Rock N’ Movie #6: Quanto Mais Idiota Melhor (1992)

by Jéssica Alves

Muito além da música, o rock já foi tema por diversas vezes nos cinemas em cinebiografias, comédias, documentários ou ficções. E o quadro Rock N’ Movie aborda sobre produções que celebram o estilo, seja pela paixão dos fãs da música ou sobre vida de grandes astros.

A comédia é um gênero que anda lado a lado com o rock and roll. Grandes nomes como Jim Carrey e Adam Sandler são fãs declarados do estilo e já fizeram homenagens nas obras. Não é diferente com Mike Myers e sua obra Quanto Mais Idiota Melhor (1992).

Não por coincidência, escolhi este longa logo após ter abordado na semana passada sobre o filme Bohemian Rhapsody (2018). Se você não leu, veja aqui. Pois a relação de Mike Myers com o Queen é forte e a canção marca um dos melhores momentos do filme, logo no início, quando a dupla de amigos roqueiros Wayne Campbell e Garth Algar (vividos por Myers e Dana Carvey) e alguns amigos estão no carro e batem cabeça ao som de “Bohemian Rhapsody”.

A cena fez tanto sucesso que no início dos anos 90, o Queen, que estava meio em baixa nos Estados Unidos alcançou o segundo lugar das paradas com a canção. Em 2014, Mike revelou, durante uma entrevista, que por pouco não a cena aconteceu. Ele queria que fosse usada a canção do Queen, mas os produtores insistiam em uma música do Guns N’ Roses. Mike tanto brigou que conseguiu e a cena se tornou um clássico do cinema.

E mais uma coincidência é que em 2018, Mike Myers fez o papel de Ray Foster em Bohemian Rhapsody. Um executivo da gravadora EMI que rejeita lançar faixa do Queen por considerar que ela não tinha apelo popular e ser longa demais. Grave erro!

Mas além da fantástica relação de Myers com o Queen, Quanto Mais Idiota Melhor nos mostra porque é um grande exemplar de comédia dos anos 90. O título original é “Wayne’s World”, nome do programa de TV apresentado por Wayne e Dana, diretamente do porão da casa do primeiro, na cidade de Aurora. O longa é recorrente de um quadro do programa humorístico norte-americano, Saturday Night Live.

No filme, o programa da dupla chama a atenção de um grande e ambicioso executivo de TV. Como são “famosos” na cena rock local do município, surge a oportunidade e então, eles vendem os direitos autorais do programa e vão curtir com o dinheiro. Mas o show é transformado em um programa de entrevistas de patrocinadores.

Assim, os amigos decidem reaver o show e tentar conseguir um contrato de gravação para a namorada de Wayne, Cassandra Wong (Tia Carrere), que lidera a banda Crucial Taunt. E para isso, eles roubam o sinal de um satélite e transmitem uma performance da banda, na TV da na limusine do executivo.

E no desenrolar da trama, muitas piadas bem sacadas e ótimas referências ao universo do rock. Outra cena muito lembrada é quando Wayne entra em uma loja de instrumentos musicais e pede para testar uma guitarra Fender Stratocaster. Ao começar a a introdução de “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin, logo é interrompido pelo vendedor, que lhe mostra uma placa com os dizeres: “proibido tocar “Stairway to Heaven”.

O filme também mostra que há espaço para um lado sombrio da indústria musical, que inclui ambição, falsidade e relacionamentos superficiais. Outra sacada é a trama ainda incluir autocrítica no universo do cinema.

A trilha sonora dispensa comentários: Queen, Alice Cooper (que faz uma participação no filme como ele mesmo), Black Sabbath, Cinderella, dentre outros gigantes do Rock n’ Roll.

O sucesso foi grande e em 1993 a seqüência do filme foi lançada, que trouxe a participação do Aerosmith. Na história, Wayne sonha com Jim Morrison (representado por um índio nu), em que revela que seu destino é organizar um show de Rock n’ Roll.

Para tornar o festival “Waynestock” num sucesso, Wayne e Garth, junto com seus amigos, enfrentarão muitos obstáculos, especialmente por não conseguirem confirmar nenhuma banda para o show.

Quanto Mais Idiota Melhor é um filme de comédia que cumpre muito bem sua proposta, com sacadas atemporais, grandes participações e o espírito rock and roll do início ao fim. Ele é “excellent”, como diz a dupla.

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