Metallica: 37 anos de “Kill’em All”

by Flávio Farias

25 de julho… Se essa não é a data mais importante para o Heavy Metal, ao menos é para a maior banda de Thrash Metal que o mundo já viu. E esta data é o marco zero da banda que foi pioneira no então emergente Thrash Metal, ainda que o METALLICA não seja nem sombra musicalmente do que foi nos primórdios, os caras são importantes não só nesta vertente, como no Heavy Metal em sua plenitude e gostemos ou não, eles se tornaram a banda mais bem-sucedida da história.

Mas nada disso teria acontecido se quatro jovens não tivessem lançado, lá em 25 de julho de 1983, o primeiro álbum. E “Kill’em All” é um álbum à frente de seu tempo, pois ali, o METALLICA estava na vanguarda com uma sonoridade rápida, agressiva, uma combinação da NWOBHM com o Punk, ditadas pelas palhetadas de James Hetfield em companhia do recém chegado Kirk Hammet, que vinha do EXODUS para substituir o problemático Dave Mustaine. A banda mostrou como diferencial também letras que eram opostas as do Hard Rock, então em evidência na época.

Sabemos dos problemas enfrentados pela banda nos meses anteriores à gravação deste disco: a relação da banda com seu guitarrista solo, Dave Mustaine, ia de mal a pior e a banda viajou da costa oeste para o leste dos Estados Unidos na busca de alguém que bancasse a gravação.

Os executivos das gravadoras que recusaram-se a lançar o disco que sairia com o nome de “Metal Up In Your Ass“, hoje devem se arrepender de não ter apostado seus milhares de dólares naquela que seria a sua galinha dos ovos de ouro. Porém, um certo Johnny Zazula, impressionado com o poder de fogo da banda, investiu e criou um selo para lançar o álbum, que acabou sendo rebatizado, após o baixista Cliff Burton, indignado por não aceitarem o nome original do play, bradou a quem quisesse escutar: “Matem a todos”.

Problema resolvido, guitarrista novo na banda, os caras entraram no “Music America Studios“, em Nova Iorque e iniciaram as gravações das músicas que já eram conhecidas do público que conhecia e acompanhava a banda. Com produção de Paul Curcio, que havia trabalhado com Carlos Santana, eis que o primeiro disco da banda veio a ser concebido, em 17 dias de sessões e a um custo estimado de “apenas” 18 mil dólares.

A abertura apoteótica se dá com “Hit The Lights“, um verdadeiro petardo do Metal na época e foi a primeira composição da banda. Uma música em que você pode perceber a capacidade de tocar de maneira rápida e instintiva da banda, mesmo que a produção não tenha ajudado.

“The Fourhorseman“é a música número dois e tem uma levada não tão rápida quanto a faixa anterior, mas muito interessante. A banda acabou trocando a letra e o título após a saída de Dave Mustaine, mas não tem problema: Musta lançou a versão original com um andamento mais rápido. As duas versões são ótimas, cada uma a sua maneira, mas como o redator aqui prefere andamentos mais rápidos, eu fico com “Mechanix”.

Motorbreath é uma das minhas faixas preferidas deste álbum, com seus riffs cavalgados e tocados a toda velocidade. Aqui cabe outra polêmica com o MEGADETH. Anos após o lançamento deste álbum, Dave Mustaine teria copiado os riffs desta música em uma composição chamada “FFF“, lançada no disco “Cryptic Writtings”. De qualquer forma, eu amo as duas músicas.

Intercalando uma música mais rápida e outra com andamento não tão rápido assim, temosJump In The Fire“, uma música que parece inofensiva, mas é bem interessante. Mais uma boa canção deste disco.

Uma “pausa” para um solo de baixo de Cliff Burton em Anesthesia (Pulling Teeth)” e aqui temos um lado mais experimental, com acompanhamento da bateria de Lars ao final. Reza a lenda que era esta a música que Cliff tocava quando James e Lars observavam-no tocar em sua antiga banda e eles ficaram alucinados quando caíram em sí que não se tratava de um guitarrista e sim de um baixista usando o pedal “wha-wah” para distorcer o som.

