Roadie Metal Cronologia: Stone Temple Pilots – Core (1992)

by Helton Grunge

Core é o álbum de estreia da banda de Grunge/Hard Rock/Rock Alternativo chamada Stone Temple Pilots. O trabalho foi lançado dia 29 de Setembro de 1992, pela Atlantic Records e foi produzido pelo grande produtor Brendan O’Brien.

O disco foi um enorme sucesso e é geralmente o mais reconhecido álbum da banda. Vendeu 8 milhões de cópias nos Estados Unidos e foi certificado platina por oito vezes pela RIAA dia 18 de setembro de 2001, sendo o disco mais vendido da banda. Além disto tudo, ele está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

O trabalho contém grandes hits da banda como Dead And Bloated, Sex Type Thing, Plush, Wicked Garden e Creep. Core (1992) é conhecido por fazer parte dos discos de ouro da era Grunge.

O single Plush, faixa mais conhecida da banda, ganhou um Grammy Award na categoria Best Hard Rock Performance.

Core (1992) é um álbum de estreia e tanto, o que nem todas as bandas conseguem fazer. O som já veio “maduro”, a banda não precisou passar por um processo que deixasse o som bem trabalhado, ela já veio com tudo apresentando um trabalho de primeira que, com certeza, elevou o trabalho da banda ao mais alto nível.

O álbum veio para provar que para fazer sucesso não precisa se encaixar em uma fórmula ou querer dizer só o que o público quer ouvir, basta acreditar no seu trabalho e colocar sua alma ali. Algumas bandas levam mais tempo para isso, outras já conseguem de início, mas, ao atingirem o público como o Stone Temple Pilots atingiu, o trabalho torna-se clássico e continua a ser ouvido por gerações e gerações de amantes do Rock.

O trabalho dos instrumentos no álbum é muito bom e intenso. A bateria é bem seca e direta, dando peso ao trabalho e sendo acompanhado de forma perfeita pelo baixo. O baixo parece um uma marretada do início ao fim e a guitarra soa bem suja e psicodélica, deixando o trabalho bem intenso.

Core (1992) já veio cheio de hits e apresentou uma gama de faces que a banda tinha a apresentar: ser agressiva e intensa nas temáticas, abordar temas complexos por meio de baladas mais calmas e trazer temas pessoais e introspectivos; tudo de uma vez só.

Quatro das faixas do álbum chegaram a ser lançadas como singles para ajudar na divulgação deste trabalho da banda, porém apenas três deles tiveram vínculo comercial e um de carácter promocional.

O canal Alta Fidelidade fez uma análise sobre o álbum, caso queira acompanhar, basta clicar abaixo.

O primeiro single lançado foi Sex Type Thing, o segundo foi Plush (o maior sucesso da banda até os dias atuais), o terceiro foi Wicked Garden e o quarto foi a faixa Creep. Só pelos singles, já poderíamos perceber que se tratava de um trabalho complexo, um trabalho que abordaria várias temáticas e que iria tocar em muitas feridas.

Vamos, agora, fazer um faixa a faixa, tentando extrair o máximo de cada canção.

A faixa de abertura é Dead & Bloated e já se inicia de uma forma inusitada: só com a voz de Scott Weiland, como se estivesse distante e opaca. Em seguida, os instrumentos já se iniciam com peso e agressividade, fazendo com que a música se desenhe em cima de um riff bem marcante feito pela guitarra de Dean DeLeo. A faixa é bem cadenciada, porém bem agressiva, como se o baterista colocasse toda sua força nas baquetas e a guitarra e o baixo tocassem de forma agressiva. O riff é, com certeza, uma ótima porta de entrada para o álbum, fazendo com que o ouvinte se prenda na música e queira continuar ouvindo o trabalho com mais atenção. Em entrevista para divulgar os 25 anos do lançamento do álbum (a banda fez um relançamento cheio de material inédito junto num box), os músicos falaram como era o processo de composição e deixaram claro que o fato de estarem sempre juntos em estúdio e de estarem todos focados no trabalho foi o que fez o álbum ser especial. Dean DeLeo disse que Scott trabalhava bem próxima a ele (Scott em uma agência de modelos e Dean em uma loja de instrumentos). Então Scott ligou para Dean e cantarolou um esboço do que viria a ser o riff de Dead & Bloated. Nesta mesma entrevista, o baterista Eric Kretz disse que o início da letra surgiu quando ele estava com Scott em um restaurante mexicano e o vocalista começou a cantarolar. Em seguida, eles começaram a bater na mesa e fazer as marcações da percussão; ambos sabiam que estava surgindo algo especial ali e era uma ótima música.

