Hidden Treasures: Danton

by Leandro Vianna

Temos aqui a prova que um sobrenome de peso as vezes pode atrapalhar muito mais do que ajudar. Surgido no ano de 1986, na cidade alemã de Wuppertal, na região da Renânia do Norte-Vestfália, o Danton foi formado por Peter Dirkschneider (vocal), Thomas Rattunde (guitarra), Ralf Seelheim (baixo) e Heiko Hornmann (bateria). Percebeu o sobrenome do vocalista? Sim, Peter é o irmão mais novo de ninguém menos que Udo Dirkschneider, que até aquele momento brilhava comandando os vocais do Accept. Acredite, isso acabaria se tornando muito mais um problema do que uma solução para o quarteto.

No momento do surgimento do Danton, o cenário musical era dominado por dois estilos. De um lado tínhamos o Hard/Glam, do outro o Speed/Thrash. Mesmo assim, a opção da banda foi se enveredar pelo Heavy Metal mais tradicional, que naquele momento tinha menos apelo que os gêneros citados acima, tanto que muitas bandas que o praticavam vinham procurando suavizar seu som para torná-lo mais comercial. Essa escolha, somada ao parentesco de Peter com Udo, acabou gerando comparações inevitáveis.

Ainda no ano de seu surgimento, o Danton não perdeu tempo e tratou de lançar sua primeira demo, além de ter sido a banda vencedora do Ruhrrock Festival. No ano seguinte, nova demo e uma segunda colocação em um festival organizado pela Metal Hammer, que deu direito a banda de disputar sua fase final tocando no lendário Hammershimth Odeon, na Inglaterra. Seu trabalho vinha repercutindo bem, e começaram a chamar a atenção de diversas gravadoras, terminando por fechar um contrato com a recém fundada Megavolt Records para o lançamento de seu debut.

Eis que em 1988, lançam Way of Destiny, um álbum que o tempo acabou por transformar em um desses tesouros esquecidos dos anos 80. As expectativas eram altas para um trabalho de estreia, dada a repercussão que a banda vinha conseguindo dentro do underground, mas obstante a qualidade inconteste do material, a coisa simplesmente não decolou. As comparações com o Accept da fase Udo, e ao próprio trabalho solo do vocalista – ele havia saído da banda no ano anterior -, foram fortíssimas, não só pela sonoridade, mas pelo vocal de Peter ser quase idêntico ao do irmão. Os músicos se irritavam com isso, já que mesmo nas entrevistas, o foco deixava de ser o Danton, com muitas perguntas abordando o parentesco do vocalista e as similaridades no instrumental.

Vale dizer que por mais que existissem pontos em comum na sonoridade do Danton e do Accept, as comparações entre as bandas eram injustas, já que ao se ouvir com mais atenção Way of Destiny, você consegue notar influências de nomes como Quiet Riot (nos momentos mais comerciais) e Judas Priest. De qualquer forma, isso se tornou um grande problema para todos os envolvidos, e o clima interno começou a se tornar problemático. O resultado foi que logo após o lançamento, o baixista Ralf Seelheim saiu, sendo substituído por Marcus Bielenberg. Na sequência, o Danton se dissolve.

Peter e Marcus continuaram tocando juntos, formando o Vanize, Heiko chegou a tentar a sorte com outros dois projetos, Amnesty e Living Wreck, mas não passou da fase das demos, enquanto Ralf e Thomas deixaram a música de lado. No fim, apesar de não terem feito o sucesso merecido, deixaram um ótimo álbum, altamente indicado para os que apreciam um Heavy Metal Tradicional enérgico e furioso.

Danton – Way of Destiny
Data de lançamento: 1988
Gravadora: Megavolt Records

Tracklist:
01. Sandy
02. Don’t Forget Me
03. Stalingrad
04. Knock, Knock
05. Straight in Your Heart
06. Take Me Home
07. Way of Destiny
08. Black, Red and Gold

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