Resenha: Lamb of God – As The Palace Burn (2003)

by Marcio Machado

Uma das maiores bandas dos anos 2000, sem dúvida alguma é o “Lamb of God“, particularmente, acho a melhor dessa safra. Conhecido por muitos como o novo “Pantera“, acho essa alcunha muito pouco para os caras, não dizendo isso de forma pejorativa, pois ser comparado à maior banda de thrash metal não é pouca coisa, mas o LoG vai muito além de ser a continuidade de outra banda, sim, existe sim uma influência muito grande dos texanos ali, e também de outras, como o Slayer, com a qual, segundo o próprio vocalista Randy Blythe sua trupe soa mais parecida. O fato é que estão muito além de serem somente a sobra de algo passado, criaram sua própria identidade, com duplas de guitarras complexas, linhas de bateria extremamente bem desenhadas, baixo com peso e dando liga ao resto, e sobretudo um vocalista insano, gritando letras críticas sobre religião, política e alguns temas pessoais como a prisão de Randy há anos atrás. Próximos dos seus vinte anos de estrada, lá se vão oito álbuns de estúdio, (incluindo o homônimo de quando ainda se chamavam “Burn the Priest“), e num já longínquo 2003, surgia, há 16 anos atrás, “As the Palaces Burn“, o segundo disco sob o nome “Lamb of God“, e que no seu aniversário de dez anos, ganhou uma edição remasterizada, deixando de lado o som abafado da produção original, e está resenha se foca na edição mais recente, a qual prefiro e darei um ponto a mais na nota por esse fator, pois a obra original contém a mesma qualidade em termos musicais.

Sem delongas, indo ao que interessa, “Ruin” chega como uma voadora de dois pés no meio da cara, rápida, pesada, transbordando riffs pra todos lados, uma linha de bateria repleta de detalhes e quebradas, e como o baixo transparece nessa nova versão, a impressão de que ao invés de cordas, John Campbell usa cabos de aço em seu instrumento, e a pra fechar, Randy chega com a garganta e peito aberto num berro que já assusta as vovózinhas e qualquer um não familiarizado com o estilo, e suas mudanças de vozes aqui, mostram um trampo mais que fudido e porque dele ser reconhecido como um dos maiores frontmans atuais, cara é literalmente um insano em cima do palco.

Sem perder tempo algum, a faixa título já dá as caras como um muro de concreto caindo, a sensação de loucura da música da vontade de rodar pular, chutar, se jogar contra a parede, tamanha sua fúria. Em menos de três minutos, a sensação é de que um furacão passou pelo lugar e deixou tudo de pernas para o ar, e tudo ainda continua sem fôlego,”Purified” já chega anunciado que a tempestade ainda não passou, mais bumbos fritando, riffs e mais riffs desfilando sem trégua, e o clima continua num crescendo, cada vez mais a música vai se desenvolvendo numa loucura que nos transporta para um manicômio, e dessa vez ganhamos um solo, acompanhado de uma bateria que a toda hora muda de tempo, nos deixando perdidos no que acompanhar.

E antes do tempo para se pensar em algo, “11th Hour“, da as caras. Já sendo um dos vários clássico do LoG, a música abre com os bumbos em perfeita sincronia com baixo e guitarra, e um refrão com riffs gritantes, que impregnam na mente, incrível como conseguiram fazer uma faixa pesada ser tão grudenta, fato compreensível, pois a composição é tão rica, que nos dá vontade de ouvir cada vez prestando mais atenção em cada instrumento separado, e que trabalho da dupla Mark Morton e Willie Adler nas guitarras, sem dúvidas, umas das melhores dobradinhas já feita pelos dois, e que final, a vontade é de criar um mosh com a parede, que coisa foda, não há como ficar com a cabeça parada.

Já “For Your Malice” abre com uma pitada de Slayer, para depois termos uma passagem um pouco mais comedida, mais cadenciada, por pouco tempo, logo a loucura volta e junto os bate cabeça. Randy explode em fúria e lá está tudo outra vez, a sensação de sem fôlego, e mais quebradas de bateria que parecem mentira, tamanha habilidade nos pedais duplos. Apesar de ser um pouco repetitiva, outra faixa mais que foda, e dando espaço à “Boot Scraper“, essa já começa na fúria, com guitarras invocando um tema de filme de terror e Randy soando como um louco com seu vocal rasgado, e quanto groove desfila por aqui, chega a ser apelativo a forma como tudo está se encaixando perfeitamente, com adiantamentos e atrasos de tempos, e sem querer soar repetitivo, mas Chris Adler parece um maestro aqui ditando as regras e caminhos para o seguirem. E mais outro solo, daqueles de fazer os punhos se erguerem no ar no show, e antes de seu final, Randy gastando sua garganta é de outro mundo.

Opa, novamente um fuzilamento da bateria chama “A Devil In God’s Country“, outra faixa cheia de trocas de tempos, e riff invocando o fim do mundo, ou numa marcha para a guerra, seja lá de qual se trata, e falando em guerra, “In Defense of Our Good Name” mais parece um tanque de guerra passando por cima de tudo a sua frente tamanho a doideira de sua introdução, e mais uma vez, detalhe para a presença do baixo criando novos efeitos que enriquecem ainda mais a pedrada, uma das mais pesadas.

Blood Junkie” novamente traz um trabalho estupendo dos guitarristas na introdução, e vive oscilando em seu andamento, hora parecendo mais lenta, hora mais rápida, e sempre com peso predominando, e novamente, Chris invocando absurdos nas baquetas (sim, tenho um forte sentido na audição do cara), e em seu meio com contra tempos, temos a impressão de ouvir um discurso imposto tamanho sua força nos vocais.

Vigil“, outra já muito conhecida do público, traz um início dedilhado, dando espaço para Randy chamar o restante da trupe que chega num peso e groove absurdos, parece um caminhão de vigas tombando, e seguindo numa levada mais cadenciada, até seu meio, onde as coisas mudam, e a banda encerra o disco na forma de loucura, numa mudança extrema de ritmo, partindo para o chamariz dos Wall of Death nos show, ou até mesmo em frente ao som dentro do quarto. Ótimo encerramento.

A edição comemorativa ainda traz versões mais “caseiras” de “Ruin“, “As the Palaces Burn” e “Blood Junkie” que são bastante interessantes.

O caminho do Lamb of God se estendeu muito além desse disco, mas em momento algum perdendo a qualidade extrema de suas composições, e a assegurando seu nome como um dos maiores expoentes do gênero recentemente, e como somos agradecidos pelos presentes que esses caras nos deram.

9/10

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