Grunge Entrevista #05: Boby Vianna (Vocalista da banda Refuse) “Decidi entrar na Música Após Assistir ao Show do Dead Fish”

by Helton Grunge

Grunge Entrevista é uma entrevista feita por mim, Helton Grunge, aqui no site da Roadie Metal. Aqui é um bate papo informal onde o músico apresenta um pouco de seus trabalhos, fala sobre sua carreira, fala sobre os momentos marcantes que teve até agora e sobre os planos para seu futuro na música. O entrevistado de hoje é o músico Boby Vianna, vocalista da banda de Hardcore Melódico chamada Refuse.

Refuse é uma banda de Hardcore Melódico formada em Araraquara – SP em 2018. A sonoridade da banda agrega sons que passam também pelo Pop Punk e pelo Post Hardcore, trazendo letras com experiências biográficas e reflexões sobre a vida, junto de letras de protesto e de mensagens positivas.

A banda atualmente já lançou o EP Direções (2019), que conta com 5 faixas autorais. A formação da banda conta com: A formação atual da Refuse conta com Boby Vianna nos vocais, Arthur Oliveira e Fabrício Negrini nas guitarras, Pablo Dotele no baixo e Leonardo Fernandes na bateria.

Gostaria de começar parabenizando pelo seu trabalho com a banda Refuse. Eu gostei muito do EP que lançaram e acho que a banda começou muito bem. Falando em começo, vamos do início: qual foi seu primeiro contato com a música?

Vem desde criança! Meu pai adorava cantar e sempre tinha algo tocando em casa, só que era algo bem diferente do que gosto hoje: meu pai adorava Sertanejo e MPB, participava de concursos musicais e sempre estava ensaiando sozinho em casa.

Que legal! A influência dos pais sempre nos abre a mente para conhecermos coisas novas. Você acabou crescendo, se interessando por Rock, por Hardcore, então diga: Como surgiu a ideia de começar a banda?

Cara, eu conheci o Arthur (guitarrista) nos rolês por aí, e depois de eu fazer um ensaio com uma banda que ele fazia parte, ele saiu da banda e veio falar comigo sobre montar uma banda de Hardcore. Como eu estava “aposentado” na época, topei.
Depois de tentar alguns contatos com alguns músicos, ele convidou o Léo, baterista (que até então eu não conhecia) e eu chamei o Pablo, baixista, que já é amigo meu há bastante tempo. Após o primeiro ensaio, sentimos a necessidade de mais uma guitarra; aí convidei o Fabrício que já havia tocado comigo em outra banda.

Logo que a banda começou, já foram logo direto para o estúdio, não é? Fale um pouco sobre o processo de composição de vocês.

A ideia inicial era ser apenas uma banda de covers de nossas bandas preferidas, mas após nosso primeiro ensaio com o Fabrício, a gente sentiu um entrosamento muito forte e ali ele já nos mostrou uns riffs (que hoje são da nossa música Resista). Então decidimos ser uma banda autoral e, em coisa de 3 meses de banda, já tínhamos todas as composições prontas e decidimos gravar.

Para compormos basicamente funciona assim: o Fabrício ou o Arthur aparecem com algum riff, ou base (os caras são máquinas de composição haha), aí então vamos ao estúdio e, junto com a banda toda, eles tentam criar o instrumental. Nessa parte opinamos mais na questão de estrutura e arranjo das músicas. Feito isso, gravamos no celular mesmo uma guia instrumental e eu crio a melodia vocal e a letra em cima do que foi feito ou, às vezes, eles já tem algo nessa parte pronto também, depende.

Muito interessante. Que bom que decidiram partir para o trabalho autoral e legal conhecer este começo de tudo e como funciona o processo de composição de vocês. Agora vamos falar de shows: como foi a experiência de tocar ao vivo como Refuse a primeira vez?

