Resenha de show: Blaze Bayley – Espaço Kubrick, Rio de Janeiro (16/01/2020)

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Noite de calor escaldante no “Hell de Janeiro”, que anunciaria a chegada de uma frente-fria horas mais tarde. Nem parecia que o sol havia se posto, visto que a sensação era de que mesmo a noite, havia um sol a pino. Mas isso não seria, como de fato não foi, razão para que os headbangers cariocas desprezassem o evento épico que estava para acontecer, ali naquela Lapa, berço do samba, mas que o Heavy Metal imponente pedia passagem.

E quem se dispôs a comparecer ao antigo (e acanhado) Teatro Odisséia, agora rebatizado de Espaço Kubrick, não se arrependeu. Ali estava o ex-vocalista do IRON MAIDEN, BLAZE BAYLEY, cantando músicas de seus dois álbuns registrados com a banda, “The X-Factor” e “Virtual XI“. E o que presenciamos ali, foi um show, literalmente falando, por parte do carismático vocalista.

Todos sabem da fama de boa praça que BLAZE tem e o cara já chegou se colocando no stand onde eram vendidos seu material de merchandising, posando para fotos com quem o solicitava (N. do R: óbvio que este que vos escreve aproveitou o momento e tietou a fera), tudo isso antes de o show começar, numa das muitas provas que ele ainda daria naquela noite de que não carrega consigo nenhum ressentimento pela péssima recepção que teve nos seus anos com a Donzela.

Antes de o ABSOLVA, banda composta por nada menos do que os próprios músicos de apoio de BLAZE, rolavam no PA clássicos como “Holy Wars...” (MEGADETH) e “Electric Eye” (JUDAS PRIEST), a ansiedade tomava conta dos presentes ali. E pontualmente às 20:00, a banda de abertura subiu ao palco.

ABSOLVA

Quem se atrasou achando que a banda iria igualmente atrasar o início, acabou perdendo boa parte ou toda a apresentação de uma banda bem legal. Os ingleses realmente são pontuais e exatamente às 20:00 eles subiram ao palco para apresentar seu set com nove músicas, em aproximadamente 50 minutos.

Confesso que não conhecia a banda dos irmãos Appleton, cujo um deles, Luke, que toca guitarra aqui, é baixista do ICED EARTH. Então era uma primeira oportunidade. Os caras irão lançar seu quinto disco em abril e eles fazem um Heavy Metal muito bem feito, bebendo na fonte de NWOBHM, com direito a duetos de guitarras extremamente bons. E o som estava a beira da perfeição. Impressionante o nível de profissionalismo dos caras.

O vocalista e guitarrista Chris Appleton afirmou ser um prazer estar pela primeira vez no Rio de Janeiro. Ao final, uma surpresa, Luke assumiu os vocais e a banda fez uma versão para “Wacthing Over Me“, de sua banda principal, que ganhou mais peso, embora tenha ficado mais cadenciada em relação a versão original.

Havia algum tempo que não assistia a uma apresentação tão boa. Era a minha primeira audição do ABSOLVA e irei procurar por discos dos caras. A casa foi enchendo a medida em que a apresentação da banda acontecia. Ou a galera não levou a sério a pontualidade britânica, ou estava apenas interessada na atração principal. E aos poucos, os metros mais próximos do palco foram sendo ocupados. É bom ter um show com uma casa cheia, ainda mais em uma cidade carente de uma cena forte.

Absolva em ação. Foto: Flávio Farias

Setlist ABSOLVA:
01 – Life on the Edge
02 – Rise Again
03 – Never a Good Day to Die
04 – Defiance
05 – No Tomorrow
06 – Legion
07 – From Beyoond the Light
08 – Watching Over Me
09 – Code Red

BLAZE BAYLEY

Se a banda de abertura fora pontual, Blaze se antecipou em 20 minutos ao horário previsto para o início. A estrela da noite subiu ao palco com uma camisa da Seleção Brasileira, enquanto ouvia os presentes gritando em uníssono “Olê Olê Olê Olê, Blaze Blaze”. E ele respondeu brincando com os fãs, perguntando se estava em São Paulo, Curitiba, Brasília ou Rio de Janeiro, enquanto que a banda de apoio já puxava os primeiros acordes de “Lord of the Flies“. O cara já estava com o público nas mãos e sua simpatia ímpar é uma receita simples e eficaz para que um show dê certo. E deu.

