Chegamos a última das grandes gravadoras, as sobreviventes dos novos tempos, que não desanimaram com as novas tendências e seguem firmes e fortes lançando, divulgando e o mais importante, perpetuando o Heavy Metal. Ainda não é o fim da nossa série, nas próximas semanas iremos trazer uns “bônus tracks”, com outras três gravadoras que se destacaram e que merecem honrosas menções. Hoje é dia da número 1. Vamos a ela

NUCLEAR BLAST

Fundada na cidade de Donzdorf, Alemanha em 1987 por Markus Staiger, hoje é a maior gravadora dedicada ao Heavy Metal, mas nem sempre foi assim, pois em seus primórdios, o selo se dedicava a estilos como o Punk e o Hardcore, depois abrindo espaços para o Grindcore, o Death Metal Melódico, Black Metal e aos poucos fora incorporando todas as vertentes do Metal.

Markus teve a ideia de criar o selo após a sua viagem pelos Estados Unidos, que durou quatro semanas. E o nome, ele tirou da sua banda favorita, a qual ele aproveitou essa sua estadia pela terra do Tio Sam para vê-la ao vivo: a banda atende pelo nome de BLAST, uma banda punk californiana fundada em 1983. E vamos pegar a palavra do próprio Markus sobre aqueles tempos:

Antes disso, eu dirigi uma pequena empresa de pedidos por correio chamada “Misthaufen Distribuition” no início e depois Core. E quando voltei dos Estados Unidos, decidi criar meu novo selo, querendo divulgar a música para o maior número possível de pessoas.

Os primeiros lançamentos do novo selo foram álbuns com denominações de registros “NB001“, “NB002” e “NB003“. Sobre estes, Markus relembra:

NB001” era uma compilação americana intitulada “Senseless Death”, na qual bandas como ATTITTUDE e DEHUMANIZERS estavam representadas. O “NB002” foi o álbum do CONDEMNED e o “NB003” foi um verdadeiro sucesso, o álbum de estreia do IMPULSE MANSLAUGHTER, de Chicago, Eu conheci os caras quando da minha viagem para os Estados Unidos e eles me disseram que procuravam por uma gravadora na Europa,

Ele lembra que no início, sabia das dificuldades e que não esperava ter o sucesso de hoje:

Tudo o que eu arrecadava com as vendas, eu procurava investir em bandas novas e pagar os adiantamento a estas. Era o puro desejo de divulgar a música que eu tanto amo.

Mas os seus pais não estavam gostando muito da ideia, pois várias bandas frequentavam a casa para tratar dos negócios e a bagunça era generalizada. Ele lembra que “haviam caixas de papelão espelhadas pela casa e que no andar de cima, era difícil ir ao banheiro sem que você não tropeçasse por uma delas.” Além das dificuldades para se obter crédito junto aos bancos, que não acreditavam que empreotada do jovem Markus fosse dar certo.

Mas devagar, as coisas foram tomando rumo. Se no início, o cara sequer tinha fax e passava noites em sua sala digitando em máquinas de escrever, embalando discos, enviando tudo pelo correio, praticamente sozinho, os frutos viriam a ser colhidos, com os lançamentos de bandas como ATROCITY, PUNGENT STENCH, MASTER e BENEDICTION, por exemplo.

Em 1991, é fundada a Nuclear Blast America, uma parceria entre Markus com uma figura da qual já falamos aqui: matthew Jacobson, o idealizador da “Relapse Records”. Um colaborador da “Relapse” também ajudou e ele atende pelo nome de Bill Yurkewicz. No primeiro momento, o escritório na América ficou sediado em Denver, depois sendo transferido para a Pensilvânia, mudando novamente para Tampa, Flórida, em 1997, mas em 2000, com a “Century Media”, foi aberto um novo escritório, em Los Angeles.

Foi na década de 1990, que a Nuclear Blast começou a surgir para o mundo: com os lançamentos de bandas como HYPOCRISY, KATAKLYSM, THERION e AMORPHIS, sobretudo estes dois últimos que obtiveram relativo sucesso.

Assim, uma empresa que começara anos antes, apenas com seus esforços concentrados em uma única pessoa, naquele momento já dispunha de 15 funcionários e uma filial nos Estados Unidos. Era uma baita conquista, mas ainda havia um mundo inteiro a percorrer. E a conquistar.

Em 1994, a primeira grande explosão: o álbum “Erease”, do GOREFEST foi o primeiro a entrar nas paradas alemãs, alcançando o 82º lugar. Nada mal, não é mesmo? As coisas melhorariam ainda mais em 1997, quando os álbuns “A’arab Zaraq” (THERION), “Enthrone Darkness Triumphant” (DIMMU BORGIR), “Awake” (CREMATORY), “Woracle” (IN FLAMES) , alcançaram, respectivamente, as posições número 98, 75, 54 e 78 dos charts na Alemanha. E o que enriquece ainda mais o feito da “Nuclear Blast” é que no caso do DIMMU BORGIR, era a primeira vez que uma banda de Black Metal entrava em tal lista. Além disso, o álbum de estreia do HAMMERFALL chegou ao 38º lugar e segundo Markus, é até hoje o disco de estreia que mais vendeu e que o impressionou, pois ele achava a banda normal, como tantas outras na cena. E ao final deste ano, seu catálogo de bandas já dispunha de mais de 50 páginas.

