Roadie Metal Entrevista: MaTrACa – Um som irreverente com muito senso de humor ácido

by Renan Soares

Em meados de 2015, um ser misterioso apareceu de repente pelas redes sociais na cena do Rock de Recife, ser esse que aparecia na foto de seu perfil vestindo um sobretudo (ou terno e gravata), óculos de mergulhador e uma máscara de caveira, e divulgava seu primeiro clipe chamado “Terra dos Condenados”, onde nele era apresentando uma música com um tom completamente irreverente, e uma letra um tanto que pessimista.

Assim surgiu a banda MaTrACa, liderada pelo frontman André Matraca, que desde então virou um personagem frequente na cena recifense, tanto pela sua excentricidade dentro e fora dos palcos, e também pela sua presença constante nas redes socais, sempre publicando diariamente mensagens completamente pessimistas em relação ao mundo e a vida, mas de uma forma bem humorada.

Segundo diz o próprio André Matraca em sua descrição, aquele que nasceu burro, não aprender nada, esqueceu metade e que vive comprometendo o sossego e a ordem com a sua música de péssima qualidade, deu uma entrevista bem humorada para a Roadie Metal contando um pouco a sua história.

Roadie Metal: Como surgiu a ideia do projeto “MaTrACa”?

Matraca: Dei um tempo da vida pra escrever uma canção no começo de 2015. Nem sabia se voltaria a trabalhar com música autoral, só queria registrar naquele momento as minhas percepções sobre tudo no mundo. Foi daí que surgiu “Terra dos Condenados” – e não demorou muito pra coisa toda ficar fora de controle; Encontrei o codinome, preparei os arranjos pras músicas e comecei a editar as faixas no meu barraco mesmo… A ideia era produzir conteúdo para internet, e me atualizar com o que estava rolando no cenário autoral; Trabalhei por aproximadamente dois anos em modo furtivo, até que no começo de 2017 recebi um convite pra participar de um concurso de bandas. Montei o repertório, reuni os integrantes, e não parei mais desde então!

Roadie Metal: Qual o porquê da máscara?

Matraca: Há mais de uma razão na verdade, mas a principal delas é que eu não tava muito a fim de ver a minha cara na frente do meu trabalho. Vaidade é um negócio muito sutil, e eu definitivamente não queria que o projeto caísse nessa armadilha.

Roadie Metal: Quais são suas influências?

Matraca: As mazelas do mundo, basicamente; guerra, ganância, desgraça e pilantragem. Me interesso por mecânica quântica, história e geopolítica – embora não me aprofunde nesses campos do conhecimento tanto quanto gostaria.

Roadie Metal: Em breve, você pretende lançar um EP, álbum, ou qualquer coisa do tipo?

Matraca: Não no formato físico, certamente!

Roadie Metal: Há algum material novo sendo preparado?

Matraca: Tenho trabalhado em algumas canções, mas o MaTrACa ainda é uma banda muito pouco conhecida na minha cidade; Prefiro concentrar os meus esforços na formação de público e divulgação do repertório atual!

Roadie Metal: O que você tem feito durante a quarentena?

Matraca: O que todo mundo faz, eu acho… Jogo videogame, vejo pornografia e infernizo a vida dos meus contatos nas redes sociais; Ah, comecei a fazer umas lives pela Twitch, e tô até tirando uma grana por lá! Toda noite tem um monte de maluco lá no canal me enchendo o saco, tô curtindo a experiência!

Roadie Metal: Constantemente você é visto nas redes sociais procurando integrantes para a banda, o que você faz com os pobres coitados para está trocando sempre?

Matraca: Mato os que me desagradam, e depois enterro no quintal!

Roadie Metal: É mais fácil achar uma nota de 100 reais na rua ou um baterista para a sua banda?

Matraca: Letra d. Nenhuma das alternativas anteriores!

Roadie Metal: É verdade que você sempre anda por ai caracterizado, mesmo fora do ambiente da banda?

Matraca: Eventualmente acontece, vez por outra tô circulando por aí com o meu uniforme; Tô sempre à frente do meu tempo, já usava a máscara antes desse negócio virar modinha!

Roadie Metal: É claro que a ideia do projeto é ser irreverente, mas você também possui algumas músicas com teor mais sério, como “Aqui & Agora”. Fale-nos um pouco disso.

Matraca: Acho que uma coisa não exclui a outra, seres humanos são complexos; A gente pode ter inclusive mais de um ponto de vista sobre o mesmo assunto, e eu deixo que as minhas percepções fluam de acordo com a ideia central de cada canção!

Roadie Metal: Como o clipe “Terra dos Condenados” foi feito?

Matraca: Com dinheiro, equipamento e disposição! Fiz as contas na época e descobri que gastaria mais ou menos a mesma quantia – pra contratar uma produtora, ou fazer tudo no meu barraco. Batia perna todo santo dia pra fazer pesquisa e cotação, tudo na base da canela ou naquele velho latão lotado! Improvisei o chroma key, comprei câmera, tripé, bateria, guitarra, baixo, figurino e comecei a martelar na edição! Finalizei tudo no verão de 2015 e parti pra divulgação do trabalho nas redes sociais; Fiquei muito satisfeito com o resultado final do processo, foi definitivamente enriquecedor em aspectos diversos.

Roadie Metal: É verdade que você distribui dinheiro para os fãs nos shows?

Matraca: Afirmativo, notas de verdade, inclusive!

Roadie Metal: Você diria que o Matraca é um personagem seu, ou você que é um personagem do Matraca?

Matraca: Eu diria que somos todos personagens de nós mesmos, mas não consigo realmente fazer qualquer tipo de distinção nesse caso específico. Costumo pensar e agir da mesma forma, com ou sem a máscara!

Roadie Metal: Você diria que o ano de 2020 está tão ruim que parece que foi composto pelo Matraca?

Matraca: 2020 tá ruim?

Roadie Metal: Aqueles que quiserem ouvir o Matraca, onde podem encontrar?

Matraca: Montei uma barraca na Twitch pra conhecer gente, ouvir música e tirar uns trocado de vez em quando; Tô por lá toda noite, a partir das 21h! Pra quem quiser exclusivamente ouvir música tem o canal do MaTrACa no Youtube, vez por outra retransmito as lives por lá!

Roadie Metal: Qual a sua mensagem para os leitores da Roadie Metal?

Matraca: TODO MUNDO vai morrer, NiNGUÉM é especial e o ANGRA é uma bosta!

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