Iron Maiden: conspirações nas capas dos álbuns – parte 1

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Texto originalmente escrito por Ricardo Lira:

Olá amigos e fãs do Iron Maiden. Esta é uma pesquisa realizada sobre uma série de sutilezas encontradas nas capas dos álbuns da banda. Não no que concerne àqueles minúsculos detalhes em “Powerslave”, “Somewhere In Time” ou “Seventh Son”, mas símbolos, imagens e/ou jogos de palavras que expressam a vigilância da banda em torno do comportamento dos músicos em cada época.

Alguns desses comportamentos ou movimentações estão explicitamente traduzidas nas capas, como é o caso do single “Hallowed Be Thy Name”, onde Bruce Dickinson é cravado por um tridente. Este humor negro, típico de Eddie, como todos sabem, é desenhado logo após Bruce ter se despedido da banda no Pinewood Studios (ver: Raising Hell). Mas se isso é uma expressão do que já aconteceu, imaginem se houvesse capas que prenunciassem o que aconteceria? E imaginem se em cada fase da discografia da banda houvesse um desenho ou uma mensagem direcionada a falar deste ou daquele integrante em particular? Algo que o Iron Maiden quisesse sugestionar sobre entrada, saída, troca de integrantes, medos pessoais, e até mesmo manipulação?

Um dia, ao sentar para anotar mais desses elementos nos álbuns, comecei a ver algo ali tomando forma. Deixei a percepção fluir e acabei vendo através daquelas linhas da Matrix escorrendo no monitor, ou dos motivos que poderiam estar além da beleza das capas.

A pesquisa não deve ser levada tão a sério, claro. Por mais que eu tenha espalhado alguns aforismos pelas fases, nada aqui é formal e conclusivo como aquelas teses chatas e cheias de firulas. É entretenimento, certo? Mas mesmo assim, uma coisa tenho certeza: algo aí deve fazer sentido!

Are you ready?

1980: IRON MAIDEN

A primeira fase do Maiden na discografia é singular. Em torno de 1 LP, há 3 singles. Dois singles é o que a banda teria em quase cada etapa de sua discografia, mas nesse início a banda fez questão de adicionar um 3o. single, perto do final de 1980, chamado “Women In Uniform”. Tenho certeza que muitos de vocês já visualizaram a capa do próprio.

Esta fase referencia a própria banda e Dennis Stratton.

As ruas estão quase vazias, mas há um assassinato em uma determinada esquina. Nela, a vítima é a ministra inglesa Margaret Thatcher. Nas estórias que ouvimos ou no significado imediato que nos vem à cabeça, ela arrancou um pôster da banda e foi morta pela ousadia, por Eddie. Porém Thatcher foi referida por um jornalista soviético como “Dama de Ferro” – um nome que muitos fãs pensaram ter sido a origem do nome da banda. Ok, não importa discutir isso agora, mas em todo caso, Iron Lady –> Iron Maiden.

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É difícil imaginar, mas, esquecendo o heroísmo de Eddie e perseguindo o simbolismo da cena, alguém esfaqueou a Dama de Ferro, ou melhor o Iron Maiden, pelas costas. Se houve um integrante fazendo isso, segundo a própria história oficial, ouvindo música que não fosse Heavy Metal e saindo com roadies ao invés de com os próprios companheiros de banda, esse alguém foi Dennis Stratton.

Por favor, não tentem comparar a estrutura física de Eddie com Dennis Stratton. Não se trata disso, se trata de desvendarmos uma incógnita. Vejam abaixo que a capa de “Women In Uniform” ressalta essa persona saindo com outros que não sejam da tropa. “Iron Maiden” é a tropa uniformizada e está de prontidão na esquina para detonar o “civil”, o traidor que não veste a mesma camisa.

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Notem que ela está logo abaixo do nome “IRON MAIDEN”, simbolizando a banda. O single gerou o primeiro clipe promocional – o último trabalho de Dennis Stratton pouco antes de ser demitido.

1981: KILLERS + MAIDEN JAPAN

A segunda fase da discografia Maiden faz referência a Paul Di’Anno.

No álbum Killers, a vítima que se agarra a Eddie usa um blusão com abotoaduras. Dizem que ainda é Thatcher. Não. Isso não é um braço feminino. Vejam as mãos; não são mãos de uma mulher velha, ou mesmo mulher jovem. Nota-se em um braço o tipo de blusão que está vestindo, semelhante ao que Paul usou durante parte da turnê. Ele apenas a usaria na Killer World Tour.

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Não fosse um deslize de distribuição pela EMI, em 1987, porém, talvez nunca soubéssemos, mas o fato é que o EP “Maiden Japan” que saiu na Venezuela, foi impresso com sua capa original e vetada (sim, esta foi a primeira capa desenhada por Derek Riggs para o EP). Nela, Eddie segura a cabeça arrancada de Paul Di’Anno em cima do palco. E a arma que ele usou para isso? No chão do palco. Uma katana? Podem apostar que não.

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Notem o braço estendido usando a mesma roupa, e a arma do crime. Killers é o álbum dos matadores de Paul.

1982: THE NUMBER OF THE BEAST

“The Number of the Beast” é o álbum da aceitação de Bruce e da derrocada de Clive Burr. Há um conflito, um Eddie duelando com o diabo nessa fase. A capa do LP sugere manipulação, e ao final da disputa por poder, Eddie corta a cabeça do diabo, que poderia muito bem ser a oposição ou um incômodo dentro do Maiden.

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Eu não saberia dizer se Eddie aqui representa diretamente Bruce e uma briga por posição com Clive, no Maiden. Não há nada nos arquivos históricos da banda contando sobre qualquer conflito entre os dois, então vou deixar a cargo de quem quiser especular. De qualquer forma, há algo muito interessante sobre isso nos comentários finais.

