Não é de hoje que o Dave Grohl é o cara mais gente boa do rock mundial.

Ele foi batera da banda mas influente da década de 90 (Nirvana, caso você não saiba), montou a própria banda (tocou todos os instrumentos e cantou), lançou discos, conquistou público e crítica, tem vários hits de sucesso, fez turnês pelo mundo todo e transformou o Foo Fighters em uma das bandas mais bem sucedidas do século XXI. Mesmo assim, nas pausas com sua banda principal ele se dedica aquilo que mais ama na vida, o Rock N Roll.

Hora participando de músicas de outros artistas, hora gravando álbuns inteiros com outros artistas, como por exemplo em Songs for The Deaf do Quens Of The Stone Age e também no auto intitulado do Killing Joke. Além de criar projetos paralelos como o Them Crooked Vultures que conta com seu fiel parceiro Josh Holmes e também o lendário baixista do Led Zepellin, John Paul Jones, Grohl toca bateria em todos esses álbuns. Ah, ainda tem documentários sobre o próprio Foo Fighters e também o lindissímo Soundcity que resultou em um álbum com inéditas e participação de vários nomes do rock.

No Probot, que conta com apenas um álbum homônimo, Dave fez uma homenagem aos seus ídolos (da adolescência) das vertentes mais “Heavy Underground” de todas as suas influências. Nomes que fizeram história dentro do Heavy tradicional, passando pelo Crossover, Death Metal, Doom e Trash Metal.

Nesta obra primorosa de música pesada, que foi produzida e mixada (separadamente) por Nick Raskulinecz e Adam kasper, Grohl escolheu alguns de seus vocalistas preferidos e de presente deu a cada um deles faixas inspiradas em seus estilos próprios, inclusive, os mesmos tiveram participação total na criação e finalização das faixas.

O “vício” do Grohl por Voivod fez com que ele convocasse o lendário baterista Michel “Away” Langevin (do Voivod) para ser o responsável pela arte da capa do Probot. Observe a semelhança do personagem da capa do Probot com algumas capas do Voivod. Langevin é o responsável pelas capas dos álbuns de sua banda canadense.

Nesta resenha, diferente das demais, terei que abordar faixa a faixa por conta das características de cada vocalista e instrumentistas que participaram em cada uma das faixas.

1- Escutar a voz do Cronos do Venon é sempre uma experiência intensa. Apesar da voz do criador do estilo Black Metal não ser similar ao Black Metal atual, o que ele fez no início de sua carreira abriu a cabeça e portas para vários músicos posteriores a ele. Em Centuries of Sin, Cronos mostra quem é o mestre e destrói! Sua voz característica se encaixou perfeitamente nesse Thrash encorpado que o Dave compôs, música simples, direta e eficiente.

2 – Na sequência já temos um “toque mineiro” com o nosso querido Max Cavalera, que faz sua participação na cativante Red War, que lembra muito a sua banda principal ( o Soulfly) e a única novidade é quando Max profere um breve texto com a voz “limpa” ou seja, sem usar gutural ou vocal rasgado/gritado. Resultado interessante, música bem divertida para quem é fã do estilo do Soulfly.

3 – Em Shake Your Blood podemos ver “Deus”, ops, Lemmy se divetindo horrores com seu baixo … no clip da mesma música, (aliás a única faixa que ganhou vídeo). Não é segredo que Dave é discípulo do saudoso Senhor Kilmister. Quem não se lembra da hilária participação do Lemmy no vídeo de White Limo (a faixa mais “heavy” do Foo Fighters em Wasting Light).
O vídeo de Shake Your Blood tem a pegada que acompanha a música, com muitos corpos femininos, muito Rock N Roll e diversão como podemos conferir logo abaixo.

4 – Access Of Babylon traz a “sujeira” do metal crossover com o hiperativo baixista (e sazonalmente) vocalista do maravilhoso Corrosion Of Conformity, ou como é conhecido COC. Mike Dean despeja toda sua tradicional revolta em uma faixa totalmente punk e bem curta, não chegando aos 1m30seg. Meio hardcore com uma pegada de Jello Biafra e Dead Kennedys, porrada direta na orelha!

5 – Ainda na pegada do crossover temos outra lenda do estilo, Kurt Brecht do D.R.I (Dirty Rotten Imbeciles) Em Silent Spring me surpreendendo pelo tamanho, tendo seus 3m28seg, diferente da maioria das faixas do D.R.I. que possuem menos de 1:30. As voz do Kurt dá a sensação de estar ouvindo algum tipo de bronca de alguém muito bravo com você. Sempre bom ouvir esse cara.

6 – Um clima obscuro chega nesta faixa que de início lembra Black Sabbath pelo ritmo e timbres da guitarra, quando você descobre que a guitarra é responsabilidade de Kim Thayil do Soundgarden e a voz é de Lee Dorrian do Cathedral você perceberá porque pensou em Sabbath logo de cara. Ice Cold Man é a desculpa dos caras para tocarem juntos homenageando com certeza os caras de Birminghan.

