Resenha de Show: Glenn Hughes em Curitiba

by Daniela Farah

O rock star Glenn Hughes se apresentou em Curitiba no dia 25 de abril. O show da turnê “Classic Deep Purple Live” foi realizado no Teatro Bom Jesus, no centro da cidade. Como tem acontecido em algumas apresentações por aqui, muita gente deixou para comprar ingresso na última hora, e se formou uma enorme fila. O teatro era relativamente pequeno e aconchegante. Por um lado surge a revolta de um artista com tamanha importância na história da música, como Glenn, tocar em um teatro deste porte. Por outro, foi uma experiência incrível para qualquer fã que teve a sorte de estar lá.

Jesper Bo ‘Jay Boe’ Hansen nos teclados. Fotógrafo: Allan Pavani.

Todos estavam ansiosos e sentados em seus lugares quando lá pelas 21:23 horas a luz azul que cobria o palco se apagou. O tecladista Jesper Bo ‘Jay Boe’ Hansen foi o primeiro a entrar, seguido de Fernando Escobedo na bateria e Søren Andersen na guitarra. Ao fundo, ouvia-se um som de uma rádio sintonizando. E Glenn Hughes entra no palco com um sorriso imenso no rosto.

Søren Andersen na guitarra. Fotógrafo: Allan Pavani

A plateia lotada se levantou imediatamente e começou a gritar, com aquela sensação de realização de sonho ao ver uma estrela de tamanha grandeza como Glenn tão pertinho. Aquele brilho adolescente de quem ouviu o álbum “Burn” pela primeira vez no quarto com os amigos, tomou conta de todos os homens e mulheres adultos.

Glenn Hughes é um frontman muito simpático, interagindo bastante com o público e demonstrando felicidade a cada carinho recebido. “Vocês vieram aqui para me ver? Porque eu vim aqui para ver vocês!”, disse o vocalista. Aliás, ele mostrou que sua voz continua magnífica no auge de seus 66 anos. O som era de uma qualidade tão grande que parecia playback. Mas não, era só Glenn soltando seus agudos lindamente.

Glenn Hughes em Curitiba. Fotógrafo: Allan Pavani

Apesar da estrela do show ser o baixista e vocalista, os outros músicos com quem ele dividiu o palco tiveram cada um seu momento solo e mostraram porque foram escolhidos a dedo para estarem ali. Glenn contou ao público que viajou o mundo inteiro para encontrar um baterista com a expertise do chileno Fernando Escobedo.

Fernando Escobedo na bateria. Fotógrafo: Allan Pavani

“Mistreated” é um caso a parte. Os primeiros acordes da guitarra arrancaram o público de seus lugares, que foram para o mais perto possível do palco. Com uma luz branca diretamente em cima dele, soltou aqueles agudos que só Glenn Hughes sabe dar. É o tipo de música que você fecha o olho e sente uma gratidão imensa por estar ali. (Obrigada, Glenn! Mais um sonho realizado na lista desta redatora!) Ele pediu para a galera cantar junto e quando ouviu os gritos emocionados dos fãs, apontou o coração.

A vibe “Woodstock” era tanta que “Love” foi a palavra mais falada pelo vocalista. “I Love to give the Love back that you have given to me. I Love you. Stay free.” (Eu amo devolver o amor que vocês têm me dado. Eu amo vocês. Fiquem livres.), disse. Além de repetir em diversos momentos a máxima “love is the answer, music is the healing” (Amor é a resposta, música é a cura.)

Como em outros shows aqui no Brasil (Brasília, São Paulo) Glenn dedicou “This Time Around” para Jon Lord. “Essa música foi escrita às três da manhã e eu estava muito cansado. E enquanto eu voltava para momentos da minha vida, eu olhava para o que passei e fiz essa canção.”

Grandes músicos têm esse poder de transportar o público para outra dimensão. Seja o canto do quarto ouvindo um vinil antigo, ou a sensação de amor e liberdade de uma geração que ficou na história. O que fica do show em Curitiba é a de que lendas existem por uma razão. “Thank you so much, Curitiba!” No, thank you Glenn!

Confira aqui o set list do show:

01 – Stormbringer
02 – Might Just take Your Live
03 – Sail Away
04 – Mistreated
05 – You Fool no One
06 – This Time Around
07 – Holy Man
08 – Gettin’ Tighter
09 – Smoke on the Water
10 – You Keep on Moving
11 – Burn
12 – Highway Star

Glenn Hughes e banda se despedindo de Curitiba. Fotógrafo: Allan Pavani.

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