Primeiro show foi algo bem inesperado em vários quesitos! Primeiro que nossa intenção não era fazer nenhum show antes de gravar nosso EP, mas surgiu o convite para tocarmos na abertura do Alternatal 2018, um grande evento aqui da cidade de Araraquara – SP. A abertura deveria ser no QG da banda Mamíferos (banda de Rock and Roll da cidade de Araraquara – SP), porém, no dia, caiu um pé d’água impossibilitando o evento, que foi transferido para semana seguinte no Teatro Wallace (Araraquara – SP).

A recepção do público foi acima do esperado pela banda e foi ali que tivemos a certeza de que estávamos fazendo um trabalho bem bacana.

Que bom que acabou acontecendo este show, mesmo com esses contratempos. Falando das composições de vocês, sei que é difícil escolher apenas uma faixa de um trabalho, mas você tem uma preferida? Por quê?

Bicho, eu falo isso quase que diariamente pros caras: Resista é a música que eu mais gosto. Foi uma letra que escrevi tirando de dentro mesmo; ela joga a vibe muito pra cima e o riff inicial, pra mim, é algo que empolga demais!

Entendo! A música é muito boa mesmo e muito contagiante mesmo. Voltando a falar de shows da banda: o ápice da Refuse, até agora, foi o Araraquara Rock 2019, certo? Aliás, eu estava lá e posso dizer que foi um ótimo show! Conte um pouco mais sobre esta experiência e como foi conhecer bandas como CPM 22 e Dead Fish que, certamente, são referências para você e a banda.

Quando o Plex (curador do Araraquara rock) me ligou, a gente ainda não havia lançado nosso material, o que tornou o convite surreal por si só.

Eu, particularmente, já dividi palco com grandes bandas do cenário, mas jamais com essas referências. Dead Fish, pra mim, é algo que me ensinou a viver e CPM 22 foi escola, aprendi muito com essas duas bandas, tanto que já tive até uma banda cover de CPM 22 com o Fabrício e, esporadicamente, fazemos um cover do Dead Fish nos nossos shows.
Então foi realmente algo surreal na minha vida, a realização verdadeira do sonho de tocar no Araraquara Rock e o sonho de dividir o palco com esses caras.

Tenho certeza disso, até porque foi tudo muito rápido para a banda! Falando agora do material autoral da banda: vocês já possuem um EP lançado e um videoclipe oficial. Lançarão mais algum videoclipe com alguma faixa deste EP? Qual?

Desse EP acredito que não, já estamos em processo de composição do próximo trabalho. Lançaremos um novo single e um videoclipe antes do nosso próximo EP.

Estão trabalhando com tudo! Ansioso já para conferir novos trabalhos da banda. Mas, enquanto isto não acontece, fale um pouco do EP Direções (2018) e da mensagem que vocês quiseram passar para o público.

A mensagem principal é: não desistir e sempre lutar por aquilo que acredita, sempre de cabeça erguida!

Legal esta mensagem, até porque o próprio trabalho da banda reflete isso. Mas, agora com o EP lançado, qual é o próximo passo para a banda?

Tocar no máximo de lugares possíveis, divulgar ao máximo esse EP e todo o corre independente: abrir portas para outras bandas que estão no mesmo corre que a gente e agregar cada vez mais bandas parceiras.

Com certeza! Se todos pensassem como vocês e se esforçassem participando de eventos, divulgando a própria banda da maneira correta e ajudando na divulgação de bandas parceiras, o cenário musical estaria bem melhor.
Mas, voltando a falar da banda: vocês já caminharam bastante em pouco tempo e já tocaram em vários lugares, alguns festivais importantes e sempre apresentando o trabalho autoral de vocês. Qual o maior sonho da banda agora?

É continuar tocando por aí e num circuito de bandas importantes.

Isso aí! Banda cresce na estrada, ganha público com shows bem feitos e divulgando sua música. Falando em shows, teria alguma casa, algum Pub ou algum festival específico onde você ainda pretende se apresentar com a banda?

