Resenha: Linkin Park – One More Light (2017)

Uma banda que busca o sucesso, não pode ter medo de se arriscar, seja com uma música, um álbum, ou até uma mudança radical em seu gênero. Isso é algo que o Linkin Park faz na maioria das vezes, a banda nunca se prendeu em apenas um estilo musical, mesmo sendo classificada como um dos ícones do Nü Metal, já se aventurou em quase todos os gêneros.

Mesmo sempre mantendo um pé no Rock, a banda sempre flertou com o Pop, vide músicas como “In Between“, “In Peaces” e “Shadow Of The Day“, além dos álbuns “A Thousand Suns” (2010), totalmente experimental, e “Living Things” (2012), esse que era bem Pop, porém com as guitarras distorcidas ainda marcando presença.

Agora em 2017 a banda anunciou “One More Light“, propondo um som completamente Pop, com o mínimo de guitarras, com participações de vários compositores que estão por trás de muitos dos hits que estão na parada de sucesso das rádios. Se o ouvinte ainda está naquela esperança de que o Linkin Park soe como “Hybrid Theory” (2000) ou “Meteora” (2003), ou até mesmo o último álbum, “The Hunting Party” (2014), esse álbum não é para eles.

O álbum se inicia com “Nobody Can Save Me”, com um clima agradável, aos poucos a faixa vai aumentando a intensidade, não soa tão estranha, apesar de vários elementos eletrônicos, ainda há a identidade do Linkin Park. Os instrumentos “de verdade” estão presentes, então soa mais atraente. Particularmente, achei uma ótima faixa.

“Good Goodbye” é a primeira faixa completamente Pop. Um refrão super pegajoso é ecoado por Chester, que é seguido por Shinoda mandando muito bem na sua parte de Rap. A faixa ainda conta com a participação de dois Rappers que estão “na moda” no momento, Pusha T e Stormzy, e é aí que fica mais estranho. Pusha T parece desencaixado na música, participação mais que desnecessária, já o outro, até se encaixa e tem bons versos, mas nada que Shinoda não pudesse fazer.

A próxima é “Talking To Myself”, a que mais se aproxima de um “Rock” no álbum. Tem um refrão muito bem feito, que já é muito popular nos shows da banda. Uma guitarra limpa acompanha o mesmo. Nos versos é possível ouvir um baixo timidamente grooveado. Essa com certeza é um dos destaques positivos do álbum.

“Battle Symphony” já é conhecida, foi a segunda faixa liberada antecipadamente. É arrastada, com uma melodia mais melancólica, onde Chester canta sobre sua batalhas pessoais. Letra é ótima, mas faltou um peso a mais na faixa, talvez uma guitarra mais leve com na faixa anterior, mas é uma boa faixa.

Em “Invisible”, Mike Shinoda toma a frente e assume os vocais principais, e manda bem. Um tom bem sentimental toma conta da faixa, que tem outro refrão super pegajoso, além de lembrar outras faixas da própria banda, onde o eletrônico era bem presente, porém aqui é predominante. Já foi tocada ao vivo e funcionou muito bem.

A próxima faixa é o início deste ciclo de “One More Light”, a faixa “Heavy”, que conta com a participação da cantora Kiiara, quase tão desnecessária quando a dos Rappers em “Good Goodbye”, a cantora faz bem sua parte, mas parece deslocada. Talvez uma mixagem mais crua deixasse a faixa melhor, e também, Chester deveria soltar mais a voz, pareceu se prender muito na performance.

Agora, talvez a faixa mais estranha do álbum, “Sorry For Now”, que contou com a colaboração de Blackbear e Andrew Goldstein na composição, é dominada por Mike Shinoda, que até manda bem nos vocais, porém, sua estrutura Pop é completamente sem sentido, com alguns sons aleatórios, claramente criados por Blackbear. Ainda conta com a tentativa de Bennington de fazer Rap na ponte da faixa. Pior do álbum sem dúvidas.

Outra faixa diferente é “Halfway Right”, que na primeira audição soa estranha, com Chester cantando de um modo arrastado, porém aos poucos a canção vai ganhando forma. Ainda conta com uma bateria mais crua, mesmo com os sons eletrônicos predominantes, o que é um ponto positivo.

Aqui chegamos ao ápice do álbum, a faixa “One More Light”, que intitula o álbum. É uma faixa totalmente sentimental, que fala sobre a morte de um ente querido. Chester canta com o coração nesta faixa, realmente sua letra e melodia são muito boas, e podem facilmente fazer escorrer lágrimas, principalmente pra quem sofreu alguma perda recente. Como a banda disse: “é uma faixa difícil de ouvir”. Candidata forte a ser uma das melhores do álbum e da banda, em geral.

Pra fechar, vem “Sharp Edges”, faixa onde Chester canta sobre os ensinamentos que sua mãe o passou quando mais jovem. Tem uma pegada meio Folk, meio Country. Não parece uma faixa do Linkin Park, talvez funcionasse melhor na metade do álbum, mas não para fechar o tracklist.

Bom, vamos por partes, dentro da proposta feita pela banda, ótimo álbum, soou Pop como queriam, sem perder completamente a identidade da banda. Músicas como “Nobody Can Save Me” e “Talking To Myself” ainda mantém a identidade da banda intacta, você ouve e sabe que é Linkin Park. Outras como “Good Goodbye”, “Battle Symphony”, “Heavy” e “Invisible” podem ser facilmente Top #1 nas paradas de sucesso, algo que pode ser um objetivo da banda.

Por outro lado, muitas músicas, como “Sorry For Now”, “Halfway Right” e “Sharp Edges” são super deslocadas do estilo da banda, principalmente a primeira citada, que soa genérica, feita para um artista Pop. Outro ponto negativo é a mixagem, a banda optou por muitos elementos eletrônicos, substituindo sons da bateria por estalos e palmas artificiais, e soa exatamente assim, artificial. Como a banda nunca faz um álbum igual ao anterior, o melhor a fazer é aproveitar o que “One More Light” tem de bom no momento, até o fechamento desse ciclo e a banda apresentar novo material.

Formação:
Chester Bennington (vocal);
Mike Shinoda (vocal, guitarra, teclado, programação);
Brad Delson (guitarra, violão, vocal de apoio);
Dave “Phoenix” Farrell (baixo, vocal de apoio);
Rob Bourdon (bateria, vocal de apoio);
Mr. Hahn (DJ, programação, vocal de apoio).

Faixas:
01 – Nobody Can Save Me
02 – Good Goodbye (feat. Pusha T & Stormzy)
03 – Talking To Myself
04 – Battle Symphony
05 – Invisible
06 – Heavy (feat. Kiiara)
07 – Sorry For Now
08 – Halfway Right
09 – One More Light
10 – Sharp Edges

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Sobre: Marcos Gonçalves

Marcos Gonçalves

Marcos Gonçalves, 25 anos, fã de Metal e suas vertentes. Apaixonado e conhecedor de Metallica, porém acha o Pantera a melhor banda que já existiu. Heavy Metal é seu estilo favorito, mas tem a mente aberta para todas as vertentes. Atualmente trabalha na loja Beco do Disco em Taubaté, SP. A paixão pela música só aumenta e é gratificante poder passar conhecimento à todos.

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