Resenha: Pearl Jam – Gigaton (2020)

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O décimo-primeiro disco do PEARL JAM será oficialmente lançado na próxima sexta-feira, 27, mas conseguimos escutar “Gigaton” e aqui estamos para trazer as primeiras impressões desta obra.

Bem, resenhar um álbum do PEARL JAM atual não é uma tarefa fácil se o redator em questão for uma pessoa que teve a banda de Eddie Vedder como a sua favorita lá na adolescência. Então é preciso ter a mente aberta e pegar “Gigaton” para escutar com a consciência de que não será um novo “Ten“, “VS.” Ou um “Vitalogy“. Longe disso, os caras mudaram sua sonoridade e de vez em quando até ensaiam um possível retorno aos anos 1990, mas ficam mais numa tentativa de soar Progressivo. Algumas vezes com sucesso, outras nem tanto.

Então sete anos após o lançamento de seu último álbum, “Lightning Bolt“, este que é o maior hiato da banda entre um disco e outro, o PEARL JAM volta com “Gigaton“, trazendo a tona toda a preocupação destes caras com a vida e com a sustentabilidade do nosso planeta. E eles sempre tiveram essa preocupação.

Gigaton é uma medida do sistema métrico de massa utilizada pelos cientistas para calcular a perda das maiores camadas de gelo da Terra. E na sua capa, a banda mostra esta camada de gelo, que alguns ignorantes (N. do R: inclusive uns estúpidos que ocupam o poder aqui no Brasil, insistem em dizer que não há aquecimento global. Engana-se quem quer) dizem ser invencionice.

Para a gravação de “Gigaton“, a banda recrutou o produtor Josh Evans, que substituiu o parceiro de longa data, Brendan O’Brien, que havia assinado a produção do álbum anterior. E o cara fez um excelente trabalho. Vamos destrinchar, faixa por faixa, o novo lançamento do PEARL JAM.

Who Ever Said” abre a bolacha e é até uma música interessante, bem rock and roll, com destaque para a bateria de Matt Cameron, como sempre competente e parece ser o único ainda com sede de Rock na banda.

Superblood Wolfmoon” é ainda mais Rock and Roll que a faixa de abertura, uma tentativa de resgatar o som dos primórdios. Não conseguiram, mas o resultado não é ruim, ao contrário. Temos uma faixa bem Hard. Ela foi o segundo single divulgado pelos caras e eleite por este que vos escreve como o destaque do disco.

Em seguida temos a pavorosa “Dance of Claivoyrants“. Uma música em que o Pearl Jam soa como cópia de bandas como o THE CURE ou o THE BREEDERS (muito pelas linhas de baixo, que aqui foram tocadas pelo guitarrista Stone Gossard). Esta fora o primeiro single e confesso que quando a escutei, fiquei com medo do que seria este novo play do PEARL JAM.

Quick Escape”  começa fraca e cresce conforme vai se desenvolvendo, com muita influência de PINK FLOYD e um ótimo trampo da cozinha. “Alright” é uma música bem calma, onde a voz de Vedder é quem dá o rumo as coisas. Bonitinha.

Seven o’ Clock” é psicodélica e dispensável, ainda que tenha a voz afinada e agradável de Eddie Vedder, enquanto que “Never Destination” é uma nova tentativa de trazer um pouco mais de peso e mesmo com bons riffs de guitarra, ela não ainda não é suficiente para dizer que o PEARL JAM gravou seu melhor disco desde “Binaural” (2000).

Take the King Way” mantém a pegada da faixa anterior. É ok. Ainda pouco, considerando o que esses caras são (ou foram?) capazes de fazer. “Buckle Up” é outra faixa desprezível, pertencente aquele grupo das músicas experimentais que a banda sempre fez.

Comes Then Goes” tem um violão bem agradável que acompanha Vedder e um clima um tanto quanto Country, que agrada ao ouvinte. Ela lembra também o clima do primeiro disco solo do frontman, “Into the Wild” (2007), que foi trilha sonora do filme homônimo.

Retrograde” nos avisa que o peso não mais aparecerá em Gigaton. É uma composição meia boca, sem inspiração, como algumas presentes aqui.

A melancólica “River Cross” encerra um disco bastante irregular, cheio de altos e baixos, mais baixos do que alto é bem verdade.

Ainda que a produção seja impecável, o Pearl Jam mostra há anos que eles querem se distanciar do tipo de som que os revelou ao mundo e arrisco a dizer, que os fez tornar quem eles são. Escolha deles, uma banda que desde sempre tentou se sabotar.

Há os que irão considerar “Gigaton” uma obra-prima e não restam dúvidas de que será sucesso de vendas e logo alcançarão o topo da “Billboard 200“. A bolacha já recebeu elogios em reviews de revistas como “Spin“, “Rolling Stone” e “Mojo“. O leitor pode comprar o álbum através DESTE LINK, onde ocorre a pré-venda.

Dou nota 10 para o ativismo da banda e nota 4 para o que encontrei na parte musical deste disco. O PEARL JAM se perde a cada álbum que lança… E parecem propositalmente não querer trilhar de volta o caminho do Rock and Roll.

Gigaton – Pearl Jam
Data de lançamento: 27/03/20
Gravadora: Republic Records/ Monkeywrench

Tracklisting:
01 – Who Ever Said
02 – Superblood Wolfmoon
03 – Dance of Clairvoyants
04 – Quick Escape
05 – Alright
06 – Seven o’Clock
07 – Never Destination
08 – Take the Long Way
09 – Buckle Up
10 – Comes Then Goes
11 – Retrograde
12 – River Cross

  • 5/10
    Pearl Jam - Gigaton (2020) - 5/10
5/10
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Flávio Farias
Barman, estudante de história, torcedor do Flamengo e apreciador do bom e velho rock and roll há pelo menos 30 anos, começou com o pop rock brasileiro dos anos 80, depois foi para o grunge e punk nos anos 90 até que após pegar emprestado uma fita cassete de 90 minutos, em que do lado 1 tinha a sua teenage band (Pearl jam) e do lado 2 tinha o Chaos A.D. Do Sepultura, com uma mina de quem ele era afim (infelizmente, a mina não deu nada mais além do que a fita), a vida dele mudou para sempre. Daí foi um pulo para escutar Metallica, Slayer, Blind Guardian, Anthrax, Cannibal Corpse, Pantera, Megadeth, Nevermore (a sua banda predileta), Lamb of God e claro, a mãe das mães de todas as bandas de Heavy Metal: Black Sabbath. Gosta muito de escrever, é fissurado por tudo que remeta à Segunda Guerra Mundial, também escreve um blog que conta histórias das Copas do Mundo e é um verdadeiro saudosista, isso explica a opção pelo curso que faz.