Obituary: 15 anos de “Frozen in Time”

by Flávio Farias

Em 12 de julho de 2005, o OBITUARY lançava o seu quinto full-lenght, o primeiro após o retorno da banda. E “Frozen in Time” é uma espécie de continuação do álbum anterior, “Back From the Dead“, devido ao clina das músicas e as semelhanças. O que os separa são os 8 anos entre um lançamento e outro.

Em 1997, após a turnê de divulgação de “Back From the Dead“, a banda acabou se separando, alegando cansaço com os shows. A banda lançou o ao vivo “Dead” e desde então, os fãs se sentiram órfãos e sempre aguardavam alguma pista de que a banda voltaria em um futuro breve. Durante este hiato, Donald Tardy tocou na banda de Andrew W.K.; Allen West concentrou seus esforços no LOWBORW e no SIX FEET UNDER; Trevor Peres fundou o CATASTROPHIC.

Somente em 2003, a banda se reuniu e para alegria de todos, saiu em 2005 o álbum homenageado de hoje, seguido do primeiro DVD da banda, chamado “Frozen Alive“. E o caro leitor se prepare, pois eu irei citar algumas vezes este DVD, porque das dez faixas presentes no álbum de retorno dos caras, seis eu conheci no ao vivo, sendo este a minha referência.

Então, a mesma formação que gravou o álbum anterior, juntou-se ao produtor Mark Prator, com a banda assinando a co-produção e com Scott Burns na produção executiva. Ele, que voltaria a trabalhar com a banda desde “World Demise” (1994), marcaria sua despedida, uma vez que se aposentaria logo depois. E assim todos adentraram ao estúdio “Red Room Recorders“, em Tampa, Flórida e saíram de lá com essa belezura, que fora lançada pela “Roadrunner Records“.

Em 34 minutos, a banda retorna curta e grossa, em dez canções com média de 3 minutos cada. A mais extensa é a de fechamento, “Lockjaw“, com pouco mais de 4 minutos. Então vamos destrinchar faixa por faixa deste maravilhoso play;

Redneck Stomp” é a faixa instrumental que abre o play e aqui temos os riffs poderosos da dupla Trevor Peres e Allen West, juntamente com as batidas precisas de Donald Tardy. Simplesmente maravilhosa. “On the Floor” tem um andamento mais rápido, embora com uma breve grooveada no refrão. Aqui temos de volta aquele vocal desesperador, característico de John Tardy. Essa é música para abrir qualquer mosh e também para levantar defunto. Abertura melhor não poderia haver.

Insane” é uma das que lembram o que foi gravado em “Back From the Dead”; uma música com riffs infernais, mostrando que a separação não afetou o entrosamento de Trevor e West, além de outro show de Donald Tardy na bateria. É uma das minhas favoritas do play. “Blindsided” traz aquele climão típico do OBITUARY, um som mais arrastadão, com direito a partes mais grooveadas da bateria de Donald Tardy. O peso se mantém intacto e os berros insanos de John Tardy estão bem presentes aqui.

Back Inside” foi outra que conheci no DVD “Frozen Alive“. Uma música forte, pesada, mais cadenciada em suas estrofes, mas ganhando velocidade no refrão. A versão de estúdio é ótima, mas eu ainda fico com a versão ao vivo. Em “Mindset“, os caras tiram mais uma vez o pé do acelerador, então temos aquela atmosfera que só o OBITUARY sabe nos proporcionar quando flerta com o Doom. Excelente música.

Stand Alone” é outra que conheci no “Frozen Alive” e embora eu também prefira a versão ao vivo, a de estúdio tem uma energia impressionante, que justifica o fato de ao vivo ela ser mais poderosa e confesso que quando assisti ao DVD pela primeira vez, das músicas que não conhecia da banda, essa me chamou atenção, sendo por isso, “Stand Alone”, eleita por mim como a melhor deste play.

Slow Death” é carregada de Groove em sua intro e batidas que soam interessantes, mas nada comparado ao que bandas com mais conhecimento desse tipo de ritmo, como as brasileiras SEPULTURA, ANGRA e OVERDOSE, por exemplo, fariam muito melhor. Mas não vamos exigir muito dos reis do Death Metal. A música é boa, mesclando essas batidas da intro com o “Slowly” da música em sua extensão. É mais uma das que conheci ao vivo, excelente como todas as anteriores. Em “Denied” temos muito peso e riffs da dupla Trevor e Allen, mostrando que seguem afiados. Donald Tardy ajuda com sua pegada nervosa na bateria. Outra música excepcional,

E fechando com chave de ouro um disco que não tem uma música ruim, temos outra que conheci no famoso DVD da banda: “Lockjaw“, que começa com umas guitarras “Sabbathianas”… Sim, o pai de todos os guitarristas do Heavy Metal, o Sr. Tony Iommi, apareceu como influência nos riffs da intro deste sonzão, onde logo Donald Tardy chega com sua virada transformando a música em uma quebradeira só, e os riffs aparecem mais velozes, com direito a partes mais grooveadas no final. Essa música nasceu clássica. Que discão! Você nem percebe e já passou meia hora e tudo que o ouvinte faz é colocar para repetir. O que é bom dura pouco,

Por ser uma banda extrema, não é comum que os álbuns do OBITUARY figurem nos charts, porém, o álbum de retorno da banda obteve a 38ª posição no Top 100 da Polônia. E na tour deste álbum, foi gravado o primeiro vídeo dos caras. O sensacional “Frozen Alive”, que a banda nos brinda com uma das apresentações deste retorno, mesclando faixas antigas com atuais.

Assim conseguimos constatar que a melhor coisa que o OBITUARY fez lá em 1997, foi dar um tempo. Os caras voltaram revigorados, com sede de fazer som pesado e “Frozen in Time” é considerado por este que vos escreve como um dos melhores, senão o melhor lançamento da banda desde seu retorno. Eu tenho dúvidas entre este play e o “Inked in Blood“, que é outro petardo dos caras. Mas, enfim, hoje é dia de festejarmos esse álbum estupendo. O quinteto da Flórida não nos decepciona com seus lançamentos e tudo que podemos fazer é além de agradecer a existência deles, desejar também uma longa vida ao nosso “Bitu”.

Frozen in Time – Obituary
Data de lançamento – 12/07/2005
Gravadora – Roadrunner

Tracklisting:
01 – Redneck Stomp
02 – On the Floor
03 – Insane
04 – Blindsided
05 – Back Inside
06 – Mindset
07 – Stand Alone
08 – Slow Death
09 – Denied
10 – Lockjaw

Lineup:
John Tardy – Vocal
Donald Tardy – Bateria
Trevor Peres – Guitarra
Allen West – Guitarra
Frank Watkins – Baixo

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