Roadie Metal Cronologia: Kamchatka -Kamchatka (2005)

by Marcio Machado

Existe uma leva de bandas que se propõe e insistem em socar os anos 70 dentro dos 2000. Algumas com um destaque maior, que é o caso do Greta Van Fleet (e tenho um pavor horrendo) e outras mais obscuras como esse Kamchatka, que até o momento que fui escalado para escrever sobre um álbum deles aqui na Roadie Metal nunca tinha ouvido falar do nome sequer. A banda é provinda da Suécia, composta por um power trio com Thomas Juneor Andersson na guitarra e voz, Roger Öjersson com o baixo e também na voz e Tobias Strandvik na bateria.

Em seu debut autointitulado de 2005, sendo curto e direto, se você não se dá bem com esse tipo de música não vai ser nada satisfatório o que vem pela frente, pois as coisas são longas (são 14 faixas!), arrastadas e bastante monótonas até o seu final.

Abrindo o trabalho está “Out of My Way”, que traz aquela atmosfera psicodélica aliada à uma vibe bem rock and roll, com sintetizadores e baixos marcando a música toda, onde há mescla de momentos mais agitados e outros mais tranquilos seguindo nesse loop até o final. Logo “Seed” já dá as caras e as coisas continuam no mesmo marasmo, há solos de guitarra a cada verso, aquele vocal bem característico dos 70’s e um bendito baixo que fica martelando na cabeça do ouvinte. É tão repetitiva que parece praticamente um interlúdio pra faixa que vem à seguir.

No” começa cheia de sintetizadores e cai numa levada mais cadenciada, tendo bons momentos do vocal que é trabalhado de forma diferente aqui, até chegar no refrão que anda pelos caminhos anteriores. Tem um solo bastante esticado com influências do blues. “Mnemosyne Waltz” da continuidade nas coisas e sua audição é quase tão complicada quanto à sua pronúncia. Anda pra lá e pra cá variando de momentos mais leves e um pouco mais agitados com boas passagens de voz. A coisa fica mais difícil em “Mixed Emotions” que quase me fez dormir no primeiro minuto rolando, pois se trata daqueles momentos em que o marasmo reina e aquela coisa bem arrastada domina tudo e vai se seguindo dessa forma até seu final. E aí meu desespero já começava à se formar pois até então somente cinco faixas haviam passado.

A trinca que se segue com “Wrong End…“, “Eggshell” e o cover “I Love Everybody(Johnny Winter) tratam de dar uma melhorada no ânimo das coisas e rendem bons momentos com mais variações do andamento, vários bons momentos do instrumental como a ponte da segunda faixa citada e o solo da primeira que é um tanto bem executado e traz também um casamento perfeito de vozes ali. Mas as coisas não duram por muito tempo nesse clima e logo “Auto Mowndown” surge e traz aquela coisa batida ritmada da mesma forma remetendo à algo da Janis Joplin e que realmente é um interlúdio dessa vez, assim dando vez à “Spacegirl Blues” que começa mais cadenciada e assim se segue com alguns crescendo em seu andamento e uma bateria bastante barulhenta mostrando empolgação de Tobias, esta é mais um dos bons momentos por aqui com mais um bom solo.

Sing Along Song” começa rápida e agitada trazendo então o melhor momento do disco todo, onde tudo parece funcionar devidamente de forma correta e assim as melodias se encaixam muito bem, o trabalho das dobras vocais também é muito bom e agora o baixo não é mais um momento entediante, mas tem uma marcação muito boa e casa perfeitamente com o som da guitarra. “Incognito” é muito boa também, trazendo alguns flertes com o funk e groove e até improvidos de vozes provindos do jazz e o casamento desses estilos é muito bom, rápida e direta funciona muito bem.

Daddy Says” traz de volta a calmaria e o estilo que ditou o andamento de tudo por aqui, há uma ou outra coisa ali e acolá que soam bacanas, mas nada que faça cativar o ouvinte de uma vez. Quem encerra é a instrumental “Squirm” que tem lá seus 8 minutos e é quase uma tortura ouvir isso.

Definitivamente, como dito no começo deste texto, se você não tem alguma familiarização ou apreço com esse som, passe correndo desse tal Kamchatka, pois apesar de um ou outro bom momento, as coisas não cativam e parecem não funcionar devidamente para quem não tem gosto pelo “rock tiozão”, o que definitivamente é o meu caso e pretendo não mais repetir a experiência, pois se nem com os originais as coisas não funcionam comigo, quem dirá esse pós modernos.

Nota: 5

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