No final dos anos 1990, com o selo já se tornando gigante, a sede foi trocada de endereço, em um prédio no parque industrial de Donzdorf; a demanda exigiu que Markus contratasse mais gente e neste novo espaço, foi organizada uma agência de vendas de ingressos para todos os tipos de eventos na região de Stuttgart-Ulm, como shows, partidas de futebol, musicais, entre outros. Tudo isso acontecendo paralelamente com uma estreia gigante no cast da banda: o MANOWAR, com o seu ao vivo, “Hell on Stage”, iniciava a parceria com o selo.

Em 2002, a parceria com a “Century Media” escreveria uma nova página na história: ambas adquiriram um edifício em Hawthorne, na California. Era necessário um espaço ainda maior, pois ambas as gravadoras cresciam sem parar. E assim tudo foi feito, ambas investindo maciçamente em ações de marketing e distribuição. O Brasil também não ficou de fora: em 2002, São Paulo recebeu um escritório, fruto desta parceria dos dois maiores selos. 15 anos depois de sua idealização, o selo de Markus Staiger já não tinha mais nenhum resquício dos seus primórdios, no que se refere a instalações físicas e logística.

O MESHUGGAH foi a primeira banda do selo a figurar na famosa “Billboard 200”, com seu álbum “Nothing”, a banda alcançou a posição número 165, no ano de 2002. Em 2004, o álbum “Once”, do NIGHTWISH alcançou o primeiro lugar das paradas da Alemanha, Noruega, Finlândia; e o SLAYER, com seu derradeiro álbum, “Repentless”, de 2015, chegou ao 4º lugar, sendo esta a melhor posição já alcançada por um disco da Nuclear Blast nos Estados Unidos.

Além das parcerias, a “Nuclear Blast” tem ativo o sub-selo “Arising Empire”, dedicada ao Post-Hardcore e ao Metalcore. Além disso, diversos outros selos já funcionaram sob as asas do selo, como por exemplo a “Anstalt Records”, “Arctic Serenates”, “Cannibalised Serial Killer”, “Gore Records”, “Radiation Records”, “Revolution Entertainment”, entre outros,

No passado, fizeram parte do cast do selo, bandas como ANTHRAX, APOCALYPTICA, ARCH ENEMY, BURN THE PRIEST (N. Ddo R: a banda que mudaria seu nome para LAMB OF GOD, a partir de seu segundo álbum, “New American Gospel”), CANDLEMASS, CATHEDRAL, CHILDREN OF BODOM, CONTROL DENIED, COVENANT, CRUCIFIED BARBARA, CRYHAVOC, DANZIG, DEATH, DISMEMBER, DOKKEN, EMPEROR, FLOTSAM & JETSAM, GORGOROTH, GRAVE DIGGER, ICED EARTH, INCANTATION, NUCLEAR ASSAULT, OPETH, POWERWOLF, RAGE, S.O.D., SAMAEL, SAVATAGE, SODOM, TRIVIUM, TIAMAT, U.D.O., VOIVOD, WITHIN TEMPTATION e outras mais, em um total de mais de 200 bandas,

Atualmente, algumas das bandas que estão com a “Nuclear Blast” são: ACCEPT, AS I LAY DYING, AVANTASIA, BEHEMOTH, BRUJERIA, CARCASS, CORROISON OF CONFORMITY, DISCHARGE, a rainha DORO, EDGUY, ELUVEITIE, EPICA, ENSLAVED, FORBIDDEN, HEATHEN, HELLOWEEN, IMMOLATION, IMMORTAL, LAMB OF GOD, MINISTRY, MUNICIPAL WASTE, MY DYING BRIDE, NILE, OVERKILL, PARADISE LOST, POSSESSED, PRIMAL FEAR, SABATON, SOULFLY, SYMPHONY X, TANKARD, TESTAMENT, THE EXPLOITED, VADER, além do SEPULTURA, representando o Brasil, sendo mais de 130 outras bandas.

Esse então é o legado da “Nuclear Blast”, um exemplo de que, com foco, garra e determinação, é possível transformar qualquer sonho em realidade. E uma simples viagem transatlântica fez de um jovem alemão fã de Punk, tornar-se dono de um verdadeiro império do Heavy Metal. E que luta arduamente contra todas as tendências que tomaram conta da indústria musical neste milênio, mantendo acesa a chama do estilo que abraçamos.

Ainda não é o fim, nas próximas três semanas, iremos trazer mais três selos, que se não figuram neste Big 4, tiveram importância tanto no cenário mundial, quanto nacional. Esperamos que você tenha curtido a leitura. Siga as orientações da OMS e fique em casa.

E se você por algum acaso perdeu as outras três matérias, deixaremos os respectivos links abaixo, bastando clicar sobre o nome de cada um dos selos que se deseja ler:
Relapse Records
Metal Blade
Century Media

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