Riqueza Pesada: confira 5 músicas cantadas em idiomas incomuns

Foto por: Amanda Sousa

Uma coisa é certa: o Metal é global. E, por ser música, é também manifestação artística por si só, apurada com a influência que a origem ou interesses específicos de determinadas bandas ou integrantes exercem sobre a musicalidade proposta. Exatamente por isso, não apenas vemos o surgimento de diferentes bandas no mundo inteiro frequentemente carimbando sua identidade étnica nos arranjos, mas vemos também muitas que se especializam em transmitir ao resto do mundo a sua cultura ou interesses históricos com bastante especificidade e personalidade, apelando principalmente para recursos linguísticos. Isso é: cantam em idiomas incomuns, extintos ou não, adornando uma musicalidade que muitas vezes está diretamente ligada ao porquê de lançarem mão de uma língua excêntrica.

Pensando nessa honrosa e enriquecedora proposta, separei cinco músicas de diferentes bandas espalhadas pelo globo que se utilizam de idiomas que não vemos com facilidade no Metal para reforçar a atmosfera que suas canções geram.

1) Arandu Arakuaa – Hêwaka Waktû

Extraída do “Wdê Nnãkrda”, segundo e mais recente álbum dos brasilienses do Arandu Arakuaa, lançado em 2015, a faixa “Hêwaka Waktû” é cantada no idioma Akwẽ, falado pelos índios Xerentes, que residem nas proximidades do Rio Tocantins, no Estado de mesmo nome. A banda, excêntrica mesmo nos momentos em que o Metal de fato se manifesta, é praticamente irrotulável, mas tem como grande característica as alternâncias entre a calmaria ritualística de um Folk indígena e um Metal “groovado” com rasgados vocais guturais.

2) Powerwolf – Ira Sancti

Os anos se passam e o latim se torna cada vez mais acionado nas letras de bandas de Metal, é verdade. No entanto, o idioma geralmente aparece em trechos apenas, e não em uma música inteira. Isso não é exatamente o que acontece em “Ira Sancti”, faixa que encerra o álbum “Blood of The Saints”, lançado em 2011 pelos alemães do Powerwolf. Sim, o refrão, que repetidamente diz “when the saints are going wild”, é em inglês, mas os versos que estruturam a canção são todos cantados em latim, o que deixa essa faixa bastante compatível com a proposta dessa publicação, mesmo que não inteiramente. Tal língua também é frequentemente explorada nas demais canções do conjunto, intensificando a atmosfera vampírica que exalam com efeitos de órgão e outros recursos. Sentir-se numa escura igreja medieval com chuva e trovões do lado de fora também é comum ao ouvi-los.

3) Týr – Torsteins Kvæði

Assim como o Powerwolf, o Týr não é exatamente um nome desconhecido na cena mundial. Seu melódico Viking Metal cantado com vocais limpos tem feito certo sucesso inclusive no Brasil. De qualquer forma, devido à alta do Metal escandinavo e finlandês (digo isso pois a Finlândia não faz parte da Escandinávia), muitas bandas que cantam nos idiomas nativos daquela região nórdica europeia têm chegado ao conhecimento dos brasileiros.
Bandas cantando em norueguês? De boa. Finlandês? Mais ainda. Em sueco? Até comum também. Mas e no feroês? Pois é. O Týr investe bastante no inglês, mas já se utilizaram um bocado de seu idioma natal também, já que são oriundos das Ilhas Feroé, um complexo de ilhas autônomas, mas que ainda assim são território dinamarquês. “Torsteins Kvæði” é uma dessas faixas cantadas inteiramente na língua-mãe dos rapazes. Ela está presente no álbum “Ragnarok”, de 2006.

4) Corubo – Tabajaraitá Ricu-iêpé Matiri Ce Mira

Conhecido por muito poucos, o Corubo já era perito em fazer Metal em idiomas indígenas há muito tempo. Fundado em 1999 no município de Ji-Paraná, no Estado de Rondônia, sua musicalidade não é exatamente acessível, já que executam um medonho, caótico e violento Atmospheric/Black Metal difícil de distinguir, mas se enquadram no quesito abordado aqui. O nome por si só já é um tributo ao isolado povo indígena Korubo, que habita o oeste do Estado do Amazonas, o Acre e também o Peru. Várias línguas são introduzidas nas suas letras, mas os idiomas nheengatu, yucatec, tupi e guarani paraguaio são alguns dos mais acionados, e na faixa “Tabajaraitá Ricu-iêpé Matiri Ce Mira” não é diferente. Ela é a segunda música do álbum “Wuy Jugu”, lançado em 2011. Encontrá-la separada não é possível no momento. Por isso, o link abaixo é do álbum inteiro.

5) Orphaned Land – Ya Benaye

“Ya Benaye”, traduzido do árabe, significa “oh, dama”. A faixa está presente no álbum “All Is One”, lançado em 2013 pelos israelenses do Orphaned Land, e é inteiramente cantada no idioma mencionado. Esses caras são feras em compôr letras em línguas do Oriente Médio como árabe e hebraico, e chegam a arriscar até mesmo algo mais fora daquela região, como o turco, mas seu foco é, claro, o inglês. O Orphaned Land executa um forte e consolidado Progressive Metal com ampla influência árabe. A maestria com a qual o fazem os levou a se tornarem fortemente conhecidos no mundo metálico.

 

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Sobre: Walker Marques

Walker Marques

Entusiasta da música pesada desde os 9 anos de idade, entrou no mundo da resenha musical sem perceber. Tem Iron Maiden como banda preferida e dedica parte do tempo em seu site Warriors Of The Metal. http://warriorsofthemetalhorde.blogspot.com.br/

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