Resenha: Tatius Wolff – The Relapse (2019)

by Tatianny Ruiz

Um dos fatores indispensáveis ao Metal sempre foi o impulsionamento das próprias emoções, vivências e sentimentos embutidos nas linhas vigorosas de composições, e é claro que este é também um dos elementos presentes na criação musical mundial em todos os estilos, mas o Metal por si, possui uma fluidez para os extremos das sensações como nenhum outro estilo, raiva, desespero e todos os picos das emoções humanas são embutidos facilmente e é aqui que eu começo a análise do primeiro full-lenght, “The Relapse“, do projeto australiano Tatius Wolff, lançado no último dia 08 de junho de 2019 de forma independente.

Influenciado pela onda do metal noventista gótico, melódico e progressivo, m foi fundado em 2017 como o projeto solo de metal alternativo de Stephan ‘Wolff’ Borg inspirado em Type O Negative, Tool, Nine Inch Nails e Deftones, uma busca pela mescla de sonoridades que fluem entre interlúdios silenciosos e paisagens mais agressivas em uma identidade bastante característica.
Eu sempre menciono o quanto eu considero importante que as aspirações emocionais sejam utilizados como combustão para a música e inevitavelmente também se torna um processo terapêutico ou um processo de escape de tormentos e como eu mencionei acima podemos afirmar que Stephan soube empregar isso a criação.
Stephan é um multi-instrumentista de Sidney que cresceu entre as influências do metal ao integrar a banda de Death e Doom metal “Oblique Visions” como guitarrista, com a qual foi lançou a demo “The Fallen” em 1994, seguido pelo álbum “Seas of Serenity” em 1995.
Em 1998 Stephan mudou-se para a Austrália, o que encerrou sua participação com a banda e 17 anos se seguiriam até que o EP “Thumbscrews” contendo 3 faixas single fosse lançado, em 2017 já como Tatius Wolff.

No mesmo ano Stephan foi hospitalizado e atravessou toda a turbulência que uma doença debilitante o submeteu em uma jornada de provações, tribulações, esperança e desespero. Sentimentos que derivaram da demora em uma recuperação e da instabilidade vívida por aqueles que enfrentam os percalços de adoecer.
Passados os dados corremos ao álbum começando pela capa que exemplifica em imagem incontestavelmente onde os alicerces estão instituídos, a frase “Para um bom entendedor meia palavra basta” pode ser empregada aqui e como nem preciso mencionar que a arte representa o exato conteúdo do álbum.

Começo a minha audição em “Auxilium“, uma faixa instrumental de 4:35 que viaja em guitarras oscilantes e contratempos em uma atmosfera que desperta um sentimento deprimido e ao mesmo tempo de fúria, confesso que é um momento de incerteza sobre o que encontraremos a seguir, mas é interessante como as nuances mudam passando a “The Shock“, onde você encontrará todos os elementos citados e as influências mas a forma que tudo isso é agrupado ao ouvinte é bastante intrigante, tanto a instrumentação que diverge continuamente como a representação geral de cada estilo. Podemos definir da seguinte forma, você encontrará uma presença marcante de progressivo com breves solos que cintilam, a agressividade do Death metal em rítmica ríspida e agressiva e uma dissonância ao industrial com pitadas do Metal gótico em sua melancólia.
Eu gosto dos teclados distantes da introdução que percorrem na sequência para linhas mais bruscas, o primeiro tom do vocal surge aqui e embora esse tom estilizado não me agrade muito eu ainda o vejo como um bom encaixe as nuances do tema desenvolvido.
Passamos a “Recovery” e o vocal texturizado é mantido embora o trabalho da bateria adquira mais presença. Existe bastante contra-tempo em diversos pontos e os efeitos sonoplásticos são empregados em um som sintético.
False Hope” entra para contrariar os aspectos de guitarras que mantém mais do Death metal em peso e finalmente posso ouvir mais a voz de Stephan. Uma curiosidade sobre Tatius Wolff é que tenho bastante da sensação do Metal de bandas como Godflesh em tempos de “Streetcleaner” em um liquidificador com Tool em tempos de “The Pot”, eu apenas gostaria de encontrar mais do vocal em primeiro plano.
A faixa título, “The Relapse“, é um pouco mais obscura por sua vez e uma distante atmosfera gótica está presente mas possui pontos de lucidez com lapsos de pianos.
O Metal alternativo é algo bastante confuso na minha opinião pois lida com pulsações quase alucinantes da psíque humana e de fato isso ganha tons delirantes mesmo musicalmente, as vezes até um pouco incompreensíveis, mas é agradável chegar a “Proelium” que mantém apenas uma instrumentação difusa.
Trauma” e é o ponto deste álbum onde o extremo confronta a depressão mais cínica do Metal gótico, e eu gosto deste contraste embora sinto que sejam muito abrupto entre as passagens de tempo dentro da própria faixa.

The Tormentor” é bastante diferente de todo o resto é possivelmente a que mais me agradou até o momento por conter um encaixe mais coerente em todos os pontos, iniciando-se sinuosa e desenvolvendo de forma mais criativa dentro dos estilos mencionados. Ponto extra sobre os vocais que finalmente ganham um lugar mais destacável. Até aqui a melhor faixa do álbum.
Encerramos o álbum em “Despair” com o Metal em uma presença mais estimulante.
Eu devo dizer que este é um álbum bastante curioso e realmente um bom exemplar para aqueles que estão familiarizados com as linhas do Metal alternativo. Se trata de um álbum para gostos mais seletivos dentro do estilo mas no geral Stephan consegue te levar a sensações bastante angustiantes e reflexivas com um gosto de viagem aos anos 90.

Nota: 8/10

Track listing

1 – Auxilium
2 – The Shock
3 – Recovery
4 – False Hope
5 – The Relapse
6 – Proelium
7 – Trauma
8 – The Tormentor
9 – Despair

Membros da banda

Stephan “Wolff” Borg – Todos os instrumentos, letras e produção

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