Blaze Bayley com a camisa da Seleção Brasileira. Logo logo ele a trocou por uma regata. Foto: Flávio Farias

A saga épica continuou com “Sign of the Cross“. Visivelmente emocionado, ele disse aos fãs que estes ocupam um lugar especial em seu coração, sendo ovacionado por todos. E esta não foi a única vez que ele conversou com seus fãs. Sempre falante, antes de apresentar “Fortunes of War“, ele disse que tem muitas boas lembranças do Rio de Janeiro. Ao apresentar a música “Virus“, ele fez outro discurso emocionante, onde ele disse aos presentes que se alguém disser que você não é bom o suficiente, que Blaze Bayley mandou avisar que você é sim, bom o suficiente. Era ali a voz da experiência, pois provavelmente muitos do que ali estavam foram críticos vorazes quando da passagem do vocalista pela Donzela de Ferro e que naquele momento estavam se redimindo do erro. Uma demonstração de humildade que muitos precisam ter acesso.

A apresentação foi em alto nível durante toda a sua extensão, porém, o ápice foi com “The Clansman” e este redator que vos escrevese obrigou a largar de mão da parte analítica para deixar a nostalgiar tomar conta de seu ser pelo menos por alguns instantes; É uma das músicas do IRON MAIDEN que eu mais curto e passou um filme na minha cabeça enquanto essa música era tocada. Simplesmente sensacional!

Sempre brincalhão, ao apresentar “The Angel and the Gambler“, Blaze disse que fizera uma nova versão para esta música e que se as pessoas gostassem dela, que o dissessem, mas que se achassem a versão uma m&%[email protected], que ninguém se manifestasse, gerando risos gerais. Era nítida a alegria do cara, que agradecia em português, com sotaque de um verdadeiro lorde inglês.

Com “Man on the Edge” e “Futureal“, ele apagou o fogo ateando gasolina, extasiando aos presentes, enquanto que a improvável “Como Estais Amigo” foi cantada por todos que ali estavam. Ao final, uma música que não era de sua época do IRON MAIDEN, a clássica “Doctor Doctor“, do UFO, fechou uma noite histórica, em que Blaze mostrou não ter nenhum tipo de ressentimento pelos tempos de má vontade com seu trabalho. Ao contrário, afirmou que precisa dos fãs. E eles responderam da melhor forma. Assim começou a temporada de shows na quente cidade carioca.

O Lorde Blaze. Foto: Flávio Farias

Setlist Blaze Bayley:
01 – Lord of the Flies
02 – Sign of the Cross
03 – Judgment of Heaven
04 – Fortunes of War
05 – When Two Worlds Collide
06 – Virus
07 – Lightning Strikes Twice
08 – The Clansman
09 – The Angel and the Gambler
10 – Man on the Edge
11 – Futureal
12 – Como Estais Amigo
13 – Doctor Doctor

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Flávio Farias
Barman, estudante de história, torcedor do Flamengo e apreciador do bom e velho rock and roll há pelo menos 30 anos, começou com o pop rock brasileiro dos anos 80, depois foi para o grunge e punk nos anos 90 até que após pegar emprestado uma fita cassete de 90 minutos, em que do lado 1 tinha a sua teenage band (Pearl jam) e do lado 2 tinha o Chaos A.D. Do Sepultura, com uma mina de quem ele era afim (infelizmente, a mina não deu nada mais além do que a fita), a vida dele mudou para sempre. Daí foi um pulo para escutar Metallica, Slayer, Blind Guardian, Anthrax, Cannibal Corpse, Pantera, Megadeth, Nevermore (a sua banda predileta), Lamb of God e claro, a mãe das mães de todas as bandas de Heavy Metal: Black Sabbath. Gosta muito de escrever, é fissurado por tudo que remeta à Segunda Guerra Mundial, também escreve um blog que conta histórias das Copas do Mundo e é um verdadeiro saudosista, isso explica a opção pelo curso que faz.