E seguida, o álbum já apresenta uma pedrada agressiva e marcante chamada Sex Type Thing. A faixa fala sobre abordando como tema a violência, controle e abuso de poder que as mulheres sofriam, em um som bem enérgico e pesado. Esta faixa trouxe alguns pequenos problemas já que é cantada em primeira pessoa, muitos acharam que a banda era a favor disso, quando, na verdade, quem conhecia Scott sabia que ele era o primeiro a defender toda e qualquer mulher, onde quer que fosse. O efeito pretendido pela banda era causar o choque e envergonhar quem insiste em seguir tratando as mulheres desta forma, mostrando que merecem espaço e merecem respeito. A base de guitarra já havia sido composta pelo guitarrista Dean DeLeo havia algum tempo, ele apresentou para a banda e todos gostaram. Scott, então, aproveitou a energia da música e fez dela um protesto, colocando uma letra que iria a fundo no tema.

A terceira faixa é Wicked Garden. Ela já se inicia com a mesma vibe que a anterior: com o pé na porta, agressiva. Logo a faixa entra numa forma mais cadenciada, mas nem por isso com menos peso. É nessa base que a voz de Scott entra, agressiva, porém cheia de melodia. A faixa fala sobre como a inocência do ser humano é perdida de acordo com as coisas que acontece na vida. Em meio a tantas perguntas, o tema é exposto e colocado em questão. Esta trinca inicial da banda é um ótimo cartão de visitas para os amantes do Rock.

O canal Kazagastão fez uma análise da carreira da banda

A faixa No Memory é instrumental e tranquila, a primeira calmaria no álbum Core (1992). Na verdade, a faixa é considerada uma introdução para a faixa seguinte, Sin. A banda sempre apresentava No Memory como uma introdução, preparando o público para a faixa seguinte. Mas a banda gostou tanto do trabalho que resolveu colocá-lo no álbum como uma faixa independente. A faixa foi composta pelo guitarrista Dean DeLeo.

A quinta faixa do trabalho é a Sin, um pouco menos intensa do que as 3 primeiras, mas tem sua dose de agressividade e é uma música muito boa. Aqui o baixo dita o ritmo da música, sendo bem marcante e intenso, fazendo a base de um jeito intenso, acompanhando a bateria e deixando uma linha intensa para Scott chegar colocando a letra em uma melodia bem marcante. Ela é a primeira faixa épica da banda, mostrando outra face do trabalho dos músicos, agora cheia de nuances, de intensidade e calmaria. Robert DeLeo criou a melodia e o arranjo enquanto Scott colocou a letra. O baixista, ao criar a música, queria algo que funcionasse muito bem ao vivo e que chamasse a atenção do público ao ser tocada. A letra apresentada por Scott é bem sombria, tratando sobre pecado, alma, sofrimento e enfrentamento.

Videoclipe de Plush

Em seguida temos a Naked Sunday, uma crítica ferrenha ao que muitas religiões fazem com seus fiéis ao deixá-los cegos e ter domínio quase completo sobre eles. A música apresenta trechos bíblicos e frases de ditados antigos também. A música é bem enérgica e, mais uma vez, vemos a cozinha (baixo e bateria) ditando o andamento da música. Com um arranjo bem feito e uma pegada intensa, a faixa se desenha, mais uma vez, com uma ótima linha melódica de voz.

A sétima faixa é uma das mais conhecidas do álbum, a faixa Creep. Ela é uma balada bem introspectiva, densa e cheia de desabafos, mostrando a alma nua de um eu lírico que procura ajuda e uma forma de sair do mundo onde vive e procurar uma solução. Ele deixa claro que não queria ser como é e diz que agora é apenas “metade do homem que costumava ser”. Aqui temos a segunda calmaria deste álbum, que tem como característica principal muita intensidade. A faixa é uma balada calma, que começa com violões e expõe a alma do eu lírico, dizendo que suas feridas irão cicatrizar, mas que ele não se considera uma boa pessoa. Kretz disse na entrevista de 25 anos de lançamento do álbum que esta é a música da banda que mais o faz se lembrar de Scott, tal intensidade que ele conseguiu colocar na faixa.

A calmaria logo cessou porque a oitava música é talvez a mais pesada do álbum. Aqui em Piece of Pie a banda se apresenta bem agressiva, como se os instrumentos fossem um muro intenso e resistente, deixando o som bem pesado e intenso. A música é pesada do início ao fim, com o início em uma preparação com todos os instrumentos, seguido de uma vocalização de Scott. Aqui a linha de baixo de Robert DeLeo beira a perfeição, a voz de Scott está perfeita e muito intensa, mostrando um drive e uma intensidade diferente de faixas anteriores. A música apresenta uma letra curta e direta, com algumas frases soltas que deixam claro uma apresentação do eu lírico, falando quem ele é, o que faz e o que precisa.

Videoclipe de Creep

A nona música é o maior clássico da banda e é a música que, com certeza, abriu muitas portas para o Stone Temple Pilots: Plush. Ela é uma música cadenciada, mas que prende a atenção do ouvinte do início ao fim, tendo uma linha poderosa de baixo. Mesmo sendo uma balada, a letra foi inspirada numa reportagem que Scott Weiland viu de uma garota morta vítima de estrupo, contrastando o tema mórbido em uma calmaria repleta de boas melodias. A voz grave de Scott aqui certamente pode ser confundida com a voz de Eddie Vedder do Pearl Jam, banda que era referência para a criação de boas melodias de Scott. Não tinham como saber que seria o sucesso que foi, mas a banda disse na entrevista que sabia que a música teria um impacto positivo e que chamaria a atenção do público, sabiam que era um trabalho muito bem feito.

