Iced Earth: 24 anos de “The Dark Saga”

by Flávio Farias

Em 23 de julho de 1996, o ICED EARTH lançava o seu quarto e provavelmente, o mais emblemático disco de sua carreira. Ao menos para este redator que vos escreve, trata-se do melhor registro da banda: E “The dark Saga” nascia clássico.

A banda vinha de um outro excelente álbum, “Burnt Offerings” e sabia da responsabilidade em se superar. Então a banda juntou-se ao produtor Jim Morris, tendo Jon Schaffer na co-produção e assim todos foram ao famoso “Morrisound Studios“, em Tampa, Flórida, onde permaneceram entre os meses de janeiro e fevereiro de 1996.

E a superação se deu através de uma mudança considerável na sonoridade da banda, uma vez que o nosso aniversariante de hoje tem um viés muito mais melódico, comparado com o clima do álbum anterior. Jon Schaffer disse que a mudança se deu em razão de ter ocorrido um sentimento mais positivo no processo de composição, ao contrário do antecessor. Ele ainda acrescentou que o direcionamento alcançado com “Burnt Offerings” não era sua intenção inicial.

The Dark Saga” seria o último registro do baixista Dave Abell, que sairia da banda logo após o término das gravações. O curioso é que, apesar de ele ser citado no encarte do álbum, na foto da banda, é Keith Menser quem aparece. Keith seria o substituto de Abell, porém, como ele não conhecia nenhuma das músicas que estariam no setlist daquela tour, ele acabaria saindo e em seu lugar James MacDonough foi recrutado e este ficaria até 2000, com um retorno entre os anos de 2001 e 2004.

Trata-se de um álbum conceitual e suas letras são inspiradas em “Spawn“, personagem de histórias em quadrinhos, criado por Todd McFarlane, em 1992 e que depois faria ainda mais sucesso nos cinemas, em uma série de desenho animado nos canais HBO, além de jogos de videogame. O próprio McFarlane desenhou a capa do nosso aniversariante de hoje, após pedido de Schaffer, um declarado fã de “Spawn”.

Vamos colocar a bolacha para rolar e acompanhar cada uma das onze faixas presentes aqui. A faixa que abre é a que dá o título ao álbum… “The Dark Saga” que começa bem devagar, logo cresce se tornando um clássico com execução obrigatória nas apresentações da banda. Matt Barlow em excelente fase brilha nesta música, bem como o “chefe” Jon Schaffer e seus riffs absurdos.

I Died for You” mantém a mesma receita da música anterior: um início mais cadenciado, porém se tornando gigante no seu desenvolvimento. Ela é ainda mais melódica do que a faixa título, e igualmente linda. “Violate” é a faixa mais brucutu deste álbum, do qual é difícil escolher a faixa que mais se destaca. Mas se tivesse de fazê-lo, ficaria com a música três. Ela é pesada, rápida, violenta. Deve ser uma delícia entrar no moshpit ao escutar esse som.

The Hunter” lembra um pouco a faixa dois, porém, a ênfase nos riffs pesados é bem maior. Outra música maravilhosa, enquanto que “The Last Laugh” tem no destaque a bateria de Mark Prator, tanto no seu bumbo duplo quanto nas batidas que guiam os riffs de Schaffer, que são igualmente gigantes. E o que dizer da quebrada no andamento no meio da música, com um solo magistral e o retorno com os bumbos de Mark? Sensacional.

Dephts of Hell” é outra que empata no ranking de melhor música do disco. Ela é densa, pesadona, tem um clima incrível e mais uma vez mostra que a dupla Schaffer e Mark estão alinhadas. E Matt Barlow brilhando com seu vocal inconfundível. “Vengeance is Mine” tem uma introdução épica e logo a coisa descamba para os riffs que beiram o Thrash Metal, com direito a solos bem elaborados. Essa é outra música que deve fazer um bem tremendo, dentro de um moshpit.

A partir daqui, temos uma trilogia, nomeada “The Suffering” e obviamente, dividida em três partes (ou capítulos). A parte 1 se chama “Scarred“, a 2 se chama “Slave to the Dark” e a 3, “A Question of Heaven“. Vamos destrinchá-las.

Scarred” é uma música de andamento bem arrastado e nem por isso é menos linda do que as demais. Impressionante o peso que Jon Schaffer consegue colocar nas músicas, riffs que não chegam a ser complicados de serem executados, mas que caem muito bem com o estilo da banda. Eu particularmente o considero como um dos melhores guitarristas em, termos de base, da cena.

Temos aqui o maior clássico da banda: estou falando de “Slave to the Dark“, outra música com uma introdução épica e que ganha um pouco de velocidade ainda na primeira estrofe, permanecendo assim até o final. A parte final da trilogia “The Suffering“, chamada “A Question of Heaven” é o que podemos chamar de balada, ou melhor, o mais próximo de uma balada que o ICED EARTH se permite chegar. É bonita, bem executada, sem abandonar o peso em certos momentos. E vocal feminino que aparece e bem aqui é de Kate Barlow, a esposa do frontman.

A versão que este redator tem, conta com uma faixa bônus, e ela nada mais é do que “The Ripper“, cover do JUDAS PRIEST, que ficou simplesmente maravilhosa aos cuidados das guitarras de Jon Schaffer e dos vocais de Barlow, que fez as honras da casa e representou bem o Metal God, Mr. Rob Halford.

E assim chegamos ao final de mais um álbum, homenageado com todo merecimento. A minha relação com ele é de muito carinho. A maioria das músicas presentes em “The Dark Saga” eu conheci no ao vivo “AlIve in Athens” e foram algumas das músicas que me despertaram o interesse pela banda. E hoje é dia de exaltar um dos discos mais importantes da cena metálica não só dos anos 1990, mas como um todo. E vida longa ao ICED EARTH.

The Dark Saga – Iced Earth
Data de lançamento – 23/07/1996
Gravadora – Century Media

Tracklisting:
01 – The Dark Saga
02 – I Died for You
03 – Violate
04 – The Hunter
05 – The Last Laugh
06 – Dephts of Hell
07 – Vengeance is Mine
08 – The SufferingPart IScarred
09 – The SufferingPart IISlave to the Dark
10 – The SufferingPart III – A Question of Heaven
11 – The Ripper (Judas Priest cover) – Bônus Track

Lineup:
Jon Schaffer – Guitarra
Matt Barlow – Vocal
Randall Shawver – Guitarra
Dave Abell – Baixo
Mark Prator – Bateria

Special Guests:
Jim Morris – Guitarra solo
Tom Morris – Backing Vocal
Kate Barlow – Vocal feminino em “A Question of Heaven

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