A banda retorna com seu som rápido e matador numa das músicas mais letais e insanas de sua carreira: “Whiplash”. Aqueles riffs de guitarras, embora ainda um tanto quanto primitivas levam o ouvinte ao delírio e a quebrada na velocidade do refrão dá o encaixe perfeito à música.

Phantom Lord” é a faixa número sete e traz uma mistura de andamentos, o início bem rápido, depois um andamento mais devagar, uns riffs mais pesados, para a volta com muita velocidade nas guitarras e Cliff Burton segurando bem a base enquanto as guitarras solam. Boa faixa.

A faixa a seguir, é “No Remorse“, outra das minhas prediletas deste álbum, com diversas mudanças de andamento. Para quem ainda não ouviu, recomendo que dê uma conferida na versão que o CANNIBAL CORPSE fez, na “hidden bonus track” do álbum “Gore Obsessed“. Os caras conseguiram melhorar o que já era ótimo.

Seek & Destroy” é até hoje o hino da banda e música obrigatória no set list de suas apresentações, uma música que não tem a velocidade como característica, mas que já mostrou de cara que os caras tinham talento para compor e isso seria demonstrado nos álbuns posteriores. Uma ótima canção e com refrão que gruda mesmo, não tem jeito.

Metal Militia” fecha o álbum com chave de ouro, em uma música que privilegia os riffs e a velocidade. Muito boa. Eu conheci essa música lá nos anos 90, quando assistia ao programa “Fúria“, na antiga MTV Brasil, que um dia teve o nome “Fúria Metal“, mas este que vos escreve não chegou a pegar essa época de ouro, acompanhei só o final, na segunda metade dos anos 1990, quando o mundo tentava dizer que o Metal estava morto e retiraram o “Metal” do nome do programa. E esta música era tema de abertura do programa. Pouco tempo eu estava com o CD nas mãos, influenciado por um grande amigo meu e assim eu poderia bater cabeça ao som deste hino do Thrash Metal.

Depois de 51 minutos de audição, podemos concluir que tínhamos uma banda que embora crua, fazia um som honesto, inovador e que certamente influenciaria as gerações que viriam a seguir. “Kill’em All” normalmente é considerado como um dos três melhores álbuns do METALLICA, isso quando não é considerado o melhor por alguns fãs mais Old-School.

O aniversariante de hoje demorou um bocado para figurar nas listas dos charts ao redor do mundo: a primeira aparição foi na “Billboard 200” em 1988, quando relançado pela Elektra e depois do sucesso de “Master of Puppets”, alcançou a posição de número 120. Na Finlândia, o álbum alcançou a 12ª posição; na Suécia ficou em 28º; 58º na Alemanha e o relançamento de 2016 chegou a posição de número 66 na “Billboard”. Foi certificado com disco de Ouro na Alemanha e no Reino Unido, Platina no Canadá e triplo Platina nos Estados Unidos.

Em 1988, “Kill’em All” foi relançado com duas faixas bônus: as já conhecidas versões que a banda fazia para “Am i Evil?”, do DIAMOND HEAD e “Blitzkreig”, da banda homônima inglesa e que podem ser encontrados nos discos “Garage Days…Re-Revisited” (1988) ou no “Garage Inc.” (1998).

Enfim, um álbum que, apesar de a produção não ter sido tão boa e da inexperiência dos jovens em estúdio, estamos diante de um grande disco que, se não é o melhor da história do Thrash Metal, foi o divisor de águas. E era somente o pontapé inicial do que seria a máquina de fazer dinheiro que se transformaria o METALLICA. O resto é história.

Kill’em All – Metallica
Data de lançamento – 25/07/1983
Gravadora – Megaforce Records

Tracklisting:
01 – Hit the Lights
02 – The Four Horseman
03 – Motörbreath
04 – Jump in the Fire
05 – Anesthesia (Pulling Teeth)
06 – Whiplash
07 – Phantom Lord
08 – No Resmorse
09 – Seek & Destroy
10 – Metal Militia

Lineup:
James Hetfield – Vocal/Guitarra base
Kirk Hammet – Guitarra solo
Cliff Burton – Baixo
Lars Ulrich – Bateria

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