Roadie Metal Cronologia: Tankard – Disco Destroyer (1998)

by João Lucas

Estamos aqui com mais um Roadie Metal Cronologia e mais uma vez me deparo com uma banda da qual eu nunca ouvi falar: Tankard.

Para os que, assim como eu, não são familiares com a banda, o Tankard é uma banda de Speed/Thrash Metal alemã formada em 1982 e que toca “músicas rápidas de metal em homenagem ao álcool” (bem interessante, não?)
Ao que parece, a banda não é tão desconhecida quanto imaginei, visto que é considerada parte do Big Teutonic Four, ou seja, é uma das 4 maiores bandas da cena thrash alemã (teutônico é um termo medieval para o povo germânico), ao lado de grandes nomes como Sodom, Kreator e Destruction.

Capa do álbum Disco Destroyer

A discografia da banda, que continua ativa, é um tanto quanto extensa e o álbum “Disco Destroyer” é o 8º da carreira do Tankard. O álbum é um marco na história da banda por ser o primeiro que não foi lançado pela gravadora Noise Records, tendo sido lançado pela Century Media.
“Disco Destroyer” é um álbum um tanto quanto mal visto, tendo recebido 3/10 estrelas no Chronicles of Chaos e sendo considerado pelo próprio vocalista Andreas ‘Gerre’ Geremia como não sendo um dos maiores destaques da discografia do Tankard, como revelou em “Life in Beermuda”, a biografia oficial da banda.

O álbum começa com a curtíssima e extremamente rápida “Serial Killer”, que em seu início tem uma palavra dita por Gerre que é incompreensível e me deixou um tanto curioso.
Em seguida vem a faixa “Planetwide Suicide”, que reduz bastante a velocidade comparada com a primeira, tendo um riff mais “groovado”.
Após ela, a música “Hard Rock Dinosaur”, que tem uma entrada de bateria um tanto interessante, mas não tem um instrumental que prende tanto o ouvido. Essa música em particular ganha um destaque pela crítica da banda aos “dinossauros do hard rock” bem direta e forte.
Aqui já tenho uma crítica ao álbum em si. A faixa seguinte, “Queen of Hearts” começa com um belo arpeggio limpo, mas quem editou o álbum fez um corte ruim (péssimo) e deixou escapar uma nota da guitarra distorcida depois do fim da música. Esta música em si é uma das mais interessantes até aqui, boa mistura de riffs para fazer um headbang de qualidade com alguns para um circle pit (incluindo o refrão). Porém eu acho que 5:12 para uma música com essa estrutura é muito.
A música “U-R-B” é mais uma música de Hardcore Punk do que de thrash, desde os riffs simples na música ao refrão totalmente clássico do estilo. É interessante ver uma banda de Thrash Metal experimentando com o Hardcore, um sinal de que a banda tentou evoluir com o tempo.
Em “Mr. Superlover”, voltamos ao Thrash padrão, apesar do refrão ter uma influência do Hardcore ainda. Não é uma música muito destacável.
“Tankard Roach Motel” é uma música surpreendentemente boa. É um crossover extremamente rápido, com vocais agudos impressionantes. É de fato um destaque do álbum.
“Another Perfect Day” segue o padrão das últimas músicas, uma mistura do Thrash padrão com o Hardcore, mas nesse caso não é um crossover, é realmente uma mistura diferente. Essa é uma música que com certeza você ouviria um grupo cantando o refrão alto no bar, pois é bem do tipo que gruda na cabeça.
Nesse momento eu quase critiquei a produção do álbum mais uma vez, com o começo de “Death By Whips”, que começa como se você estivesse ouvindo uma gravação de um som tocado na rádio. Porém logo a música começa de verdade e percebe-se que foi proposital. Que susto. Essa música volta ao Thrash padrão, porém ainda os vocais de Gerre estão melhores do que nas primeiras músicas do álbum. A música em si não se destaca tanto.
“Away”, décima faixa do álbum, é mais um som de hardcore no álbum. Quando eu já ia escrever que a música não se destaca por nada, eis que ouço um bridge em que o baixo de Frank Thortwarth se destaca muito, em um ritmo bem dançante (tal como o resto da música). Uma surpresa bem agradável.
Em seguida, “Face of the Enemy”, uma música de Thrash padrão com mais um refrão bem pegajoso. Aqui temos em meio ao bridge um pouco de showoff do baterista, Olaf Zissel, que executa viradas muito boas apesar de simples.
“Splendid Boyz”, é uma música com um nome extremamente cringe, que claramente serve para ressaltar a temática cômica da banda – além de tirar sarro das músicas pop que já existiam na época usando “boyz” (ou isso, ou a banda realmente achou que a música chamaria mais atenção assim, o que espero que não tenha passado por sua cabeça). A música não tem nada de tão destacável além do nome e da bela introdução de baixo e bateria. Além disso, a música tem um refrão bem melódico harmonizado pelos backing vocals.
A última faixa oficial do álbum, “Disco Destroyer”, começa quase que emendando com a anterior. É uma música curta, com 1:16, que tem uma influência interessante do Grindcore. Nos primeiros momentos, Gerre só repete “I’m a disco destroyer” com uma guitarra bem pausada, quase que como um cântico. Simplesmente do nada entra uma parte agressiva, rápida (mais rápida que Serial Killer e Tankard Roach Motel) e que agrada muito com sua simplicidade. Um ótimo jeito de encerrar o álbum.
Disco Destroyer ainda contém uma faixa bônus, “Fast Taker”, cover da banda Manowar. Infelizmente não posso opinar sobre a faixa, pois o álbum não está disponível no spotify como citei no começo do texto ( e descobri que já esteve disponível, mas parece que foi retirado, no spotify inclusive tinha essa faixa) e no youtube não existe a faixa isolada. Uma pena.

