxe em “Seasons in The Abyss” um pouco dos dois álbuns anteriores: a velocidade de “Reign in Blood” em metade das músicas e na outra metade, a parte mais arrastada de “South of Heaven“. Com uma produção que pela primeira vez era do tamanho do capricho que a banda merece, o resultado não poderia ser diferente: um álbum maravilhoso.

Gravado entre março e junho de 1990 em dois estúdios: “Hit City West” e no “Record Plant“, ambos na cidade de Los Angeles e produzido por Rick Rubin e Andy Wallace (um dos melhores produtores de discos de Thrash Metal), a obra que em 42 minutos é capaz de abalar qualquer estrutura e consolidava de vez o SLAYER como um dos grandes da cena.

O disco abre mortal com a veloz “War Ensemble“. Tocada até os dias atuais pela banda ao vivo, esta música poderia facilmente estar em Reign in Blood. Aqui temos rapidez com breve mudança de andamento no meio da música. Excelente, nasceu clássica.

Blood Red” é uma das melhores músicas de toda a carreira do SLAYER em minha opinião. Aqui temos uma levada mais cadenciada em comparação à faixa de abertura. Os solos muito bem trabalhados. Outra clássica.

Spirit in Black” é um meio termo entre as duas faixas anteriores: tem a sua parte rápida e a parte mais cadenciada, excelente canção também.

Ai temos duas faixas mais cadenciadas e nem por isso deixam de serem boas: “Expendable Youth” tem o seu brilho e aqui quem o faz é Dave Lombardo, com sua excelente performance. E “Dead Skin Mask” com seu clima sombrio, outra música em que figura certamente no meu Top 3 da banda. Lombardo aqui repete a dose da faixa anterior, desta vez acompanhado de Hanneman e King que estavam inspiradíssimos quando da composição desta música. Esta música, inclusive, foi um dos pontos altos da apresentação da banda no Rock in Rio, sendo um dos raros momentos em que eu e atrevi a tirar meu telefone do bolso, para registrar a cena épica.

Hallowed Point” traz as coisas de volta ao caminho da velocidade. A música é pancadaria do início ao fim. Excelente canção.

Skeletons of Society” traz um riff cavernoso no início e umas partes com um pouco mais de groove. Peraí, SLAYER fazendo groove? Sim, isso mesmo! E não ficou ruim! A música, assim como as demais, mantém o disco no topo.

Temptation” preza por partes mais cadenciada, ganhando um pouco mais de velocidade no meio, mas aqui quem dão as cartas são as duas guitarras com riffs excelentes.

Born Of The Fire” é outra que poderia perfeitamente  fazer parte de “Reign in Blood“, dada a sua velocidade, rispidez e crueza. Excelente som.

E fechando temos a faixa título, com sua abertura épica, mostrando mais uma vez Dave Lombardo inspiradíssimo com excelentes viradas em seu kit de bateria. a música não é rápida, mas é certeira, outro clássico da banda. A curiosidade fica pelo fato de a banda ter gravado um videoclipe para esta música e as filmagens ocorreram em frente às Pirâmides de Gizé, no Egito, pouco antes da Guerra do Golfo.

Este álbum rendeu turnês como a “Clash of The Titans“, em que a banda tocou pela Europa com MEGADETH, SUICIDAL TENDENCIES e TESTAMENT. Esta turnê acabou sendo levada aos Estados Unidos, novamente tendo a banda de Dave Mustaine sendo co-headliner e tendo ANTHRAX e ALICE IN CHAINS como bandas de abertura.

Em 1991, a banda lançou o duplo ao vivo “Decade of Aggression“, para comemorar seus dez anos de existência e grande parte das músicas deste lançamento eram de “Seasons in The Abyss”, o que era perfeitamente natural, pois tratava-se da turnê de divulgação deste álbum.

Enfim, um excelente álbum, que mesmo com seus 29 anos ainda soa muito atual. Me arrisco a dizer que o SLAYER, embora tenha lançado outros bons álbuns de lá pra cá, jamais lançou um petardo como este aqui. Tanto isso é verdade, que a própria banda reconhece a importância de “Seasons in the Abyss” que na turnê de despedida, a “Final World Tour“, o setlist é contemplado com 5 músicas deste play, sendo um total de 20 que são tocadas todas as noites (N. do R: à exceção do show no Rock in Rio, a banda teve de limar 7 músicas do set, por questões óbvias). E a homenagem da ROADIE METAL para este disco é mais que justa!

Lineup:
Tom Araya – Vocal/Baixo
Kerry King – Guitarra
Jeff Hanneman – Guitarra
Dave Lombardo – Bateria

Tracklisting:
01 – War Ensemble
02 – Blood Red
03 – Spirit in Black
04 – Expendable Youth
05 – Dead Skin Mask
06 –  Hallowed Pont
07 – Skeletons of Society
08 – Temptation
09 – Born of The Fire
10 – Seasons in The Abyss

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