Chris Cornell: Dois anos da morte do cantor

by Marcio Machado

Se o termo “grunge” se faz um alguém estranho para você, então pode ser que o nome Nirvana lhe soe familiar, pois certamente em algum momento, já ouviu alguma música, ou se deparou com alguma camiseta pela rua com o símbolo do smile entorpecido. Pois bem, o Nirvana foi a banda que trouxe o movimento grunge para a moda e alavancou vendas de All Star e camisas xadrez, mas lógico que se tratando de um movimento, não era feito por uma única banda, outros grupos faziam parte daquela cena provinda da cidade de Seattle, nomes como o Alice in Chains, Pearl Jam e o nome que para muitos  é reconhecido como “pai” da coisa toda, o Soundgarden e seu vocalista Chris Cornell, o galã de cavanhaque e olhos claros, dono de uma das vozes mais marcantes, com drives e alcances incríveis.

Cornell viveu o drama dos personagens do movimento em questão e de boa parte de músicos que explodiram nos anos 90, separação dos pais, depressão, drogas e a música como escape dessas lamurias. Nascido como Christopher John Boyle, na já citada Seattle em 20 de julho de 1964, filho do farmacêutico Edward F. Boyle e da contadora Karen Cornell, teve sua educação fundada em colégio católico apesar de na sua maturidade afirmar não ter uma crença religiosa definida e se sentir livre para pensar no que quisesse a respeito.

Aos nove anos, Chris descobriu numa casa vizinha abandonada uma coleção de discos dos Beatles, passando dois anos ouvindo aquelas músicas e cada vez mais se identificando com aquele som, foi criando seu laço com o estilo que lhe faria famoso. Mas foi nesse mesmo período que também se enveredou no caminho das drogas e caiu em uma severa depressão.

Cornell se voltou para a música como forma de terapia, se dedicando inicialmente ao piano e em seguida a bateria, e no ano de 1984 conheceu o guitarrista Kim Thayil, e juntos formaram o Soundgarden, que estourou ao mundo em 1991 com o álbum, “Badmotorfinger” e em 1994, lançam seu maior sucesso comercial o disco “Superunknow“, álbum que contém a faixa mais conhecida da banda, “Black Hole Sun“. Antes do sucesso com a banda principal, Chris ainda gravou um disco com o Temple of the Dog que contou com a participação de Eddie Vedder do Pearl Jam em uma faixa no ano de 1990.

Em 1997 a banda anunciou seu fim com Cornell dando seguimento a sua carreira solo, até em 2001 se juntar aos músicos do Rage Against The Machine formando uma nova banda, o Audioslave, que lançou três discos de sucessos bastante expressivos mas por conflitos pessoais e musicais, em 2007 Chris anunciou que deixaria a banda voltando à alguns trabalhos solos, inclusive compondo uma canção para o filme “007 – Cassino Royale“.

Em 2009, pela sua conta oficial no Twitter o vocalista anunciou que o Soundgarden se reuniria e voltaria às atividades, e assim se seguiu um dos poucos sobreviventes do que talvez seja o mais importante movimento musical dos anos 90, até o ano de 2017, onde se deu mais uma tragédia de forma inesperada com um nome do gênero, Chris Cornell cometeu suicídio em 17 de maio, algumas horas após se apresentar com a banda em Detroit.

Seu funeral foi acompanhado por nomes de famosos tanto na cena musical quanto do cinema, inclusive, tendo Chester Bennington do Linkin Park, um de seus amigo mais próximos, cantado a canção “Hallelujah” e que poucos meses após acabaria tendo o mesmo final.

Um dos maiores cantores, carismático, sensível, mas como muitos, atormentados por demônios que se fizeram mais fortes e o levaram deste mundo, que ele esteja em paz onde estiver agora, e sua obra perdura aqui conosco!

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