Resenha: LOS – Solblót (2019)

by Tatianny Ruiz

Escrever sobre Rock ou Metal em qualquer uma de suas vertentes é sempre uma satisfação muito grande, existe muita coisa envolvida além de escrever um bom texto, se torna igualmente um aprendizado musical inigualável e sem fronteiras que romperam muito as próprias limitações desta redatora que escreve agora. Se passaram mais de dois anos desde que eu integrei esta “casa” chamada Roadie Metal e eu só posso dizer sobre o quanto a minha vida mudou depois disso.
A minha jornada começou no Brasil e culminou nos fiordes gelados desta Noruega e hoje, após muita história e horas escrevendo, eu completo a minha centésima resenha aqui, mergulhada na minha nova realidade. Como eu sempre disse os territórios nórdicos é sinônimo de muito mais do que Black metal, e mesmo que tenha sido necessário seriados para que algumas pessoas pudessem ver isso, hoje eu abro as portas e as minhas audições a um projeto muito especial, falamos de Folk, xamanismo, arte e tradições nórdicas em uma atmosfera secular, profunda e embebida em sensações. Aliás, é um tipo de sonoridade que sempre está em todos os festivais dos países nórdicos e que fatalmente serve de influência para muitas bandas.

Estamos falando de LOS e o reflexivo álbum Solblót lançado este ano.
LOS é um projeto Drone/Roots que tem suas raízes na arte e nas tradições nórdicas do xamanismo, foi criado pelo multi-instrumentista Søren Sol, também conhecido por seu envolvimento como baixista da banda de viking folk rock Krauka, que lançou 8 álbuns e realizou performances em todo o mundo.
LOS lançou seu álbum de estréia Solblót digitalmente e em vinil através da gravadora Strange Aeons Records em 14 de junho e se trata de um trabalho que leva o ouvinte em uma jornada interior, tecida em torno dos quatro elementos Terra, Água, Ar e Fogo.

Uma sonoridade com muitas camadas, profundidade, sentimentos para a jornada que está aberta para o ouvinte interpretar de diferentes formas.
Solblót é gravado por Søren Sol Koldsen-Zederkof em todos os instrumentos e vozes com participações individuais, entre outros Danny Woe do Woebegone Obscured com seus profundos grunhidos.
Partimos dos detalhes, é hora de mergulhar na audição deste álbum, começamos em “Jord” com a entonação de vozes profundas mescladas a sinos que deságuam em uma atmosfera envolvente e espiritualista. Tambores são acrescidos e uma delicada faixa abre o álbum como uma doce recepção ao ambiente natural.
Sjæl” por sua vez possui uma linha mais dramática, o que não poderia ser diferente considerando o significado da palavra (alma). A faixa trás um pouco mais de peso com guitarras horripilantes e planícies de som que equalizam em sintetizadores. Devo admitir que por alguns segundos isso me fez lembrar do “Live at Pompeii” do Pink Floyd, o filme, não pelo gênero obviamente mas pela sensação que a faixa desperta ao ouvinte, uma combinação estranha de tranquilidade e ao mesmo tempo de desespero.
Essa sem dúvida é a maior dádiva deste gênero musical, muito além de transcrever as próprias tradições, o Folk metal possui um poder de mover os sentidos dos ouvintes de uma maneira mais profunda humanamente.
Você pode ter a certeza disso quando “Kriger” (guerreiro) se inicia, sem dúvida uma das faixas mais proeminentes até agora. Uma mescla engenhosa de cantos em coro com vozes mais suaves que se rendem ao instrumental mais tradicional em uma atmosfera cintilante realmente magnífica.
Saímos desta zona de energia para “Foss” e eu adoro como os efeitos naturais são empregados e recaem na sequência para a gélida “Drøm” (sonhar) e o ouvinte receber um detalhado violão em dedilhados que são intercalados por uma percussão rustica e teclados em melodias tão singelas quanto o próprio conceito.
Chakra” e “Mantra” mantém a espiritualidade em foco, mantendo linhas atemporais magníficas, dotadas de grunhidos que parecem emitidos das profundezas de uma caverna.
Não sem razão porque este álbum recebeu tantos elogios, este é o tipo de trabalho que intriga os sentidos e dispara infinitas sensações, um bom seguimento para quem curti Wardruna ou Skáld mas encaixando-se em uma perspectiva mais intelectual, profunda e mística.
Essa é a descrição perfeita para a faixa “Ritual” e toda a magnificência deste deslumbrante álbum.
Agora nos aproximamos do final com “Øst” e eu já me sinto viciada no mundo de LOS, e mesmo encontrando tanta melancólica neste momento a vibração da faixa ainda é bastante reflexiva diante a imponente linha de baixo acrescida ao plano de fundo.
A audição se encerra aos suspiros profundos de “Ild” e você só precisará fechar os olhos pra sua mente ser transportada ao alto das montanhas nórdicas, ouvir essa faixa tem exatamente a mesma sensação de sentir o vento gelado em meio a tão poderosa paisagens. Sem dúvida este álbum é uma representação delicada e perfeita para quem quer mais do que apenas música, mas uma experiência incrível e espiritual.

Score: 10/10

Track listing

1- Jord

2 – Sjæl

3 – Kriger

4 – Foss

5 – Drøm

6 – Chakra

7 – Mantra

8 – Ritual

9 – Øst

10 – Ild

Membros da Banda

Søren Sol Koldsen-Zederkof – todos os instrumentos e vozes com aparições individuais

Danny Woe – Vocal(profundos grunhidos)

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