Roadrunner Records: a história de uma das maiores gravadoras dos anos 1990

by Flávio Farias

Recentemente, a ROADIE METAL, A VOZ DO ROCK publicou uma série de matérias, as quais chamamos de “Big 4 das gravadoras” e que exploramos as 4 gravadoras mais importantes na atualidade. Se você ainda não leu, basta clicar em cima do nome de cada uma delas: “Metal Blade”, “Relapse”, “Century Media” e “Nuclear Blast”. Mas não nos esquecemos de outras gravadoras que outrora estiveram na crista da onda. E hoje trazemos um pouco da história da “Roadrunner Records”.

A “Roadrunner” foi fundada no ano de 1980 por Cess Wessels, na Holanda. A intenção inicial era de levar à Europa os lançamentos oriundos dos Estados Unidos. Nos primórdios se chamava “Roadracer” e ela se especializou em lançar diversos gêneros, indo do Hard Rock ao Death Metal, passando pelo Industrial, Thrash Metal, entre outras vertentes.

Cess Wessels, o idealizador da Roadrunner e que permaneceu ainda durante algum tempo no comando da empresa, mesmo após o seu rapasse para a Warner. Foto: divulgação

Após a bem sucedida empreitada no ramo do entretenimento musical, em 1986 a gravadora foi abrindo escritórios pelo mundo: Nova Iroque, Reino Unido, Alemanha, França, Japão, Austrália, Dinamarca, Rússia, Canadá e Brasil, inclusive.

As primeiras bandas do selo a obter sucesso foram King Diamond e ANNIHILATOR. A banda do mestre KING foi a primeira a figurar na lista da “Billboard”, com o clássico “Abigail”. Em setembro de 1987, o álbum alcançou a posição de número 123 no chart, ficando por 13 semanas seguidas nesta lista.

A década de 1990 foi certamente o ápice da gravadora: nomes como LIFE OF AGONY, SEPULTURA (do qual falaremos um pouco mais abaixo), MACHINE HEAD, SUFFOCATION, TYPE O’ NEGATIVE. Aliás, a banda de Peter Steele foi a primeira a receber uma certificação da RIAA, com o álbum “Bloody Kisses”. Este é um lançamento de 1993 e a certificação aconteceu em 1995. O TYPE também foi a primeira banda da “Roadrunner” a tocar em rádios.

Entre nós brasileiros, ela ficou conhecida por ter sido a gravadora que abriu as portas para o SEPULTURA, fazendo assim com que a banda se tornasse relecante no cenário Metal mundial, ainda mais depois do álbum “Chaos A.D.”, em que o quarteto incluiu elementos da música indígena brasileira, que ficou mais explícito em “Roots”. O disco de estreia dos brasileiros pela nossa homenageada foi “Beneath the Remains” (1989), gravado no Rio de Janeiro.

Mas o SEPULTURA não foi a única banda nacional a fazer parte do cast da Roadrunner: VIPER, ZERO VISION, RATOS DE PORÃO, WIZARDS, KRISIUN, THE CELLTS e LETHAL CHARGE, por exemplo. E Max Cavalera tinha um certo prestígio por lá, pois a gravadora lançou o primeiro álbum do SOULFLY e também lançou o NAILBOMB, projeto paralelo em que Max fez uma parceria com Alex Newport, do FUDGE TUNNEL.

No ano 2000, o SLIPKNOT, com seu intitulado álbum de estreia, foi certificado com disco de Platina; em 2005, repetiria a dose. Outra banda que foi certificada, desta vez com três discos de platina, foi o NICKELBACK, com o álbum “The Long Road”. O quarto da carrei dos canadenses.

Mas os anos 2000 foram de profundas mudanças para a gravadora. Apesar de ter recebido o prêmio de “Melhor Gravadora de Metal,”, no ano de 2008, pela revista “Metal Hammer”, a Roadrunner caminhava para se tornar um dos braços da major Warner Music Group: em 2006, foi assinado um contrato de compra de 73,5% das ações. Em 2010, os outros 26,5% foram adquiridos, tornando-se assim, uma empresa 100% pertencente à Warner. O fundador, Cess Wessels, continuaria CEO.

Em abril de 2012 foi anunciado que cortes substanciais em todas as operações mundiais da gravadora: escritórios do Reino Unido, Canadá e da Holanda seriam fechados, e que Cess Wessels estava deixando seu cargo, Assim, começou uma debandada dos artistas, que um a um, foram deixando a gravadora: DEVILDRIVER, ALTER BRIDGE, OPETH, MACHINE HEAD, SOULFLY, DREAM THEATER, entre outras, foram buscar outros selos.

Infelizmente nem tudo são flores na história da “Roadrunner“. Diferentemente das quatro gravadoras que citamos na série do “Big 4 “, em que elas tratam sim, como um negócio, afinal, vivemos em um mundo capitalista, porém, as que sobrevivem forte hoje, além de encarar como negócio, têm amor pela música pesada, isso que as movem. A Roadrunner com o tempo parece ter se preocupado apenas com as cifras e isso gerou muita insatisfação de vários de seus contratados, sobretudo das bandas de Death Metal, que abandonariam o selo após serem ignorados, mesmo estando sob contrato. São os casos de OBITUARY, PESTILENCE, DEATH, e de outras vertentes como o FEAR FACTORY, por exemplo. King Diamond sairia do selo alegando falta de apoio ao seu então recente álbum, “The Eye” (1990) e que forçaria a banda a ter que esperar cinco anos para lançar o sucessor, além do caso do TYPE O’NEGATIVE, que ficou contrariado após o lançamento de uma coletânea com os “hits” da banda, sem seu prévio conhecimento. O MEGADETH também se queixou e foi buscar novos ares.

A situação ficou tão tensa que os membros do GLASSJAW, uma banda de Post-Hardcore de Nova Iorque, chegou a pedir aos fãs em apresentações ao vivo que estes baixassem os discos ilegalmente pela internet ao invés de comprá-los, uma vez que estavam em litígio com o selo.

Hoje em dia, poucas são as bandas que ainda permanecem em contrato com a gravadora, sendo o GOJIRA e o TRIVIUM os nomes mais relevantes. Mas no passado, bandas como ANTHRAX, ANVIl, ARMORED SAINT, ARTILLERY, BLACK LABEL SOCIETY, CAVALERA’S CONSPIRACY, CORROSION OF CONFORMITY, CRADLE OF FILTH, D.R.I., DE LA TIERRA, DEEP PURPLE, DEICIDE, DISCHARGE, DOWN, DR. KNOW, DRAGON FORCE, EXCITER, EXODUS, FAITH NO MORE, FATES WARNING, GIRLSCHOOL, HEATEN, HEAVEN AND HELL, IMMOLATION, LAMB OF GOD, , MOTÖRHEAD, NIGHTWISH, OBITUARY, PARADISE LOST, POSSESSED, S.O.D, SACRED REICH, SATYRICON, SAVATAGE, SAXON, THE EXPLOITED, VENOM, além de inúmeras outras, em um total de mais de 320 bandas que lá passaram, deixando um ótimo legado, ainda que, em algum momento não tenha sido muito bom para as bandas, mas para nós fãs foi ótimo, pudemos ter no passado acesso mais fácil ao material delas.

Enfim, embora controversa, a “Roadrunner” não pode deixar de ser citada como uma das grandes gravadoras que fizeram história e que infelizmente, com todas estas mudanças na indústria fonográfica, e talvez por um pouco de ganância de quem estava no poder, acabou fazendo com a peteca caísse. Para os saudosistas como este redator que vos escreve, este selo é de extrema importância.

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