Compreendo plenamente porque este álbum do Tankard não foi um sucesso entre os fãs da banda. Se a banda faz parte de um Big Four, significa que é um dos expoentes do Thrash Metal, pelo menos naquela região, ou seja, os fãs esperam que a banda se mantenha em suas raízes. Nesse álbum, porém, o Tankard é muito corajoso em experimentar com coisas novas que estavam começando a se destacar e fazer sucesso naquela época, como o Hardcore Punk e o Crossover.
Eu sempre valorizo muito as bandas que tem coragem de tentar coisas novas. Por mais que uma banda dependa dos fãs para existir, acho extremamente importante que a banda não se baseie plenamente na expectativa dos fãs para suas composições, senão viverá em uma eterna zona de conforto. Se a banda tem vontade de inovar, que faça! Se não der certo, é só não repetir ( que me parece que foi o que o Tankard fez com este álbum).

Em geral, Disco Destroyer não é um álbum ruim, mas também não é um álbum que se destaca. Apesar de ter muitas inovações admiráveis e algumas músicas muito boas, a progressão do álbum fica confusa por começar no Thrash, ir do nada para o Hardcore e Crossover, e voltar para o Thrash, ainda terminando com uma música com influência de Grind. Talvez o álbum deveria ser melhor ordenado para que o ouvinte conseguisse aceitar melhor essa tentativa louvável de testar coisas novas. Além disso, o que não entra nesse quesito de inovação (uma boa parte do álbum), é mais do mesmo, é algo que já tinha sido feito nos anos 80 e 90 várias e várias vezes e não traz nada interessante para o ouvinte.
Talvez a banda devesse ter arriscado um álbum completo numa nova pegada, mas essa mistura desordenada passa para o ouvinte uma sensação de que a banda realmente está com medo dos resultados da sonoridade diferente.

Tracklist
1. “Serial Killer” 2:34
2. “Planetwide Suicide” 4:03
3. “Hard Rock Dinosaur” 4:15
4. “Queen of Hearts” 5:12
5. “U-R-B” 3:59
6. “Mr. Superlover” 3:53
7. “Tankard Roach Motel” 3:48
8. “Another Perfect Day” 3:20
9. “Death By Whips” 3:31
10. “Away!” 3:54
11. “Face of the Enemy” 3:06
12. “Splendid Boyz” 3:01
13. “Disco Destroyer” 1:16
Bonus track
14. “Fast Taker (Manowar cover) ” 3:16

Banda
Andreas “Gerre” Geremia – vocal
Frank Thorwarth – baixo
Andy Bulgaropulos – guitarra
Olaf Zissel – bateria

Tankard Roach Motel destaque do álbum Disco Destroyer
  • 6/10
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