Jerry Cantrell: comemorando seus 53 anos

by Marcio Machado

Jerry Fulton Cantrell Jr., nascido em Tacoma, cidade de Washington, em 18 de março de 1966, veio a se tornar mundialmente famoso quando fundou uma das principais bandas da cena grunge, o “Alice in Chains”, ao lado de Layne Staley. Apesar de fazer parte do estilo, o “AiC” sempre se diferenciou das demais bandas por trazer um trabalho mais complexo em suas composições, principalmente o peso nas guitarras de Cantrell, que traz uma forte influência do “Black Sabbath”, o que fica evidente, principalmente em seus discos solos.

Cantrell era o mais velho de três irmãos, filho de Jerry Fulton Cantrell e Gloria Jean Krumpos, o futuro guitarrista enfrentou a separação dos pais aos sete anos, onde passou a viver com a mãe e a avó.

Trabalhando em uma loja de disco, paralelamente Cantrell já começava a trilhar seu caminho na música, com a banda local “Diamond Lie“. Além de alguns covers, a banda contava com algumas canções próprias, e faziam shows em Seattle e Tacoma, na tentativa de conseguir um contrato com alguma gravadora, e foi nesse mesmo ano que Jerry sofreu um dos baques que mudariam radicalmente sua vida, sua avó Dorothy morreu devido a um câncer, em outubro daquele ano. Jerry ainda manteve seus planos, mesmo se sentindo extremamente abalado, e em menos de um ano, outro golpe mais forte da vida, em abril de 87, a mãe do músico também faleceu, aos 43 anos, também devido a  um câncer. Cantrell nessa época tinha seus 21 anos, e quem vivia ao redor do músico, disse que isso o fez mudar de comportamento radicalmente, se tornando uma pessoa mais fechada, mais melancólica e depressiva.

Mesmo com esses problemas, Jerry ainda seguiu adiante com a sua banda, na tentativa de ainda fazer funcionar, e foi naquele ano, semanas após sua lastimável perda que ele foi à um show em sua cidade, no “Tacoma Little Theater”, uma casa de shows local. Ele ainda não sabia, mas ali começava sua escalada para colocar seu nome na música, a banda que ali tocava era a banda de glam metal, “Alice N’Chains“.

Em julho de 87, o “Diamond Lie” fez seu último show. Semanas depois, Cantrell voltou a outro show do “Alice N’Chains“,  e conheceu o então vocalista, Layne Staley, de início, havendo uma boa troca de experiências entre os dois, e com Jerry passando por problemas de moradia, este foi morar com Staley em um galpão de ensaio, lugar que o próprio afirma não ser o mais confortável nem higiênico do mundo, mas foi nesse mesmo lugar que começaram algumas composições, algumas contribuições, e assim surgia o “Alice in Chains”.

“Facelift”,  o primeiro disco da banda foi um sucesso e mostrou como Cantrell fazia toda a diferença, se tornando assim o “cabeça” da banda, sendo nas melodias, composições e seus vocais. Mas o sucesso da banda foi sendo prejudicado devido aos problemas com drogas de Staley, fazendo o ritmo de shows cair, até haver um rompimento em 98, quando Layne fazia algumas apresentações com o “Mad Season”, dando espaço para Jerry compor e lançar seu primeiro trabalho solo, “Boggy Depot”, disco este que contou com a presença de além de alguns membros do próprio “Alice in Chains“, Rex Brown, o então baixista da banda “Pantera” com quem tinha bastante proximidade. O disco alcançou um bom rendimento, tendo músicas entrando no top 5 da Billboard. Neste mesmo ano, Cantrell voltou a se reunir com o “Alice in Chains” gravando duas músicas inéditas, mas ainda assim, eles estagnaram suas atividades, até então o ano de 2002, quando houve a morte de Layne Staley, e assim sendo, colocando um fim a banda até então.

No mesmo ano de morte de Layne, Cantrell lançou seu segundo trabalho solo, “Degradation Trip” era um álbum com mais cara de “AiC” , e era uma homenagem ao amigo que havia falecido meses antes do lançamento. Este trabalho contava com nomes fortes da música, como a banda que acompanhava Jerry, sendo Robert Trujillo, do “Metallica” no baixo e Mike Bordin, do “Faith no More“, na bateria. O guitarrista então decidiu por fazer alguns shows divulgando o trabalho, e foi assim que conheceu William Duvall, que seria o guitarrista base e co-vocalista.

Em 2004, Jerry fez uma participação no disco de lançamento do “Damageplan”, banda de Dimmebag Darrel e Vinnie Paul, ex-Pantera, na faixa, “Ashes to Ashes“,  e no ano seguinte, fez uma pequena reunião com o “Alice in Chains“, tocando em um evento em prol das vítimas de um tsunami na Ásia, na ocasião, o vocalista foi Pat Lanchman, do “Damageplan“, este se mostrou bem a vontade frente o “AiC” tendo até algumas pequenas semelhanças com o timbre de Layne que fez pensar se a banda não voltaria às atividades com o próprio, mas isso não se concretizou.

Mas em 2006, Jerry resolveu mais uma vez se reunir com seus velhos companheiros para uma leva de shows, sendo agora o posto de vocalista ocupado por Willian Duvall, o mesmo dos shows solos, tocando em alguns festivais, contando ainda com algumas participações como James Hetfield do “Metallica” e Sebastian Bach, “ex-Skid Row”  que na época excurisonava com seu disco solo.
Vendo a boa receptividade que a banda teve com aquela formação, foi decidido que finalmente voltariam as atividades, e prometeram um disco novo em breve.

Passados dois anos, e 14 pós o último lançamento oficial, o “Alice in Chains” entregava “Black Gives Away to Blue“, com a nova cara, algumas mudanças na sonoridade, mas nada que fizesse se perderem, soando ainda como o “AiC“, mas com algumas pitadas novas. A principal mudança desse período, é que Jerry passa a ser o vocalista principal, e o faz com maestria, tendo achado em William, um ótimo parceiro para os duetos.

O disco foi bem aceito, a banda se solidificou mais uma vez,e assim Cantrell provou ter o direito de seguir com o nome, ainda lançando outro disco em 2013, “The Devil Put Dinossaur Here“, que trazia mais proximidade ao estilo antigo, com melodia pesadas e melancólicas, e ainda uma pequena homenagem à Layne Staley no vídeo da música “Voices“,  onde uma pequena foto do vocalista aparece em determinado momento.

Atualmente a banda e Jerry estão em turnê para divulgar o último trabalho de estúdio lançado em 2018, “Rainier Fog”  novo trabalho que foi que foi muito bem recebido por fãs e críticas numa sonoridade densa e pesada característica da banda e carregado das influências de Cantrell.

E no dia de hoje, comemoramos então os 53 anos de um dos principais guitarristas da década de 90, a data de vida de um mestre no que faz, de um dos músicos com mais identidade e versatilidade. Parabéns Jerry Cantrell, que continue por anos e anos nos entregando o que tem de melhor!!

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