Meu sonho é poder tocar na The House, que é o antigo Hangar 110 em São Paulo – SP e no Oxigênio Fest (São Paulo – SP). E, já que é pra sonhar, quem sabe um dia na Warped Tour né? Hahaha

O Oxigênio Fest é um ótimo festival mesmo, fui na edição de 2018. O Hangar era referência mesmo, que bom que ainda restou a The House.
Agora, falando mais sobre você: Além da Refuse, você possui algum projeto musical paralelo? Se sim, como se chama e qual é o estilo? Se ainda não, pretende algum dia lançar um? Como seria?

Não possuo, mas gostaria muito de algo voltado ao Folk Rock Acústico, mas não sei tocar violão haha.

Que legal! Um trabalho que seria bem diferente mesmo do que apresenta na Refuse.
Chegando à reta final agora da entrevista, vamos falar sobre as suas influências: cite suas 5 bandas preferidas.

Dead Fish, Millencolin, Charlie Brown Jr., Neck Deep e State Champs

Dá para ver como o Hardcore e estilos próximos moldaram seu estilo musical mesmo. Agora cite suas músicas preferidas, quantas quiser e achar que deve.

Dead Fish – Queda Livre

Millencolin – Kemp

Charlie Brown Jr. – Não deixe o mar te engolir

Neck Deep – Motion Sickness

State Champs – Elevated

Você já deve ter ido a vários shows. Dentre eles, qual foi o show inesquecível a que assistiu?

Cara, com certeza o primeiro do Dead Fish que eu fui em 2004.

O show foi visceral, intenso, muito bem executado! Foi exatamente ali que parei e pensei: quero fazer igual.

O Lucas Silveira, líder da Fresno, disse na gravação do DVD ao Vivo da banda que existem 2 dias importantes na vida: o dia que a gente nasce e o dia que a gente descobre por que nasceu. Nesse show você do Dead Fish em 2004 você, com certeza, encontrou a resposta da segunda pergunta! Deve ter sido um dia bem marcante para você.
Agora indique um álbum que, assim como aquele show, mudou a sua vida e que é importante para você até hoje.

Foi o Transpiração Contínua Prolongada (1997) do Charlie Brown Jr. Acho que foi o álbum que mais ouvi na vida, tinha lá meus 12 anos acho quando lançaram e ali eu realmente vi que queria fazer um som, ali que eu assumi uma identidade.

Última pergunta sobre você: quem é o Boby Vianna?

É um cara que ainda acredita e jamais vai deixar de acreditar nos seus ideais, na cena e no Rock.

Um operário da cena independente de Araraquara – SP haha.

Muito boa esta sua definição! Aliás, precisamos de mais operários, de mais pessoas dispostas a divulgar os trabalhos independentes que existem por aí. Parabéns pela sua atitude.
Voltando a falar sobre a banda:  que é a Refuse? Não digo só para você, mas para o público também, o que representa a Refuse no mundo da música?

Ainda não consegui definir muito bem, mas pelo que eu vejo nas reações do público nos shows, é algo que marca, algo que as pessoas que ouvem ou veem não se esquecem tão rápido

Sem dúvidas deve ser uma sensação maravilhosa para vocês da banda presenciarem o público cantando junto e aplaudindo a banda nos shows.
Agora para finalizar: qual o recado que você e sua banda podem deixar para quem está começando no cenário independente e do Rock em geral?

O caminho é difícil, é longo, se gasta muito mais do que se ganha, mas é recompensador você ver alguém cantando seu som, batendo cabeça, vindo te dizer que seu trabalho é ótimo! Dinheiro nenhum no mundo ou status pagam esse tipo de coisa! Quem no Rock é pra se f*der mesmo, se fosse pra ganhar dinheiro, tocaríamos outro estilo. Não desista e faça o que te faz feliz, independente de julgamentos!

Para saber mais sobre a banda Refuse, basta conferir suas redes sociais e suas mídias digitais para ouvir o EP Direções.

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