Resenha: Riot – Fire Down Under (1981)

Antes de começar, uma observação: Eu não sei o que é esse bicho na capa e nem me importo. É apenas uma capa feia e ponto final.

Passado esse pequeno preâmbulo, devo dizer que “Fire Down Under” é meu álbum favorito dessa primeira fase do Riot, superando o também essencial “Narita” pelo rol de músicas mais bem amarradas e intensas. Esse é o terceiro disco da banda e o último com o vocalista Guy Speranza, que posteriormente viria a deixar o cenário musical e faleceu em 2003, aos 47 anos de idade, de câncer do pâncreas.

Há quem diga que o Riot foi a primeira banda efetivamente de Heavy Metal dos Estados Unidos. Em parte, procede. De fato, quando falamos de metal americano em seu período de maior popularidade, vemos que haviam duas vertentes predominantes: Glam Metal e Thrash Metal. No meio dessas, algumas bandas orbitantes como Manowar ou Armored Saint. O que havia antes não era essencialmente Heavy Metal, embora apontasse nessa direção. Bandas como Kiss, Van Halen e Blue Oyster Cult eram o Hard Rock ganhando mais peso, mas não eram Heavy Metal. O Riot lançou seu primeiro álbum em 1977 e ainda trazia muito de Hard, mas foi gradativamente exibindo suas garras com músicas mais rápidas que já se sintonizavam com o que estava acontecendo na ilha do outro lado do Atlântico e, foi em seu rastro, que vieram bandas como The Rods, Cirith Ungol e Manilla Road, cunhando um estilo personal de fazer metal que apenas as bandas ianques conseguiam reproduzir adequadamente.

Todo esse contexto temporal se faz presente em diferentes momentos de “Fire Down Under”, seja no power metal da faixa-título, na escancarada influência de Aerosmith em “Don´t Bring Me Down” e de UFO em “No Lies”, ou no dedilhado do começo de “Altar Of The King”, que não disfarça que iremos escutar uma canção inspirada por Rainbow, cujo mentor Ritchie Blackmore é a grande inspiração do líder do Riot, o guitarrista Mark Reale.

“Swords And Tequila” e “Run For Your Life” são dois momentos de metal puramente cromático nesse álbum, seguidas de perto pelo carisma absoluto de “Outlaw”. Grande parte do poder de fogo de todas essas músicas vem da interpretação e da voz de Speranza, cujo timbre agudo lembra parcialmente o de Glenn Hughes. Saber que o vocalista, logo após esse disco, deixou a banda e não tornou a cantar é motivo de lamentação pelo talento que ele guardou para si, não compartilhado com o resto do mundo.

E encontra-se justamente no fato da saída de Speranza o motivo do Riot, mesmo lançando discos excepcionais, nunca ter alcançado uma posição de destaque mais merecida dentro do cenário do metal. Não especificamente por Speranza, mas pelo motivo de que a vaga de vocalista nunca mais parou de rodiziar, como se houvesse uma porta giratória, com cantores indo e voltando. Falta de estabilidade nessa posição é sempre algo problemático, pois o público não assimila a noção de banda, de conjunto, quando a figura de frente é um sujeito diferente a cada instante. Esse, porém, é um detalhe pertinente a avaliação da carreira do Riot e que não deve resvalar para a fruição isolada de seus trabalhos. “Fire Down Under” é um clássico dessa banda que não poderia ter vindo de nenhum outro lugar senão a cosmopolita New York, onde tantas tendências musicais norte americanas se desenvolveram. Com o Heavy Metal não poderia ser diferente e coube ao Riot ser o protagonista dessa história.

 

Formação

Guy Speranza – vocal

Mark Reale – guitarra

Rick Ventura – guitarra

Kip Leming – baixo

Sandy Slavin – bateria

Músicas

01.Swords and Tequila

02.Fire Down Under

03.Feel The Same

04.Outlaw

05.Don’t Bring Me Down

06.Don’t Hold Back

07.Altar Of The King

08.No Lies

09.Run for Your Life

10.Flashbacks

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Sobre: Anderson Frota

Anderson Frota

"Anderson Frota é baixista da banda Asmodeus, de Fortaleza, e escuta rock e metal desde os 14 anos, indo desde os Beatles até o Napalm Death, desde o Yes até o Cannibal Corpse"

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