Resenha: Bad Wolves – Disobey (2018)

by Marcio Machado

Haja pescoço e pique! Isso é a melhor definição que se pode ter ao ouvir “Disobey”, primeiro disco da banda Bad Wolves. Que paulada esses meninos trouxeram em 2018. A banda tem um time de responsa e muita competência, temos na voz, Tommy Vext, que já foi do Divine Heresy, banda que formava ao lado de Dino Cazares (Fear Factory) e ficou a frente do Snot em sua reunião, o batera John Boecklin, ex Devildriver, os guitarristas Doc Coyle vindo do God Forbid e Chris Cain do Bury Your Dead e no baixo, Kyle Konkiel que já esteve no In This Moment, Vimic e no Scar the Martyr, as duas últimas ambas capitaneadas por Joey Jordison, ex Slipknot. O Bad Wolves destila peso e agressividade no seu debut, agregado à momentos mais harmoniosos que irão fazer os mais conservadores chiarem a rodo, porém, quem liga? O trampo é de qualidade!

Os primeiros acordes de “Officer Down” abrem o disco deixando claro que vamos ter bastante peso por aqui. Rápida, bateria quebrada, um baixo sufocante e um vocal rápido e raivoso fazem da abertura uma insanidade. Há uma quebra de ritmo indo pra um lado mais calmo que com certeza irá irritar alguns ouvidos, mas soa perfeitamente ali e não atrapalha em nada o andamento, mostra a versatilidade dos garotos. Há um solo aqui matador, acompanhado de uma cozinha em perfeita harmonia, começo forte!

Learn to Live” começa desenfreada e com um peso de uma montanha desmoronando! O vocal meio “rappeado” aparece aqui, puxando uma veia bem hardcore, em seguida cai num refrão chiclete que cola fácil na mente e nos faz cantar várias e várias vezes. Há uma passagem na metade da faixa que nos faz moshar na frente do som como se estivesse no show dos caras! Vai soar pesado assim lá longe. Das favoritas do disco. Insanidade pura!

Sem dar tempo pra descanso, “No Master” aparece no melhor estilo “pula pula”, com Tommy explorando drives mais limpos e mostrando que é um cara bastante versátil na voz. Tem mais um refrão ótimo que pega fácil e cantando em tons bastante altos. O baixo aqui da uma encorpada no andamento e belo trampo da batera cadenciada e com quebras. Temos também outro solo, mais sucinto, mas se encaixa muito bem aqui. E ainda há de se ressaltar o peso e groove das duas guitarras que soam maravilhosas.

A quarta faixa é a que mostrou o Bad Wolves ao mundo, e acaba por trazer uma história triste. Trata-se de um cover do The Cranberries para a faixa “Zombie“, onde a própria Dolores O’Riordan participaria da gravação, mas acabou nos deixando na data que fez a viagem para o trabalho. A banda resolveu manter a canção no disco e o fez honrando a memória da cantora, pois se trata de um dos melhores covers já feitos, tão boa quanto a original, grande trabalho onde se mistura peso e harmonia. A banda doou o lucro obtido com a faixa para a família de Dolores durante um show. O vídeo para a faixa há uma grande referência ao original e uma menção honrosa a cantora.

Voltando ao peso, “Run For Your Life” mistura peso e melodia na dose certa. Boecklin espanca a bateria sem dó, fuzila os pedais duplos, acompanhado pelo resto da banda de forma furiosa. E há de se mencionar novamente o belo trabalho de voz de Tommy aqui. O final é pesado e em clima caótico, condiz bastante com o título.

Remember When” é um momento mais calmo, mais metalcore, digamos assim. É uma faixa mais morna que as demais, não há muita mudança nas coisas e parece trilha de Transformers. É uma boa faixa ainda assim, só se perde nas demais.

Mantendo ainda o estilo mais metalcore em sua introdução “Better the Devil” começa com um andamento mais lento numa dobra de guitarras, mas logo explode num crescendo, com vocais rasgados e a banda voltando ao peso. O refrão é um loucura com frases rápidas e gritadas, há uma mudança no ritmo na segunda parte que é muito bem feita.

Jesus Slaves” começa com guitarras abafadas e com muito peso, muito mesmo. De novo temos um refrão ótimo, destaque para as “cavalgadas” que a batera da no seguimento, de uma complexidade bem grande e mostra que o menino John tem pleno domínio de seu instrumento. Mais uma que vai dar uma canseira no pescoço, principalmente em sua segunda metade, onde os malucos fazem de novo uma passagem extremamente violenta.

As coisas voltam a ficar meio mornas em “Hear me Now“. É uma espécie de balada que se apresenta, tem um andamento bacana e dentro dos padrões “metal moderno’, da uma leve esfriada no material. Legalzinha, e nada além.

Truth or Dare” ainda segura as coisas mais leves, mas diferente das demais, tem um andamento que soa melhor que as outras do tipo. Tem um refrão muito bom, e sua segunda metade tem uma passagem bastante viajada, com teclados dando ares e lembra algo de longe do Beetween the Buried and Me. Ainda bacana o que se encontra.

O plano até aqui parece ser dar uma acalmada no ritmo, pois “The Conversation“, apesar de ótimo riffs e uma levada bruta de bateria, num ritmo bem mais cadenciado e bom de se ouvir. Algo aqui me lembrou o
System of a Down.

Shape Shifter” é bem construída e se divide numa parte lenta e harmoniosa, outra ainda lenta e mais pesada, brincando com o death/prog metal de leve em passagens cheias de quebra e mudança de ritmos, assim como o Gojira fez em tempos de sua obra prima “Flying Whales“. Das melhores do disco todo.

Encerrando o disco, “Toast to the Ghost” é uma mistura de todas as passagens tanto do disco quanto das demais bandas que os integrantes já passaram. Há direito a blast beats, riffs ensandecidos, vocais hora limpos, hora cheio de raiva. Um final lento e muito pesado.

Um disco muito bom, com alguns pequenos deslizes, mas nada grave que acabou meio perdido em 2018, mas que é de uma grande competência e que fará muitos amarem, outros odiarem, mas o fato é que há boa música aqui e uma banda com um futuro bastante promissor pela frente.

8

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