7 – Nesta faixa temos a voz e guitarra de Wino, lenda do Doom Metal. Um estadunidense que desde os anos 80 esteve a frente de vários projetos musicais, principalmente de Saint Vitus e The Obsessed. Em Emerald Law temos uma viagem em um metal arrastado, quase progressivo, porém com a voz marcante e poderosa do Wino. Essa não chega a ser tão empolgante, mas com certeza valeu muito por trazer essa lenda pra uma Jam Session com Grohl.

8 – Um Metal Industrial cheio de groove deixa tudo pronto Tom Warrior a voz do Celtic Frost/Hellhammer marcar presença, e por mais simples que essa faixa seja o objetivo de bangear é favorecido com o ritmo da música que tem letra fraca e repetitiva.

9 – Dictatosauros pra mim é a melhor do projeto. Com uma guitarra base sensacional e moderna, riff simples e bastante ritmo com refrão grudento, considero essa a mais “comercial” do álbum e com certeza merecia um vídeo. A voz do Snake (do Voivod) está sensacional e nos faz querer imitar ele cantando. Divirta-se e tente não “Bangear”. Ah, Inclusive a arte da capa foi feita pelo baterista do Voivod, Michael Langevin, inclusive mantendo características das capas de sua banda original.

10 – Outra lenda do Doom e também estadunidense, Eric Wagner do Trouble, que mandou muito bem em My Tortured Soul. Voz afinada nos falsetes e timbre grave ainda firme apesar de ser um veterano. Muita classe demonstrada na voz, sobriedade no instrumental que chega ser um Hard Heavy porém, o que mostra atitude mesmo é a letra que diz algo sobre alma torturada que deseja compartilhar segredos com alguém que parece estar esperando em algum lugar distante...

11 – Sweet Dreams traz o dinamarquês mestre dos falsetes e do ocultismo no metal, o “Rei”, King Diamond. Que além de sua carreira solo também é líder do Mercyful Fate. A introdução dessa música é digna de filme de terror! Essa épica faixa que também conta com a guitarra de Kim Thayil (do Soundgarden) pode não ter a sonoridade mais pesada, mas com certeza é a mais macabra, como podemos perceber neste trecho: Eu sou o demônio viscoso na sua parede, tocando você, vendo você sonhar comigo caindo sobre você… Essa merecia um vídeo clip para mostrar o Rei com seu pedestal de ossos. Sensacional.

12 – Na versão do CD existe uma Hidden Track (anexa a faixa 11), lá pelos 9 minutos começa I’m The Warlock, onde Jack Black (do Tenascious D que também é ator em A Escola do Rock e amigo de longa data do Dave Grohl) aparece e surpreende. Por mais engraçado que Jack possa ser, nessa música ele convence muito, e se você escuta sem saber que é ele, vai ficar surpreso. Para quem conhece um pouco por sua paixão pelo Rock, sabe que ele tem talento e nessa faixa mostra tudo o que sabe. Peso, ótimo riff de guitarra. No Spotify essa faixa está separada da anterior e aparece como faixa 12.


Esse projeto é explicitamente uma homenagem aos ídolos da juventude do Dave Grohl, que de maneira ímpar soube fazer algo impecável, não apenas respeitando o estilo de cada músico mas principalmente criando algo exclusivo para cada vocalista. Dave humildemente se coloca na função de instrumentista e co-autor das músicas, dando liberdade a todos os homenageados, como pode ser visto no texto de agradecimento que está no encarte do álbum.

Probot – Probot
Data de lançamento: 10 de fevereiro de 2004
Gravadora: Southern Lord

Tracklist
1 – Centuries Of Sin
2 – Red War
3 – Shake Your Blood
4 – Access Babylon
5 – Silent Spring
6 – Ice Cold Man
7 – The Emerald Law
8 – Big Sky
9 – Dictatosaurus
10 – My Tortured Soul
11 – Sweet Dreams
12 – I’m The Warlock

Line up:
Dave Grohl (Guitarra, baixo e bateria em todas as faixas)
Cronos (Vocal na faixa 1)
Max Cavalera (Vocal na faixa 2)
Lemmy (Vocal na faixa 3)
Mike Dean (Vocais na faixa 4)
Bubba Dupree (Guitarra adicional na faixa 4)
Kurt Brecht (Vocais na faixa 5)
Lee Dorrian (Vocais na faixa 6)
Kim Thayil (Guitarra adicional na faixa 6 e 11)
Wino (Vocais e guitarra na faixa 7)
Tom Gabriel Fischer (Vocais na faixa 8)
Snake (Vocais na faixa 9)
Matt Sweeney (Guitarra adicional na faixa 9)
Eric Wagner (Vocais na faixa 10)
King Diamond (Vocais na faixa 11)
Jack Black (Vocais e guitarras na faixa 12)

  • 9.9/10
    Probot - Probot (2004) - 9.9/10
9.9/10

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