Seguindo a tradição das cabeças cortadas, ao final do ano, um novo membro está fora da banda: Clive Burr.

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Isso faz algum sentido, mas ainda não parece “convencer” que Clive Burr seja esse diabo. Em todo caso, continuem lendo o que vem a seguir…

1983: PIECE OF MIND + FLIGHT OF ICARUS

O álbum “Piece of Mind” – que é uma brincadeira de palavras com “Peace of Mind”, deveria dar mesmo à banda um sentido de paz mental, ou calma e estabilidade no período que seguiria.

Este álbum é o passo seguinte à substituição de Clive Burr por Nicko McBrain e é mesmo o álbum da banda que referencia Nicko.

Percebam de cara: “Mind” e “Brain”.

Duas coisas de menor importância, mas que devo citar, estão no álbum e são as marcas do novo baterista. A primeira delas é a introdução característica de sua bateria na primeira faixa, “Where Eagles Dare” e a segunda aquela fala inversa antes de “Still Life”, em dialeto rastafari. É a voz do Nicko.

Agora vamos a maiores importâncias. No palco (eu não sei se em todos os shows), havia um cérebro escorrendo fluído em direção ao baterista. Novamente, Mind –> McBrain.

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Voltando agora sobre a coisa do diabo ser Clive Burr (lembrando que de forma alegórica, por favor), notem a capa do single “Run to the Hills”. Algumas pessoas ainda não viram, mas o diabo possui asas. Se não, notem o contorno das sombras em volta dele, pegando os raios e as nuvens.

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Sim, elas também podem ser vistas no LP “The Number of the Beast”. Não é apenas uma mancha escura no álbum.

Notaram? Agora notem mais uma coisa. Ainda no LP “The Number of the Beast”, a mão direita de Eddie parece não só querer manipular o diabo, como está aberta bem acima da ponta da asa esquerda do diabo, como se fosse arrancá-la, possuí-lo, tomar sua posição.

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Bem, um passo a mais e vocês vão notar a mágica tomando forma. Em 1983, Eddie de fato toma a posição do diabo!

Ícaro é o carinha que voa muito alto, mas tem suas asas queimadas ao final. A metáfora serve. Como se tudo ainda não bastasse, quem seria o personagem que substituiu esse “diabo”, no clipe de “Flight of Icarus”?

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Para quem viu o documentário “The History of Iron Maiden – Part 1: The Early Days”, a entrada de Nicko McBrain foi marcada por ele atuar no clipe de Flight of Icarus. O McBrain segura a “Mind”.

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1984: POWERSLAVE + SINGLES

Esta fase representa Bruce Dickinson e os primeiros sintomas de estabilidade na banda, já que não houveram mudanças na formação.

Para começar, o vocalista é graduado pela Queen Mary University, em História. Ao tocar em sua primeira banda, Paradox, Bruce sugeriu mudar o nome dela para Styx – o rio para onde eram enviados os coléricos a se afogarem nas águas sujas da eternidade. É dele a composição do título-tema do álbum, “Powerslave” que fala… bom eu não preciso dizer sobre o que fala. Suas vestimentas no palco o fazem assumir a postura de uma deidade egípcia. Em última instância, a World Slavery Tour leva o apelo do “sacrifício” de Bruce na banda, por ter sido extremamente exaustiva – mas talvez eu começasse a especular mais do que o necessário.

Vamos aos singles…

O clipe de “2 Minutes to Midnight” não tem nada de notável, excetuando-se o lugar onde é filmado uma parte no interior de um apartamento, com guerrilheiros, que calhou de ser o apartamento onde Bruce morava quando jovem, em Worksop. Há uma entrevista com ele dizendo isso, se não me engano no DVD “The History of Iron Maiden – Part 2: Live After Death”.

Já o single de “Aces High”, apesar da canção ser uma composição exclusiva de Harris, parece ser uma junção de História com a vocação de Bruce em ser piloto de avião.

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1986: SOMEWHERE IN TIME + SINGLES

Este álbum representa Adrian Smith.

É o único álbum a ter composição de Adrian sem coparticipação. São 3 músicas só de sua autoria: “Wasted Years”, “Sea of Madness” e “Stranger In a Strange Land”. Inédito também é o fato de duas delas terem virado os singles do álbum.

Falando em singles, é a primeira e única vez na discografia do Maiden em que as covers não representam qualquer influência musical do grupo. “Reach Out”, “That Girl” e “Juanita” são todas faixas contemporâneas, composições de conhecidos do Adrian que inclusive tocaram no projeto The Whole Population of Hackney (Harris aprovou as músicas da gravação de um desses shows). Foi dito também que Adrian gravou as guitarras e o baixo de uma ou duas dessas B-sides.

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O que teria acontecido com Harris, pergunto?

Sobrou uma faixa desses singles, que não mencionei. “Sheriff of Huddersfield”, que apesar de ser uma composição do Iron Maiden, não foi poupada do legado Adrian. Ela simplesmente foi aproveitada da música “Life In The City”, da banda Urchin, de Adrian Smith.

Um álbum feito para manter o guitarrista na banda? Quem sabe?

Continua…

Confira também a parte 2

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Sobre: Alexandre Temoteo

Alexandre Temoteo

Fã de Heavy Metal desde a segunda metade dos 80's, tem como bandas favoritas o Iron Maiden e o Judas Priest. Divide seu tempo entre trabalho, família e colaborando com matérias e resenhas para diversos canais, como o Detector de Metal e o Iron Maiden Brasil Notícias

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