Roadie Metal Entrevista: Maestrick – A primeira parte de um trabalho conceitual

by Renan Soares

Formada em 2006, o Maestrick é uma banda de Metal Progressivo originária de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Atualmente formado por Fábio Caldeira (vocal e teclado), Renato Montanha (baixo) e Heitor Matos (bateria), o grupo tem em sua discografia os discos “Unpuzzle!” de 2011, e o “Espresso Della Vita: Solare”, de 2018.

O segundo em questão é o álbum que a banda está divulgando atualmente em turnê, sendo esse a primeira parte de um trabalho conceitual.

Um dos shows da turnê para divulgar o “Espresso Della Vita: Solare” foi realizado no último dia 12 de abril, na primeira noite do festival Abril Pro Rock, em Recife, onde o grupo dividiu o palco com bandas como Camus (PE), Malkuth (PE), Jackdevil (MA), Malefactor (BA) e Amorphis (FIN). Na ocasião, a banda convidou para a sua apresentação Talita Quintano (vocalista do Soulspell), Gustavo Carmo (guitarrista do Versover) e o grupo de maracatu Baque Mulher.

Após o fim da maratona de shows da noite, o vocalista Fábio Caldeira concedeu uma entrevista para a Roadie Metal, onde falou sobre a carreira, a experiência de tocar no Abril Pro Rock e sobre alguns planos futuros da banda.

Roadie Metal: Como foi a experiência de tocar no Abril Pro Rock?

Fábio: Cara foi um sonho realizado, desde que a gente começou a banda esse era um dos festivais em que sonhávamos participar. Então primeiramente foi um sonho realizado, simplificando.

Roadie Metal: Fale um pouco do “Espresso Della Vita: Solare”, o atual trabalho de vocês.

Fábio: O disco é a primeira parte de uma história conceitual que é uma viagem de trem de um dia, e essa viagem é dividida em duas partes, sendo a primeira o “Solare”, que são 12 músicas relativa as 12 primeiras horas do dia e a metade da vida do personagem. E depois lançaremos o “Espresso Della Vita: Lunare”, que vai ter 12 músicas representando as 12 horas da noite e o final da vida do personagem até ele descer do trem.

Roadie Metal: O “Lunare” já tem previsão de lançamento?

Fábio: A gente começa a trabalhar na pré-produção dele nessa próxima semana, e a ideia é lança-lo em 2020.

Roadie Metal: Conte um pouco sobre a história do Maestrick.

Fábio: O Maestrick começou há 13 anos, em 2006. Eu e Montanha tocamos juntos desde os 10 anos de idade, e a gente vinha de algumas bandas e ai precisamos de um baterista, até que conhecemos o Heitor, a partir do momento que ele entrou, a gente considerou que o Maestrick estava formado. Então de 2006 pra cá a gente já começou a compor as músicas do que veio a ser o “Unpuzzle!” que saiu em 2011, e aí lançamos o “Solare” agora e o “Lunare” vem com tudo.

Roadie Metal: Porque atualmente vocês não tem um guitarrista fixo?

Fábio: Bom, a gente já teve algumas experiências com guitarristas fixos, e diria que estamos mais cautelosos para efetivar alguém, primeiro porque se você coloca alguém direito, você precisa de mais tempo do que gostaria para conhecer uma pessoa nova. Então a gente agora está bem devagar, estamos tocando com várias pessoas, o Gustavo Carmo que tocou com a gente hoje é um dos melhores guitarristas do Brasil, ele veio dos Estados Unidos só pra fazer esse show com a gente, ele foi produtor do “Unpuzzle!”, e a gente é amigo de coração. A gente falou “Cara, tem que ser esse show, a gente sempre quis tocar junto”, isso foi uma oportunidade perfeita tocar com ele aqui no Abril Pro Rock. Então, diria que a gente não efetivou por conta das experiências que já tivemos de gastar tempo para divulgar a pessoa, e de repente a mesma como se mostrar de uma forma que não está batendo muito, então queremos alguém que esteja realmente alinhado, e queremos ter o máximo de certeza possível.

Roadie Metal: Mas vocês pretendem efetivar alguém mais cedo ou mais tarde?

Fábio: Se acharmos a pessoa que a gente sinta que é a certa, já estamos tocando com algumas outras pessoas em “off”, a ideia é que a gente efetive alguém na banda, e esperamos que seja o quanto antes, mas estamos com muita cautela.

Roadie Metal: Como surgiu a ideia de convidar o grupo de maracatu Baque Mulher para o show de hoje?

Fábio: A gente tem o coração e a mente aberta para qualquer coisa que seja genuína, e que esteja alinhada com a gente. Então nós temos algumas músicas que flertam com ritmos brasileiros, ritmos regionais, world music, e aí tínhamos a faixa “Penitência”, que é inspirada no maracatu, e então falamos “Pô, podíamos realmente fazer alguma coisa que reforçasse essa nossa homenagem”, e aí levamos a ideia para o nosso Manager, Eliton Tomasi, e ele é de Sorocaba, e o encontro nacional do Baque Mulher foi em Sorocaba no ano passado. Então em alguns minutos ele já falou “Tem que ser esse grupo”, e depois fui conhecer, pesquisar, e cara, a gente fez uma coisa que nunca foi feita, de trazer uma nação de maracatu só de mulheres, aproveitando o gancho que ficamos sabendo depois, foi uma linda coincidência, que esse Abril Pro Rock o foco foi o empoderamento feminino, então ficamos muito felizes de estarmos alinhados com a proposta do festival também.

Roadie Metal: Então vocês costumam pegar influências daqui do Nordeste para compor as músicas?

Fábio: Não só do Nordeste, a gente é muito curioso, gostamos muito de estudar, pesquisar ritmos diferentes, pra gente aprender e conseguir internalizar isso, para depois externar em forma de música. Então uma das coisas que fizemos foi conhecer o maracatu, pesquisar sobre as divisões, de onde veio, e então coincidiu das duas músicas que a gente tocou hoje foram de ritmos nordestinos. E realmente o Nordeste é o polo cultural mais risco do nosso país, então a gente esperar conhecer muito mais, e garimpar muito mais, para conseguirmos utilizar mais coisas.

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