Resenha: Korn – The Serenity of Suffering (2016)

by Marcio Machado

Depois de andar capenga das pernas, perder membros, quase encerrar de vez sua carreira, com lançamentos um tanto mornos, finalmente o Korn acerta a mão em um dos melhores discos do ano de 2016 e possível candidato a melhor da discografia da banda.

Desde “Take a Look in the Mirror – (2003)“, a banda vem se enroscando em experimentos que pouco acertaram ou agregaram ao som de Jonathan Davis e companhia. Desde mistureba com dubstep até um pseudo álbum “intelectual” em “Untitled – (2007)“, e promessas furadas de retorno às raízes em “Korn III – (2010)” e “Paradigm Shift – (2013)” não muito bem sucedidos, “The Serenity of Suffering” traz a aproximação ao som antigo da banda, principalmente do ótimo “Untouchables – (2001)” e vai além, traz o amadurecimento tanto musical como pessoal dos membros e prova que merece ainda resistir a todas as tribulações pelas quais passaram.

Indo ao que interessa, a porrada abre com “Insane“, uma porrada que faz parecer uma muralha caindo em cima de alguém tamanho peso das guitarras de James Munky e Brian Head, e esse último prova a diferença que faz quando em estúdio junto ao Korn, a química entre ambos, fora a cozinha, com Reginald Fieldy não usando mais um baixo só estralado, com real diferença em conjunto com as baquetas de Ray Luzier, que finalmente se achou e está a vontade no posto, soando as vezes como o antigo David Silveria, sem deixar de ser o próprio Ray, e em cima de tudo isso, Jonathan Davis apavora com sua voz, mostrando que o tempo só lhe fez bem, abrindo com um gutural sinistro e fazendo jus ao peso todo da faixa, ótimo começo.

Em seguida vem o primeiro single lançado para este trabalho, “Rotting in a Vain“, outra faixa pesada e cadenciada e com um puta refrão grudendo, e com sabor de nostalgia, JD ataca com suas scats vocais paranoicas e loucas que apareceram tímidas em “The Path of Totallity – (2011)” não davam as caras em um disco. Em pouco tempo se tornou uma das faixas favoritas dos fãs e não a toa, realmente se trata de um belo trabalho executado pelos caras, cheia de grooves e marcante, se torna destaque do álbum.

A cacetada continua com “Black is the Soul“, faixa que tem um pequeno flerte com o gótico e vem carregada e cheia de climão. Se trata daquelas trilhas melancólicas que a banda tanta se habituou a fazer e agora mostra a maturidade em executar algo assim. Que refrão temos aqui, e de novo a voz de Jonathan se mostra cheia de força e presença.

The Hating” também vem cheia de força e presença. Aqui nos lembramos da linha de baixo de outrora, e a leva lá do primeiro disco em um já longínquo 1994. Termina cheia de gritos ensandecidos e instrumental pesado chamando pro bate cabeça.

A quinta faixa do disco traz uma participação que há muito tempo fãs esperavam, Corey Taylor, vocalista do Slipknot solta a voz em parceria com Jonathan, numa música bem ao estilo New Metal pula pula, mas sinceramente, apesar de algo bacana e valendo-se como nostalgia, “A Different World” é uma boa música, mas a participação não agrega muito e se não acontecesse não faria diferença alguma, não passou de uma brincadeira entre dois amigos que estão se divertindo.

Take Me” nos joga de volta a 99, no álbum “Issues“, com um clipe que até lembra de longe “Make Me Bad“, em uma faixa meio pop, de fácil assimilação, não sendo algo ruim, ao contrário, uma das melhores do disco todo. Só uma pena ela não ter sido bem aproveitada durante a turnê do disco.

Chegamos aqui a faixa mais “Jonathan Davis” de todo o álbum, “Everything Falls Apart” é literalmente uma loucura jogada em forma de música. Com um vocal animalesco e completamente doido, onde Davis berra “There is Nothing in my Head” como um louco preso numa camisa de força ávido a se soltar em uma passagem, é uma das que mais marcam no disco todo. Grande trabalho, pesada e com um vocal fantástico se torna um clássico dentro da obra.

Die Yet Another Night”  é das faixas obscuras do disco, mas não passa despercebida devido a sua força no refrão, e que beleza temos aqui, cheio de força e impacto, a ponte também é maravilhosa e mesmo não se tratando dos destaques aqui, pode se tornar a favorita de muitos, inclusive deste que escreve.

Em “When You’re Not There” continua na mesma vibe da faixa anterior, carregada e também muito forte, tem um ritmo um pouco mais acelerado, mas continua ali o ar de melancolia e angústia. Mais um momento bem executado do disco.

Next Line” inicia com um trabalho de bateria e voz muito colados e soando completamente feitos uma para o outro, casam perfeitamente numa faixa de bom andamento e que cai num refrão mais brando e bastante melódico.

Please Come For Me” fecha o disco, longe de um encerramento como “My Gift To You” ou “Daddy“, traz um Korn comedido em certo ponto para um final que podia ser mais forte devido à tudo que foi apresentado até então, merecia um fechamento mais presente, boa faixa, mas não para um gran finale. 

Sendo o 12° álbum da banda, o Korn mostra o porque de ainda estar em atividade e que ainda pode render grandes trabalhos quando joga com criatividade sem abandonar suas principais características no trabalho para uma das maiores bandas dos anos 90.


9/10

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