Iron Maiden: 20 anos de “Brave New World”

by Flávio Farias

29 de maio de 2000, o dia em que o décimo segundo álbum do IRON MAIDEN foi lançado. E “Brave New World” não se tratava de um álbum qualquer. Ele marca o retorno de Bruce Dickinson nos vocais, após uma passagem um tanto quanto injusta de Blaze Bayley, que gravou dois álbuns com a donzela na década anterior. E também temos o retorno, bem menos badalado, do guitarrista Adrian Smith, que se juntava a Dave Murray e Janick Gears, este último que havia assumido o lugar do próprio Adrian, em 1990.

Com a demissão de Blaze Bayley logo depois do lançamento de “Virtual XI”, foi anunciado o retorno de Bruce, que deixou o mundo boquiaberto, ainda mais pelo fato de que o frontman estava em sua carreira solo muito bem-sucedida, e naquele momento, estava no ápice. Ainda assim, ele resolveu deixar tudo de lado e apostou na bola de segurança.

Algumas das músicas presentes aqui foram compostas ainda na época de Blaze e que por alguma razão não foram incluídas no álbum “Virtual XI”. As músicas são “The Nomad”, “The Mercenary” e “Dream of Mirrors”, esta última, inclusive, com participação do ex-vocalista na composição, porém, ele não foi creditado.

Steve Harris afirmou em entrevistas que “Blood Brothers” teve seu processo de composição iniciado também no final da década de 1990, não ficando pronta em tempo de ser incluída no álbum derradeiro de Blaze Bayley na banda.

Assim sendo, o agora sexteto se reuniu no “Guillaume Tell Studios”, em Paris, com a masterização feita no “Sterling Sound”, em Nova Iorque. E o mandatário da banda, Steve Harris assinou a produção da bolacha, cuja capa teve participação de Derek Riggs. Era a última vez que o artista colaboraria com a Donzela.

Botando a bolacha para rolar, temos nas seis primeiras faixas que nasceram clássicas: “The Wickerman”, o primeiro single e a música mais conhecida deste play. Em que o IRON mantém a pegada dos álbuns anteriores, principalmente os da fase Blaze, em que o lado progressivo é bem explorado, com direito a um refrão grudento.

Ghost of Navigator” é outra que não fica atrás, com uma atmosfera muito boa e repleta de partes complexas, que, apesar de ser uma escolha difícil, é uma das minhas favoritas; a faixa título chega e embora não seja tão enérgica quanto as duas faixas anteriores, é dotada de um clima simplesmente sensacional.

Em “Blood Brothers”, temos uma música que nos remete um pouco a algumas coisas que o IRON fez, principalmente em “Piece of Mind”. É uma faixa mais Hard e bem densa, com letra foi composta por Steve Harris em homenagem ao seu falecido pai. enquanto que “The Mercenary” traz de volta a energia visceral das primeiras faixas. É outra excelente canção.

Dream of Mirrors” é outra que divide a minha predileção do aniversariante de hoje, uma música que começa bem calminha e o vocal de Bruce é o grande destaque, mas a medida que a música se aproxima do final, ela fica mais veloz e ganha mais peso. Simplesmente é uma das melhores músicas de toda a carreira da banda, em minha opinião.

The Fallen Angel” começa bem pesada em uma música bem interessante, ainda que não seja brilhante quanto as seis primeiras, mas que ainda assim vale a pena a audição.

The Nomad” tem bons riffs e é bem pesada, com uma vibe bem Hard e o ouvinte desavisado pode achar que é música da carreira solo de Bruce. Mesmo que com seus nove minutos ela se torne pedante em um certo momento, é uma boa música.

Out of the Silent Planet” traz mais deste IRON MAIDEN que flerta intensamente com o Progressive Metal, em uma música em que temos bastante mudanças em seu andamento, com destaque para o baixo cavalgado de Steve Harris, que como sempre destila qualidade. E o refrão gruda como chiclete em nossas mentes.

The Thin Lines Between Love and Hate” é um baita Hard N’ Heavy que fecha bem a obra. Com riffs simples e que se repetem em boa parte da música, com algumas mudanças, essa música é muito boa, principalmente em seus solos.

E assim temos um álbum que em seus pouco mais de 66 minutos é brilhante e distancia o IRON MAIDEN do Heavy Metal tradicional que o consagrou. E essa sutil mudança representou um amadurecimento no som e mesmo que não fosse a primeira vez que a banda tomasse esse direcionamento, aqui em “Brave New World” o ápice é alcançado.

A recepção de “Brave New World” foi ótima, conforme esperado, tanto pela crítica especializada quanto pelos fãs. Estes, por sua vez, cessariam a chatice que protagonizaram com Blaze Bayley e terminariam também, as constantes comparações. E isso também se refletiu no desempenho da banda nos charts ao redor do mundo: 1º lugar na Suécia, 2º na Finlândia, 3º na Alemanha e na Itália, 4º na Noruega, 7º no Reino Unido, 9º na Suíça, 10º na Áustria e 39º na famosa “Billboard 200”. O álbum vendeu mais de 300 mil cópias somente nos Estados Unidos, até o ano de 2008.

Enfim, um ótimo álbum, que se faz necessário na coleção de qualquer fã do IRON MAIDEN e que vai envelhecendo bem, obrigado. Desejamos uma longa vida à Donzela de Ferro e uma boa opção para que o leitor possa escutar. Não se esqueça de seguir as recomendações da OMS e fique em casa.

Brave New World – Iron Maiden
Data de lançamento: 29/05/2000
Gravadora: EMI

Tracklisting:
01 – The Wickerman
02 – Ghost of Navigator
03 – Brave New World
04 – Blood Brothers
05 – The Mercenary
06 – Dream of Mirrors
07 – The Fallen Angel
08 – The Nomad
09 – Out of the Silent Planet
10 – The Thin Line Between Love and Hate

Lineup:
Bruce Dickinson – Vocal
Steve Harris – Baixo
Dave Murray – Guitarra
Adrian Smith – Guitarra
Janick Gears – Guitarra
Nicko McBrain – Bateria

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