Jornalismo: revistas de Rock/Metal – anos 50, 60, 70, 80 e 90

O Rock/Metal é sem dúvida um dos estilos mais populares do mundo, sua globalização é algo estrondoso, visto que nos quatro cantos do globo podemos encontramos este estilo que tanto amamos. Muito dessa popularidade está ligado ao jornalismo dedicado ao estilo, onde as revistas especializadas tiveram (e ainda tem) um papel de suma importância. Então hoje trarei pra vocês um pequeno histórico das revistas dedicadas ao Rock/Metal lançadas aqui no Brasil.

Anos 50

Muitos acreditam que Rock chegou em nosso país no início dos anos 80, entretanto em meados dos anos 50 já tinha uma grande massa de admiradores do estilo espalhado Brasil a dentro, estes que sofriam horrores para obter informações sobre sua banda favorita. A primeira publicação tupiniquim a trazer informações sobre o mundo do Rock foi a “Revista do Rádio”, no final da década de 50, onde nomes como Sergio Murilo, Tony Campelo e Carlos Gonzaga introduziam o estilo no país.

Anos 60

Mesmo com algumas revistas dedicando pequenas colunas ao estilo, como no caso da revista de letras “Eu Canto”, foi no início dos 60 que a “Revista do Rock”, editada pela jornalista e compositora Janette Adib, definiu um padrão de linguagem dedicado ao estilo, sendo esta a primeira a ser direcionada exclusivamente ao Rock.

Nesta época os aparelhos de televisão ainda não faziam parte da realidade dos Brasileiros, sendo exclusividade de uma minoria, desta forma a “Revista do Rock” teve o papel de personificar às vozes tão conhecidas através da rádio, além de trazer fofocas, pequenas biografias, letras das músicas e traduções de alguns sucessos internacionais.

Algumas outras revistas como a “Baby Face”, “Rock News” e “Os reis do Iê-iê-iê” também seguiram posteriormente esse padrão proposto pela “Revista do Rock”.

Anos 70

Em 1972 o jornalismo Rock do país foi surpreendido com a chegada da versão brasileira da popular revista estadunidense “Rolling Stone”. A versão nacional era chefiada por Luiz Carlos Maciel que tinha em sua equipe nomes iniciantes como, Tárik de Souza, Rose Marie Muraro, Ezequiel Neves e Ana Maria Bahiana. Sem contar que músicos e poetas como Capinan e Jorge Mautner contribuíam tecnicamente e teoricamente com a redação.

Com a chegada da “Rolling Stone” a principal mudança no jornalismo Rock estava ligado a visão crítica. Os editores por julgar o estilo como sendo arte, abordavam o produto como algo que estava longe de ser passageiro, portanto digno de uma avaliação mais complexa.

Composta sobre um papel jornal no formato grande, quase tabloide, a “Rolling Stone” rendeu apenas 36 edições, tendo seu fim em 1973. Mesmo assim foi de suma importância, pois abriu caminho para uma nova geração de jornalistas musicais.

Essa abertura deu origem ao “Jornal de Música e Som” que seguia o mesmo padrão da “Rolling Stone” e foi a primeira a dar oportunidade para artistas iniciantes do Rock Nacional. Outro ponto de destaque era que junto ao jornal vinha encartada a revista “A história e a glória do Rock”, que trazia biografias de grandes artistas ou grupos do Rock’ n’ Roll mundial.

Anos 80

O início dos anos 80 foi marcado pelo surgimento de várias revistas especializadas em Rock, porém muitas delas desapareciam do mercado com a mesma velocidade que eram lançadas, causando pouco impacto no jornalismo do estilo no país. Mesmo assim podemos destacar alguns nomes como, “Intervalo”, “Pipoca Moderna” e “Rock Passion”, que mesmo com pouco tempo de vida foram bastante comercializadas e discutidas.

Um ponto importante na década de 80 em relação ao jornalismo Rock é a explosão dos fanzines. Muitas dessas publicações amadoras eram impressas e divulgadas massivamente em shows e até mesmo em banca de jornais, tanto que uma das mais importantes revistas de Rock do país surgiu inicialmente no formato de fanzine, estou falando da “Rock Brigade”.

A “Rock Brigade” é a revista de música mais duradoura em circulação no Brasil. Lançada em fevereiro de 1981, seu conteúdo jornalístico além de trazer notícias e colunas dedicadas ao mundo do Rock/Metal em geral, também divulgava bandas independentes resenhando fitas e CDs “demo”. Desta forma, com um conteúdo informativo e profissional, a “Rock Brigade” foi durante longos anos a revista mais popular do estilo no país, inclusive ficando conhecida como a primeira a se especializar em Heavy Metal.

Outra revista a se popularizar na década de 80 foi a “Roll” lançada em 1983. A “Roll” era bem desenvolvida e foi usada de inspiração para a criação da importante revista “Bizz” publicada pela Editora Abril.

Anos 90

No início dos anos 90 uma segunda leva de revistas segmentadas surgiram, porém nenhuma delas conseguiu se firmar no mercado, não passando de um ou dois anos de vida, como no caso da “Top Rock” e “Backstage”. Uma exceção foi o jornal “International Magazine” de 1990, que dura, mesmo que timidamente, até os dias atuais.

A “Backstage” começou a circular gratuitamente como um fanzine fotocopiado, dois anos depois passou a ser impresso em formato tabloide e somente em 1992 passou a ser vendida no formato de revista propriamente dita. Já a “Top Rock”, que também foi lançada em 1992, teve desde seu primeiro número um acabamento profissional feito pela editora Trama, porém abordava os mesmos gêneros musicais da “Backstage”.

Na metade da década de 90, cinco revistas importantes nascem, “Dynamite” (1992) “Metalhead” (1994), “Rock Press” (1995), “Valhalla” (1996) e a “Roadie Crew” (1997). Por essas revistas abrirem um caminho grandioso para o jornalismo Rock atual, trarei na segunda parte desta matéria uma abordagem mais detalhada destes cinco nomes, além claro de destacar edições internacionais que tiveram uma publicação nacional.

 

Fontes:

-TCC  Rock em revista: “o jornalismo Rock no Brasil” de Rafael Machado Saldanha
(Aluno do Curso de Comunicação Social) Monografia apresentada à banca examinadora na
disciplina Projeto Experimental II.
Orientador acadêmico: Prof. Rodrigo Barbos

-Zinil (2006) O Rock ‘n’ Roll e as revistas : “o casamento perfeito” de Vladimir José Ribeiro

 

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Sobre: Fabrício Castilho

Fabrício Castilho

Nascido em 29 de novembro de 1980 na cidade de Pindamonhangaba, estudou musica durante 2 anos na FASC (faculdade de musica santa Cecília). Durante a juventude esteve de forma ativa no cenário metálico do vale, fazendo parte do projeto MAD METAL, que dispunha de um programa de radio que também era exibido online, alem de um programa de TV chamado VALE METAL exibido pela TV Vivax de Taubaté. Como musico Fabrício tocou no Brasil todo com a banda STEELGODS, vindo até mesmo a abrir um show do vocalista Jeff Scott Soto (ex- Yngwie Malmsteen ). Com a STEELGODS Fabrício gravou a demo “the first demo álbum”. Fabrício também participou durante três anos como vocalista das bandas, EXCALIBUR e SPACECRAFT, nessa ultima a banda contava através de musicas a historia do rock. Atualmente Fabrício leciona aulas Particulares de Baixo, violão e canto, alem de estar em processo de pré- produção de um disco conceitual chamado Olitizack.

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