Motörhead: 16 anos de “Inferno”

by Flávio Farias

Em 22 de junho de 2004, o MOTÖRHEAD lançava o décimo sétimo álbum de sua longeva carreira. E um dos álbuns que apagam as velinhas na data de hoje é “Inferno”, do qual iremos tratar.

Este é o sétimo disco da banda lançado pela “Steamhammer” e o segundo pela “Sanctuary”. Além disso, nosso aniversariante marcava a estreia com o produtor Cameron Webb. Sobre isso, o produtor disse que quando encontrou com Lemmy para discutir a possibilidade de fazer um álbum, Webb disse que gostaria de produzir um disco bem pesado, o que não foi muito bom, pois segundo ele, Lemmy gostava de fazer Rock and Roll e não necessariamente um álbum com muito peso. Porém, o resultado do trabalho nos mostrou uma mescla das duas coisas,

O baterista Mikkey Dee , hoje no SCORPIONS, disse em entrevista que o produtor não se intimidou com a postura de “rock star” da banda e exigiu muito deles durante as sessões de gravação.

Para o processo de composição, eles alugaram uma sala gigante de ensaios, em Los Angeles, onde ficaram por cerca de seis semanas escrevendo o material. Depois disso, a banda entrou em três estúdios para produzir o sucessor do excelente, mas não tão pesado “Hammered”: “NGR”, “Paramont” e “Maple Studios”. Vamos colocar a bolacha para rolar e destrinchar cada uma das doze faixas contidas aqui:

Terminal Show” é um ótimo Crossover Thrash Metal em um compasso mais acelerado, a cara do Motörhead, com direito a um solo bem sujo, praticado por um convidado mais que especial: Steve Vai. Uma ótima música, excelente abertura.

Killers” é um baita Rockão em que o ouvinte se imagina em um moto clube ou viajando em uma Harley Davidson. Essa tem um solo bem legal e a levada da música é de pura diversão, enquanto que “In the Name of Tragedy” é bem Hard, com bons riffs.

Suicide” é mais cadenciada, como se fosse um blues bem pesado, com riffs que se repetem a exaustão nas estrofes e um refrão gigante. O Rock and Roll puro volta com “Life’s a Bitch”, onde novamente a pegada única do MOTÖRHEAD entra em ação.

Down on me” tem riffs monstruosos em outra música que nos brinda com o crossover inegualável da banda e novamente a participação de Steve Vai no solo. Em “In the Black”, temos mais Rock and Roll sem firulas, direto e reto como Lemmy sempre se dedicou em vida.

Em “Fight” os riffs bem Thrash Metal retornam em uma música que é uma das favoritas deste redator. Ainda destaco a pegada certeira e as viradas fenomenais do competente Mikkey Dee. “In the Year of the Wolf” é aquela velha fórmula do MOTÖRHEAD se copiando e parece que você escuta a mesma música sendo reeditada em álbuns diferentes, mas nunca sem soar chata. É aquela levada gostosa do Rock And Roll que só Lemmy sabia fazer.

Keys to Kingdom” é bem bluesy, com direito a um solo bem atmosférico e super bem executado.

E as duas faixas finais, cujos títulos são bem engraçados, “Smiling Like a Killer” e “Whorehouse Blues“, dão o brilho final à obra: a primeira é pesada e intensa, enquanto que a segunda é um southern em que um inspirado Lemmy toma partido de tudo, dando um espetáculo no violão, enquanto uma gaita aparece vez por outra fazendo com que o ouvinte às vezes se esqueça de que está ouvindo um disco do Motörhead. Fantástico encerramento.

Em 48 minutos temos um disco simples, porém, muito pesado e uma audição de qualquer disco do MOTÖRHEAD é sempre prazerosa, por tudo que a banda representa. Particularmente, eu digo que a banda é um dos grandes pilares do Rock, tendo com certeza influenciado as bandas que o caro leitor curte nos dias de hoje e isso não pode ser ignorado.

Inferno” recebeu críticas positivas no geral, salvo um ou outro crítico musical que não aceitava muito esse direcionamento, digamos, reto, que a banda adotou no decorrer de sua carreira. Mas esta era a marca da banda e como dito acima, o próprio Lemmy dizia que sua banda era de Rock, ainda que com diversos outtros elementos que foram inseridos em sua música ao longo dos anos. Mas a história do MOTÖRHEAD já se aproximava do fim e a banda lançaria mais cinco discos antes de Lemmy ficar muito doente e acabar vindo a óbito, no final de 2015. E seu legado está ai para ser celebrado todos os dias.

Inferno – Motörhead
Data de lançamento – 22/06/2004
Gravadora – Steamhammer/Sanctuary

Tracklisting:
01 – Terminal Show
02 – Killers
03 – In the Name of Tragedy
04 – Suicide
05 – Life’s a Bitch
06 – Down on me
07 – In the Black
08 – Fight
09 – In the Year of the Wolf
10 – Keys to the Kingdom
11 – Smiling Like a Killer
12 – Whorehouse Blues

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