Resenha: Darkside – Fragments of Madness… At the Gates of Time (2018)

by Anderson Frota

Antes de começarmos, devemos estabelecer uma regra: para simplificação, ao longo da resenha, eu irei me referir ao presente trabalho apenas como “o disco”.

Mas como assim? Isso não é óbvio???

Não, não é. Não se trata apenas de um “disco”, mas também de um “documento”, um “registro histórico”. Uma oportunidade de resgate de momentos cruciais na construção e consolidação do Heavy Metal cearense.

Vamos, porém, pela ordem correta das coisas: tendo sido formada no começo da década de 90, a Darkside se estabeleceu como um dos nomes mais emblemáticos do cenário do estado. Isso, evidentemente, não aconteceu de uma hora pra outra e a existência da banda não escapou da inevitável intermitência de mudanças de formação, desfazimentos e ressurreições, tanto que seu primeiro álbum efetivo só veio a surgir quase vinte anos depois, mas enquanto tantos outros grupos ficaram pelo caminho, a Darkside foi resistindo através da persistência e da perseverança da pessoa que simboliza a sua encarnação física, o guitarrista Tales Groo.

Sendo um dos músicos mais atuantes e determinados da região, Tales manteve a Darkside viva em seus pensamentos mesmo quando o grupo adormecia em inatividade temporária. Não é necessário entrarmos em detalhes sobre a linha de tempo da banda, pois esta aparece narrada pelo guitarrista no encarte do disco e – faça um favor a você mesmo – cuide de o adquirir, pois a parte gráfica é um compêndio de informações, fotos, recortes e ilustrações bem farto, abrigado por uma capa cuja ilustração – em preto-e-branco – transparece coerência com o resgate do passado que o disco simboliza, tal qual um filme de terror antigo que, apesar da passagem do tempo, revela-se mais violento e assustador que tantas obras mais atuais.

Em 1991 e 1993, a banda registrou suas duas primeiras demo-tapes: “Fragments of Time” e “Gates to Madness”, com várias músicas que ainda hoje permanecem nos setlists de suas apresentações. Decerto que talvez, garimpando pela internet, fosse possível encontrar as versões originais, mas a despeito do charme de época que possuem e da afetividade que geraram, houve aqui a preocupação de oferecer algo mais.

Todas as faixas foram atualizadas e regravadas, mas mantendo a sua essência. Para a sua realização, foram convidados os antigos membros, que executaram suas partes em canções específicas, mesclando-se com os integrantes vigentes. Houve ausências, pelos mais variados motivos, mas estas não tiram o brilho do disco. Canções como “Suicide”, “Inferno” e a clássica “Spiral Zone” surgem com um vigor que as coloca em devida igualdade com o repertório recente da banda.

Não há necessidade de dissertar detalhadamente sobre músicas decanas, mas é válido apontar que, na inevitável comparação entre as versões, nota-se que as influências que inspiraram a Darkside, em cada faixa, continuam lá, mas hoje estão mais diluídas, mais proporcionalmente reduzidas perante a presença mais evidente e dominante do padrão Darkside de composição. Tudo isso nos leva a inevitável conclusão de que não se deve cair na armadilha de achar que o foco aqui é meramente o passado…

Não. Este é um disco para o futuro!

Músicas

01.Hare Krishna

02.Suicide

03.Fragments of Time

04.Spiral Zone

05.Gates to Madness

06.Inferno

07.The Guardian

08.Blessed By The Dark

09.Suicide (demo 1991)

10.Inferno (demo 1993)

11.Blessed By The Dark (demo 1996)

  • 9/10
    - 9.0/10
9/10

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