Roadie Metal Cronologia: Accept – Death Row (1994)

Após uma fase áurea na primeira metade dos anos 80, com o lançamento de “Breaker”, “Restless and Wild” e “Balls to the Wall”, o ACCEPT começou a ter problemas e lançou o meia boca “Metal Heart”, de 1985 (pode ser que hoje os fãs achem um clássico, mas na época ele foi execrado pelos fãs antigos da banda e crítica), que era uma tentativa descarada de entrar no mercado norte americano (dominado pelo Glam Metal). Tentaram se reabilitar com “Russian Roulette”, de 1986, que foi um disco muito bom, mas as tensões internas levaram à saída de Udo, que formou sua própria banda. O grupo chamou o vocalista David Reece e lançou em 1989 “Eat the Heat”, o tiro de misericórdia na carreira do grupo, que encerrou suas atividades ainda naquele mesmo ano, em um amargo fim.

Em 1990, o fã clube japonês da banda lançou o duplo ao vivo “Stayin’ a Life”, o que lhes deu um novo gás e eis que o ACCEPT retornou à ativa como quarteto. O disco da volta veio em 1993, “Objection Overruled”, seguido no ano posterior por “Death Row”, centro desta resenha (até aqui, um histórico bem simplificado do que se passou).

Não é necessária uma descrição mais aprofundada: o que encontrará em “Death Row” é apenas o bom e velho estilo do ACCEPT atualizado para a década de 90, um pouco mais direto e agressivo (talvez pela ausência de uma guitarra base para ajudar Wolf, e assim, a banda deu uma simplificada para se adaptar aos shows ao vivo), mas ainda assim, muito bom. Tudo bem, não é um “Restless and Wild”, porém, bem melhor que “Metal Heart” e é mais coeso que “Objection Overruled”.

Stefan Kaufmann, baterista do quarteto, fez toda engenharia sonora e a mixagem, enquanto Andy Stange fez a masterização. A gravação soa bem moderna para a época, e talvez seja algo que deixou o som característico do ACCEPT um pouco diferente do que estamos acostumados. Mas é uma sonoridade ótima, pesada e limpa, de alto nível.

Musicalmente, o ACCEPT é um baluarte no que se fala em fundir peso, agressividade e melodia, com refrãos marcantes e boa dose de técnica. O disco tem a participação do baterista Stefan Schwarzmann (que seria o baterista do grupo em sua volta, anos depois) em “Bad Habits Die Hard” e “Prejudice”. Creio que seja devido ao fato que Stefan estava começando a apresentar os problemas de saúde que o fizeram trocar a bateria pela guitarra.

Escolher as melhores músicas em “Death Row” é um trabalho difícil depois que se acostuma com a roupagem moderna da época. Mas é incrível ver a força e tesão do quarteto em canções como a pesada e cativante “Death Row”, a melodia abrasiva de “Sodom & Gomorra” (com uma exibição de gala de Wolf, inclusive em mais uma chupada de música clássica), aquele peso mais cadenciado costumeiro dos alemães em “The Beast Inside”, a grudenta e cheia de energia “Like a Loaded Gun” (esse tipo de música é uma das marcas registradas do ACCEPT), a porradaria desenfreada de baixo e bateria em “What Else”, a sedutora e melodiosa “Bad Habits Die Hard” (que belos vocais e linhas de guitarras), e a força de “Bad Religion” (refrão grudento dos infernos!), e o cover instrumental de “Pomp and Circumstance”, de Edward Elgar, ficou bem interessante.

No mais, “Death Row” é um puta disco. Ouçam sem moderação alguma, e bem alto!

Formação:
Udo Dirkschneider (vocal);
Wolf Hoffmann (guitarra);
Peter Baltes (baixo);
Stefan Kaufmann (bateria).

Faixas:
01. Death Row
02. Sodom & Gomorra
03. The Beast Inside
04. Dead On!
05. Guns ‘R’ Us
06. Like a Loaded Gun
07. What Else
08. Stone Evil
09. Bad Habits Die Hard
10. Prejudice
11. Bad Religion
12. Generation Clash II
13. Writing on the Wall
14. Drifting Apart
15. Pomp and Circumstance (Edward Elgar cover)

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Sobre: Marcos Garcia

Marcos Garcia

Formado em Física, Mestre em Geofísica, Marcos Garcia está no Metal desde 1983. Escreve sobre Metal desde 1993, com colaborações em várias revistas, sites e jornais.

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