A faixa Wet My Bad é mais uma calmaria no álbum onde o baixista Robert DeLeo criou uma base para que Scott declamasse em cima dela. Ela serve como mais uma espécie de preparação para a faixa seguinte.

A penúltima faixa do álbum é a mais Hard Rock do trabalho. Mas diferente das bandas dos anos 80, o baixo aqui parece uma marretada, de tão intenso. A música é bem enérgica e intensa, aliando peso e intensidade. A letra surgiu em cima de uma gíria falada por compradores de craque e heroína para se comunicar com os traficantes. A faixa fala sobre o que se passa na cabeça de um usuário de drogas em sua “viagem”, mesmo dizendo que “quer fugir”, sente que pensa demais e se entrega mais uma vez ao vício. É uma ótima faixa para apresentar a banda a alguém que nunca ouviu o trabalho, ela apresenta o que a banda fazia ao vivo, apresenta sua intensidade e seu peso.

Videoclipe de Sex Typer Thing

Para encerrar o álbum, a banda deixou a faixa Where The River Goes, uma faixa bem cadenciada, porém muito intensa, do início ao fim. A faixa é um épico de oito minutos e meio, cheias de variação e dinamismo, considerada a canção mais poética de Core (1992). A letra fala sobre as dificuldades da vida e de como enfrenta-las, como ter forças para aguentare deixar tudo seguir seu fluxo natural, como se fosse de um rio. A faixa é, mais uma vez, intensa e tem em seu início um belo solo de guitarra feito por Dean DeLeo. Kretz disse que Scott criou a melodia primeiro, ele gostava de deixar tudo perfeito para, enfim, colocar a letra; Kretz elogiou muito esta letra dizendo que o vocalista do Stone Temple Pilots era um dos melhores compositores da época. Alguns acreditam que a inspiração para Where the River Goes partiu da canção When the Levee Breaks do Led Zeppelin, pois, ambas possuem um tempo bastante semelhante.

A formação da banda no álbum foi a clássica da banda: Scott Weiland no vocal, Dean DeLeo na guitarra, Robert DeLeo no baixo e Eric Kretz na bateria.

O álbum até hoje é considerado o melhor da banda, pois apresenta várias nuances ao longo do trabalho, sendo muito intenso e agressivo, um ótimo cartão de visitas para uma banda que se colocava na cena com seu primeiro trabalho.

Performance de Dead & Boated ao vivo

Minhas faixas preferidas são Plush, Dead & Boated, Crackerman e Creep, mesmo que o álbum todo seja bom e que seja difícil excluir outras de uma lista de preferidas. Mas acho que se fosse resumir o álbum, resumiria nestas acima, mostrando várias faces distintas da banda e toda sua técnica e versatilidade.

Alguns críticos da época falaram mal do álbum por dizerem que a banda apenas queria “pegar carona” no sucesso das bandas de Seattle com o denominado Grunge. Mesmo que a banda seja rotulada assim, ela apresenta muito mais características de Hard Rock misturado a um Rock Alternativo do que apresenta semelhanças com bandas como Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden, entre outras. Mesmo que alguns falassem isso, a maioria elogiou muito o trabalho e a carreira da banda foi um sucesso, tendo impressionantes marcas de vendas e fazendo parte marcante da década de 90.

Core (1992) é o exemplo de que, ao fazer um trabalho bem feito aliado a uma boa divulgação, ao colocar sua alma naquilo que faz e trabalhar com empenho, o sucesso vem e o trabalho torna-se clássico. Este álbum é, com certeza, um dos mais importantes da década de 90 e o mais importante da carreira da banda.

Confira a Tracklist do álbum Core (1992) abaixo.

  1. Dead & Bloated (Robert DeLeo, Scott Weiland)
  2. Sex Type Thing (Dean DeLeo, Eric Kretz, Scott Weiland)
  3. Wicked Garden (Robert DeLeo, Dean DeLeo, Scott Weiland)
  4. No Memory (Dean DeLeo)
  5. Sin (Robert DeLeo, Scott Weiland)
  6. Naked Sunday (Dean DeLeo, Robert DeLeo, Eric Kretz, Scott Weiland)
  7. Creep (Robert DeLeo, Scott Weiland)
  8. Piece of Pie (Robert DeLeo, Scott Weiland)
  9. Plush (Robert DeLeo, Scott Weiland, Eric Kretz)
  10. Wet My Bed (Robert DeLeo, Scott Weiland)
  11. Crackerman (Robert DeLeo, Eric Kretz, Scott Weiland)
  12. Where the River Goes (Dean DeLeo, Eric Kretz, Scott Weiland)
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